quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O Azarado

Aquele era um dia atípico. Estando tão perto do grande acontecimento, ele pegou-se agradecendo às nornas por finalmente terem lhe dado alguma trégua. Enfim, alguma coisa na sua vida estava dando certo. E aquelas pedras pontiagudas no seu caminho tinham uma razão de existirem, pois forma elas que o conduziram a esta boa-aventurança. Faltavam alguns minutos para o acontecimento, e ele refez seus passos até aquele momento esperado.

Há muito tempo, nosso heroi namorava um disco raríssimo de uma loja de Rock. Com frequência ele visitava aquela loja e se certificava de que aquele disco ainda estava lá, paradinho, no canto dele. Aquele disco era dele. Só dele. Bastava ter dinheiro pra levá-lo dali de uma vez. 35 reais, era tudo que precisava. O disco era uma preciosidade, famoso, requisitado. Na verdade ele se achou com sorte por aquele disco ainda estar ali, pois ele já devia ter sido levado por alguém há muito tempo. Mas ele ainda estava lá, esperando pra ele.

Chega o dia em que ele finalmente consegue a grana pra comprar aquele tesouro. Com empolgação interna e um sorriso de orelha a orelha na sua alma, ele entrou na loja e já se encaminhou ao balcão de discos. Já tinha feito aquele percurso tantas vezes que cada passo dado já lhe era familiar. Nem precisava pensar. O piloto automático já encaminhava seus olhos ao querido disco. "Você está indo pra casa", ele pensou. Ele tateou com a ponta dos seus dedos cada disco daquela fileira para encontrar aquela preciosidade. Vasculhou até o final. "Eu jurava que ele estava aqui...", ele pensou. Seu coração deu uma pontada. Verificou novamente aquela fileira, e notou que a organização dos discos tinha sido mudada, e se acalmou. Ele não tinha sido levado ainda. Só precisava ser procurado e encontrado. Pois aquele momento tão esperado não poderia acontecer sem um pouco de emoção, não é? Seria fácil demais entrar, pegar o disco e ir pra casa. Não, aquele momento precisava ser saboreado. Cada segundo contava para o momento ser mais épico. Na verdade, ele já estava até se imaginando contando pros amigos o quanto foi incrível comprar aquele disco, tentando transmitir, com as suas palavras, todas as suas emoções. A angústia em não poder ter aquela preciosidade mais cedo, a ansiedade, a insegurança, e finalmente, a satisfação e o sentimento de auto-realização por ter aquela obra em mãos.

Seus dedos foram tateando cada fileira de discos daquele balcão. A ponta dos seus dedos já estava ficando empoeirada, e seu temor ia aumentando. Será que organizaram os discos por ordem de estilo? Por ordem de "esse é mais importante que esse"? Será que ele estava em outra sessão? Cadê o disco? Os seus olhos já demonstravam preocupação, e seus dedos já vasculhavam os discos mais rápido. Ele tinha que estar ali. Era obrigação dele estar ali. Não era possível que sua jornada terminaria assim. Tanto esforço pra nada. Nadar e morrer na praia. Aquilo não podia estar acontecendo.

Cansado de procurar, ele decidiu ser inteligente e perguntar pro balconista se aquele disco já tinha sido levado. Ele apanhou seu caderno onde estavam registrados todos os discos vendidos, folheou até as últimas páginas e constatou que ele já tinha sido comprado há tempos.

Sem conseguir disfarçar a decepção do seu rosto, o balconista entendeu seu drama e tentou consolá-lo, dizendo que aquele disco era muito procurado mesmo, e que em alguns dias, ele estaria disponível na loja. Nosso protagonista agradeceu a informação e andou lentamente pelo local, passando os olhos desatentos pelos discos, vinis, camisetas, pôsteres, DVDs, acessórios e outros itens. O dinheiro ainda estava consigo, e assim, ele pensou em não ter uma viagem perdida. Ele podia não ter sua compra desejada, mas nada lhe impedia de comprar outra coisa. E ele partiu direto para as camisetas, pois fazia tempo que não estreava uma camisa de banda nova. Ele levou uma camisa do Guns N' Roses super bonita e estampada, torrando todo seu dinheiro.

Alguns dias depois, ele visitou um grupo de compra e venda de discos do Facebook. Encontrou porcarias, preciosidades e pérolas sendo vendidas, negociadas e trocadas. Uma delas era o maldito disco que ele tanto queria, e mais barato que naquela loja. Ele se esbugalhou os olhos de animação e pegou sua carteira para ver quanto podia gastar. Nada. Aí lembrou que tinha comprado aquela camiseta dias atrás...

O seu mundo parou. Passou alguns segundos segundos para tentar assimilar o que aconteceu. Aquele disco escapou por entre seus dedos novamente. Duas oportunidades, ambas perdidas. Um instinto de urrar seu grito mais primitivo e quebrar tudo que visse tomou conta da sua alma. Mas ele se contentou apenas em socar a parede grunhindo (derrubando o poster que já estava pendurado por apenas uma durex na parede) e ouvir som pauleira pesadão o dia todo de cara emburrada.

Ele passou alguns dias ouvindo só Metal extremo, não mais por raiva, e sim por ter pegado o embalo. Ele já tinha apreço pelo Metal extremo desde sempre, mas se afastou do estilo para aventurar seus ouvidos por outros horizontes. Agora ele estava voltando ao seu gosto tradicional. E sabendo que nosso heroi tinha voltado a se interessar pelo lado tr00 da força, um amigo o apresentou a um evento vindouro que reunia bandas underground de Metal extremo, cujas bandas eram muito bem cotadas e elogiadas pelos veículos de imprensa especializados. Por conta disso, o ingresso tinha que ser comprado antecipadamente, e o preço era relativamente caro. Nosso protagonista pegou um empréstimo com seus velhos e partiu para comprar o ingresso numa loja de instrumentos musicais perto da sua casa.

No caminho, virando a esquina, uma criança desacompanhada apareceu correndo desembestada e trombando com ele. O choque com aquele mini humano não foi algo problemático. O problema foi o sorvete que a criança estava carregando, que acabou esparramado na braguilha da sua calça. A mãe chegou desembestada para apanhar a criança e viu a confusão. Pediu mil desculpas e ofereceu o paninho que carregava pra ele poder se limpar. Ficou sem graça ao saber que aquele rockeiro estranho ia usar seu paninho pra limpar o meio das suas pernas, e tentou focar seu nervosismo em broncas barulhentas na criança. Nosso heroi devolveu o pano a senhora e foi embora cuidar dos seus afazeres, parecendo que tinha urinado nas próprias calças. Aqueles, definitivamente, não eram seus dias de sorte.

No mesmo dia, ele voltou pra casa debaixo de um sereno, e foi direto pro computador baixar músicas das bandas que iam se apresentar no evento. Ele já conhecia uma, faltava conhecer as outras cinco. A chuva lá fora engrossou, e ele lembrou de que algumas vezes, a chuva acabava fazendo... um apagão. Justo na hora que ele lembrou desse risco de apagão, todas as luzes desligaram, e ele ficou no escuro. A única luz disponível era da tela dos eu celular, que já estava com 15% de bateria. Com isso, ele olhou para o teto no meio do breu e perguntou... "Por que, Odin?".

No escuro, cheio de fome por não ter preparado nenhum rango, ele ficou deitado no sofá ouvindo as músicas do celular, esperando sem esperanças a energia voltar. Quando o celular desligou sozinho por acabar a bateria, ele ficou só na escuridão, até dar um cochilo. Acordou apenas às duas da madrugada, suando de calor. Notando que a luz já tinha voltado, aproveitou para tomar uma ducha e dormir de ventilador ligado. Exceto pelo ingresso comprado, todo seu dia fora perdido. Por isso ele se forçou a dormir rápido, para finalmente passar daquele dia terrível. Assim deixou os olhos se fecharem espontaneamente e seu corpo descansar para mais um dia de batalha e de decepções. No dia seguinte, ele veria que seu computador tinha dado defeito devido à queda de energia.

Dias depois, com o ingresso em mãos, e já com o computador acabado de voltar do conserto (e com sua poupança reserva mais vazia), nosso destemido protagonista combinava os detalhes com seus amigos para ir ao evento. Ele seu deu conta de que não sabia como chegar ao local até aquele momento! E evitando perguntar pros seus amigos como chegar lá, porque não era bom em assimilar informações assim, de forma tão coloquial, pelo celular, acabou combinando de se encontrar com eles na entrada do show mesmo. Assim teria tempo de voltar do trabalho, pesquisar no pc como chegar ao local (mesmo que em cima da hora), comer com tranquilidade e se arrumar para ir pro show, o evento que levantaria seu astral depois de tantas coisas ruins. Ele desligou, deixou separada de antemão a sua camisa tr00zona passada e limpa que iria usar, e partiu de casa com pressa.

Depois de um dia cansativo e estressante, ele retornou à casa para tomar um banho rápido. Depois procurou pela sua camisa, que tinha certeza que tinha deixado na cadeira. Cadê a dita cuja? Estava no outro cômodo, sendo usada de pano de chão pelo gajo rajado da vizinha. Ele deve ter entrado pela janela entreaberta. Expulsando o animal e apanhando a coitada da camisa amassada e cheia de pelos, teve nojo dela e uma vontade incontrolável de fazer churrasquinho de gato. Mas se controlou e apenas o jogou com violência da janela, ouvindo um "méééééééu" quando ele aterrissou no chão. Agora ele tinha que arrumar outra camisa pra passar aquela noite, e todas as outras estavam amassadas ou cheirando a mofo. Menos aquela camiseta. Aquela. Aquela que o impediu de comprar aquele disco. E o pior é que ela não tinha nada a ver com um show de Metal extremo! Contra todos os seus impulsos, ele relevou toda a raiva que tinha pegado daquela camiseta e ignorou a sua estampa destoante, pois infelizmente, no final de tudo, aquela era a única camisa bonita e usável. Depois ele procurou no pc o ônibus que ia pro local do show, comeu rápido e zarpou apressado.

Sentado no ônibus, ele se preparou tranquilamente para o show, mesmo sabendo que aquele ônibus estava levando-o para lugares que ele nunca tinha visto antes. Havia partes na cidade que ele simplesmente não tinha nem interesse em conhecer. Mas ele estava seguro, pois tinha um mapinha do itinerário daquela condução, com o caminho traçado, os noems das ruas e tudo mais. Era um mapa completo, que depois de um tempo, não combinava mais com as ruas e os caminhos que o ônibus percorria. Preocupado e com o coração na garganta, ele perguntou pra um passageiro se aquele ônibus estava indo pro lugar X, e soube que o ônibus deixou de ir pro lugar X há alguns dias, pois houve uma mudança de itinerário dos ônibus naquela zona da cidade. Com o queixo caído e amaldiçoando o google maps desatualizado, ele perguntou qual ônibus poderia pegar pra ir ao lugar X, e isso, o passageiro não conseguiu responder. E ninguém que estava ouvindo aquela conversa se prontificou para auxiliá-lo também. Vai ver ninguém sabia mesmo, pois aquela mudança nos ônibus era bem recente.

Ele perguntou ao trocador e ao motorista qual ponto de ônibus lhe deixaria mais perto do lugar X àquela altura, e eles indicaram um ponto a duas quadras dali. Agradecendo a informação, ele desceu afoito e se encaminhou ao ponto indicado, se esgueirando por ruas desérticas e estranhas. As portas fechadas, os muros pichados e os postes de luz amarelada davam uma sensação de insegurança inevitável. Por sorte, o ônibus veio alguns minutos depois. Ele se sentou num banco da janela perto da saída, e haviam outras pessoas no ônibus para lhe deixar menos nervoso. Mas eram poucas, e pareciam fora daquele mundo, com um olhar vazio, letárgicas. Eram meros zumbis cansados de um longo dia, ou algo assim. Ele dividia sua atenção às placas da rua e às pessoas que entravam naquele ônibus, e todas pareciam suspeitas. Uma delas se sentou ao seu lado como quem não queria nada, e lhe abordou apalpando o seu bolso direito e lhe mandando dar o seu celular, com uma voz calma e firme ao mesmo tempo.

Aquilo não podia estar acontecendo. Ele reparou que o punho direito do homem estava debaixo da camisa, e era óbvio que ele estava vazio, sem canivete ou faquinha ou arma alguma. Era muita cara-de-pau fazer aquele gesto, mas o que ele poderia fazer? Ele pensou em revidar, fazer alguma coisa, mas parou e pensou que aquele homem já estava habituado àquela situação, e já tinha "truques na manga", como ser bom de briga, ou ter algum comparsa. Um comparsa no estilo do garoto suspeito que se aproximou dos dois, pra servir de reforço pro assaltante. Sem saída, ele deu seu celular pro bandido, que saltou no próximo ponto juntamente com o outro suspeito. Aí ele relaxou os ombros e afundou na cadeira com a maior frustração do mundo. Tudo estava conspirando para que sua vida fosse uma merda. A sorte é que o bandido só pegou seu celular, pois era de mais fácil acesso. Sua carteira estava no seu lado esquerdo, colada à parede do ônibus, no bolso da calça na altura do joelho.

O jeito agora era continuar seu caminho e ir ao show. Tentar aproveitar o resto daquele dia. Talvez nem um show revitalizasse seu astral, mas já estava a caminho dele, então... Podia aproveitar metade dele, pelo menos. Descendo no lugar indicado, andou duas quadras e encontrou o local inconfundível do evento, cheio de gente estilosa de preto do lado de fora. Certamente estavam sem ingresso e "curtindo" do lado de fora, ou fumando, mas dentro da área delimitada pelo local. Uma dessas pessoas fumando lhe abordou elogiando sua camiseta. Era uma moça que parecia ter saído diretamente das décadas passadas. Ela usava coturno, uma calça jeans azul justíssima, jaqueta de couro com alguns bottons, camiseta branca do Skid Row, e pra completar, um rosto maquiado com brincos grandes quase invisíveis pelo cabelo ruivo ondulado cheíssimo, imitando o estilo dos artistas de Hard Rock dos anos 80. A moça não era uma modelo, mas seu visual retrô lhe concedia muita beleza e charme.

Ele agradeceu o elogio, e acrescentou que infelizmente, não tinha nada a ver com o estilo daquela noite. Deu essa resposta porque não estava com clima para conversar com desconhecidos, mesmo que esse desconhecido fosse uma moça atraente que puxasse conversa espontaneamente - coisa que nunca tinha acontecido com ele. Mas ela recebeu aquela resposta como um convite pra conversar, não como uma evasiva. Assim ela começou a falar mais, dizendo que aquele evento não tinha nada a ver com ela, que ela e outra amiga só estavam ali pra acompanhar o seu grupinho. E por sirte, disse ela, tem apareceu mais alguém que curte Rock farofa dos anos 80. E ela falou mais, e ele também falou mais, e quando deu por si, já estava conversando com ela e a amiga dela como se fossem amigos de longa data. Tudo de ruim que tinha acontecido naquele dia simplesmente se evaporou. E nosso protagonista teve a estranha sensação de que todas aquelas coisas ruins e desastres na sua vida tinham sua razão de acontecerem. Se elas não tivessem acontecido, ele não estaria naquele momento tendo uma conversa tão agradável com aquela bela estranha. Por um momento, deixou de pensar que tudo conspirava ao seu revés, e pensou que tudo conspirou para um final feliz.

Ele até esqueceu de que tinha um show pra entrar, e não entrou nele até ter certeza que conversaria com ela novamente. Sem problemas, pois ela estaria lá até o final, e até depois. Com um sorriso, ele saiu e entrou, se encontrando com seus amigos um tempo depois no meio da multidão. Eles perguntaram porque nosso heroi demorou tanto pra aparecer, avisando que aquela já era a última banda. Ele respondeu que tinha uma longa história pra contar, mas que não queria contar naquele momento. Naquele momento, ele só queria sentir um pouco de sossego.

Ele e ela mantiveram contato depois do término do show, sempre se "encontrando" pelo chat do facebook, já que ele ainda não tinha comprado um celular novo para se falarem pelo zap zap. Eles conversavam sobre diversos assuntos, e adquiriram intimidade rapidamente, apesar da pouca frequência das conversas. Claro que ele não esperava que conversassem todo dia. Mas de certa forma, ele já sentia falta dela. Pouco tempo depois, os dois combinaram de se encontrar para ir no shopping. Talvez até ir ao cinema. E ele não deixou de pensar que ela também não deixou de pensar nas coisas boas que viriam a partir daquele encontro. Talvez ainda no cinema, ele pensou. E pensou que ela pensou.

Agora nosso bravo heroi estava ali na entrada do shopping, prestes a ter um encontro. Um acontecimento épico que sepultaria seu ciclo de má sorte definitivamente. A partir dali, só coisas boas. Ele já se imaginava contando com alegria e humor para todos sobre a sua má-aventurança, sobre todas as pedras pontiagudas que marcaram seu caminho até ali. Talvez ele contasse essas histórias para os filhos e netos que ia ter com aquela moça. Ou talvez ele estivesse pensando demais. Ele nem sabia o que iria acontecer naquele dia. Deixou apenas se levar pelo momento, pois não sabia o quanto ele iria durar. E conhecendo como sua vida era, era bem possível que aquela sensação de sossego, realização e de "as coisas finalmente estão dando certo" não duraria muito.

Na verdade, não durou muito mesmo. Porque ela já estava meia hora atrasada pro encontro. Eles marcaram de se encontrar às oito horas da noite na entrada do shopping, pra pegar a próxima sessão do cinema que era por volta das oito e meia. Ou seja, o filme já tinha começado, e ele estava lá plantado na entrada do shopping, observando as pessoas irem e virem com cara de bunda.

É, foi bom enquanto durou. Vai ver, aquilo foi só um golpe de sorte. O destino teve pena daquele pobre ser, e permitiu que ele fosse feliz uma vez, mas apenas uma vez. Talvez aquela moça incrível e maravilhosa não quisesse se envolver com ele, aí mudou de ideia na última hora e deu um bolo nele. Mas também, ela era muita areia pro caminhãozinho dele, não é? Como é que uma modelo rockeira vintage linda ia se interessar por ele? Por um cara tão sem predicados, além das suas camisetas bonitas? Ela com certeza mudou de ideia e partiu pra um dos amigos tr00zões que ela já tinha. Provavelmente ela estava agora se divertindo com um deles naquele exato momento, enquanto ele estava fazendo papel de trouxa na frente de quem ia e vinha do shopping.

Já dava nove horas. Derrotado pela hora e pela decepção, ele foi embora desconsolado. Pegou o ônibus e ficou com a cabeça encostada na janela. Desceu dele a passos lentos. Entrou em casa desabando de desânimo. Um tempo se passou até ele se recuperar e tomar banho, cozinhar e ligar o pc. Ele não esperava pelo que iria encontrar no facebook, mas tinha uma mensagem nova. Era dela. Como ela tinha coragem de querer falar com ele depois do que ela fez?! Maldita! Mesmo com raiva, ele visualizou a mensagem e se surpreendeu. Era uma mensagem enviada pela manhã, dizendo que ela não poderia se encontrar com ele, porque ela tinha que bancar a babá para a sua sobrinha o dia todo. Ele ficou com cara de bobo e riu para si mesmo, balançando a cabeça sorrindo de vergonha. Não era nada disso que estava pensando, era só a vida lhe pregando mais uma peça e fazendo ele se esquecer de visualizar o facebook de manhã, fazendo ele ir pro encontro sozinho. Ela inclusive terminou a mensagem dizendo isso mesmo, que queria muito que ele visualizasse a mensagem a tempo, pra não ficar esperando por ela com cara de bunda.

Pois é, amigos. Ainda há esperança para o nosso heroi azarado, pois pelo menos uma coisa na vida dele está encaminhada e tem chances de dar certo. Não precisa dizer que o espírito do azar se manifesta em todos nós, mas algumas pessoas são mais marcadas por ele que outros.

Ah, esse foi o último post de 2015, e algumas pessoas podem achar que ele definiu muito bem o que cada um passou nesse ano. Por isso os votos da Bíblia do Rock são pra que 2016, o destino prepare coisas melhores para todos nós. Adeusmetal.

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