terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Jimi Pages VI

E sedes bem-vindos à série que faz vocês se lembrarem porque este blog se chama "Bíblia do Rock"! É muito incoerente (e pretensioso) um blog se chamar de "bíblia" sem ter textos falando sobre o sobrenatural, sobre a origem do universo, sobre a natureza das criaturas, sobre as lendas e histórias ancestrais, sobre fé e adoração, etc.

E nesta edição, Jimi consegue ter uma ampla visão sobre os bastidores da criação e consegue detalhar inclusive o início do início de tudo. Esta será a edição mais "cristã", e vocês vão entender porquê.


Jimi Pages VI

Há muito, muito tempo, antes do Rock vir a nascer, antes da cosmogonia nórdica ser realidade, antes mesmo de Midgard ser moldada pela tríade sagrada, e do furor da guerra titânica entre deuses e gigantes estremecer o cosmos, dois seres de princípios opostos nasceram do suor de Ymir. E dotados da capacidade de gerar coisas a partir do nada, estes seres foram os deuses originais, as primeiras divindades a existirem no vazio. Contudo, estas divindades apenas vagavam pelo cosmos, refletiam sobre sua natureza, e assistiam as atividades dos gigantes e dos Aesir, sem nada gerar até então.

E quando o ímpeto por criar coisas próprias se aplacou sobre esses deuses, eles formaram uma dimensão paralela, aonde poderiam ter a liberdade de criar o que quiser, sem interferir nas obras dos novos deuses Wotan, Vili e Vé, nem fomentar guerras com eles. E esta dimensão paralela era repleta de imensidão e luz, munida de graça e pujança estonteantes. E quando terminaram de moldar seu paraíso, os deuses deram vida a inúmeras criaturas luminosas, dotadas de consciência e de grandes prodígios e talentos.

Em determinando momento, o paraíso foi palco de uma terrível guerra entre os luminosos. A terça parte deles foi tomada pelo ciúme e pela ganância, e desejou ter mais prodígios do que já tinham, sendo tão ou mais grandiosos que os deuses. Transformada num campo de morte e destruição, aquela dimensão iluminada manchou-se de dor com aquele massacre, que enfim teve seu desfecho quando os insurgentes foram vencidos pelas hostes que defendiam os deuses. E como castigo por suas ambições mesquinhas, os insurgentes que sobreviveram à hecatombe foram banidos da sua morada paradisíaca e exilados em Midgard, que sendo um mundo material, limitou extremamente seus prodígios outrora admiráveis.

Embora a maioria dos luminosos tenha se mantido reta, íntegra, e não tenha se revoltado contra seus criadores, os deuses se entristeceram com sua obra e se afastaram de seu paraíso, para se isolarem e refletirem. E aconteceu que, pairando sobre o sangue de Ymir, que se tornou mar, os deuses decidiram tentar aprimorar a criação extraordinária de Wotan, Vili e Vé, criando seres frágeis e sem prodígios extraordinários, mas com liberdade, perseverança e inteligência suficientes para prosperarem.

Seguindo o exemplo de Ask e Embla, os deuses conceberam Adão e Lilith, sendo os primogênitos de sua nova espécie, planejada para se adaptar à terra, e colonizá-la com seus descendentes. Entretanto, Lilith era indomável e maliciosa, pois tinha consciência, tal qual os luminosos. Escolhendo assumir um lado sombrio, Lilith foi excluída dos planos dos deuses e condenada a vagar pelo mundo sem auxílio nem direção. Assim uma nova consorte idônea foi criada para Adão, e esta se chamou Eva. Sendo gerada sem consciência total, Eva era inocente quanto ao bem e o mal, e dessa forma, manteve-se benigna.

Foi então que os insurgentes exilados, servindo-se de sentimentos de ódio e ressentimento, juraram confrontar e vencer os deuses, destruindo e debilitar suas obras. E começaram sua vingança buscando corromper o coração de Eva, para que os novos filhos dos deuses não viessem a frutificar e terminassem caindo em desgraça. Assim um exilado transmutado na forma de serpente se achegou a Eva e a inspirou ideias de rebelião mascaradas de questionamentos, e de libertinagem mascaradas de liberdade. Adão, na sua consciência do bem e do mal, aceitou naturalmente as novas atitudes de sua companheira, pois interpretou-as como amadurecimento pessoal. E assim, o casal primogênito foi plenamente corrompido.

Exaustos e frustrados de sempre verem suas criaturas caindo em decadência, os deuses se encheram de ira e baniram os insurgentes para Muspelheim, para sofrerem e agonizarem com o fogo incandescente daquele mundo primordial, até subsistirem e morrerem nas suas chamas eternas.

Já livres da cólera, mas ainda profundamente angustiados, concluíram os deuses que qualquer vida dotada de consciência, teria naturalmente a vontade de escolher seu próprio caminho, fosse um caminho iluminado de longanimidade, ou um caminho sombrio de decadência. E sem consciência total, os seres seguiriam sem desvios pela retidão, e todavia, não teriam capacidade de prosperarem ou de progredir, e por isso, suas vidas não teriam beleza nem vigor. Assim, vencidos e exauridos pelo impasse, decidiram os deuses abandonar aquela dimensão e entregar suas criaturas geradas ao livre-arbítrio, sem mais guiá-las nem avistá-las.

Entretanto, ainda dotados de piedade, pediram os deuses, aos seus filhos luminosos, que eles preservassem as vidas dos seus filhos frágeis de Midgard, sem, no entanto, interferir em seus cursos. Entendendo que aquele era um pedido, e não uma ordem, parte dos luminosos se engajou em proteger os mortais, enquanto outros escolheram se inflar de orgulho e não se curvarem a criaturas consideradas inferiores e imperfeitas.

Em Midgard, alguns exilados conseguiram escapar da condenação às chamas de Muspelheim, pois se esconderam nas entranhas da terra, nas fendas do mar, nos abismos profundos e nas terras ermas e longínquas. E vagando sobre o mundo, eles se elevaram como ídolos perante os mortais primitivos, sendo cultuados como deuses.

Em Muspelheim, os exilados mais fracos sucumbiram e definharam, e os mais fortes se adaptaram ao fogo, e se tornaram gigantes, demônios, espíritos imundos e grotescos, liderados por aquele que um dia fora o mais reluzente dos luminosos. E os mortais o conhecerão como A Serpente, o Príncipe das Trevas, Satanás, e Surtur.

E por desobedecer aos planos dos deuses e escolher o caminho das sombras, Lilith se juntou a Satanás e às suas hordas nefastas. E com poderes concedidos pela serpente, Lilith se transformou num demônio inigualável, um pássaro noturno, a soberana das trevas, empenhada a espalhar o caos e a devassidão por Midgard.

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