quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Dobradinha: Blues Pills e Iron Maiden

Hoje este autor quer mostrar pra vocês duas pérolas que representam a nata do Rock clássico. Tem gente que acha que Rock clássico é o Hard Rock dos anos 80, mas o Rock clássico é outra coisa. Quer saber o que é? Além das bandas da Invasão Britânica? É aquele tipo de Rock que te faz respirar mofo, mas sem ficar com os ouvidos nem as narinas irritadas. É aquele Rock que não te faz bater cabeça, e sim curtir e viajar. É aquele Rock que ganha mais pela intensidade e melodia do que pela energia e vigor. Enfim, é isso aí que você vai ver abaixo:


Iron Maiden - Maiden Voyage

Ano: 1998 (tendo sido gravado em 1970)
Estilo: Blues Rock
Gravadora: Audio Archives
Sobre a banda: Esqueça aquela banda que tem aquele monstrinho feioso nas capas, porque vamos falar agora da primeira banda que usou o nome "Iron Maiden" na história do Rock. Nascida em 1964 e morta em 1972 (sim, essa é uma daquelas bandas que você fica feliz por ter conhecido, mas triste por descobrir que já bateu as botas), o Iron Maiden teve vários nomes e vários integrantes, e se apresentava tocando covers e músicas autorais que lhe renderam alguns singles. A banda conseguiu respeito entre o público, fez shows de abertura pra várias bandas famosas, como Fleetwood Mac, Jethro Tull, The Who, King Crimson, David Bowie, High Tide e Amen Corner, e até fez uma turnê pela Austrália. A partir daí a banda decaiu e morreu, com o fechamento da gravadora Gemini Records, com quem tinha contrato desde 1970, e com a saída do seu baixista que era a pedra angular da banda. Sem falar que foram gravadas algumas músicas para o lançamento de futuros singles ou de um álbum, mas que acabaram sendo perdidas. Eita banda azarada! Talvez Deus Metal quisesse que ela não fizesse sucesso, só pra dar espaço àquela banda que coloca o monstrinho feioso na capa. Mas pra nossa sorte, algumas músicas do Iron acabaram sendo salvas e compiladas num álbum lançado em 1998, como dito no inicio.
Sobre o CD: Agora falando sobre o disco, uma coisa que você vai descobrir quando ouvi-lo pela primeira vez (e pela segunda, terceira, quarta, quinta, enfim, pra sempre), é que é muito fácil perder a concentração nas músicas. Mas isso não é uma coisa ruim, muito pelo contrário! Acontece que o álbum inteiro é perfeito pra viajar, pra ficar imerso em pensamentos longínquos e lisérgicos até não poder mais. Você nem percebe a transição de uma música pra outra, de tão reflexivo que você fica. Mas quando você consegue sair do mundo da transcendência metafísica da mente, e presta atenção nas canções, percebe que elas são dotadas de muita técnica e habilidade, onde todos os elementos (ritmo, arranjos, melodia, atmosfera, etc) ficam encaixadinhos e sólidos, executados no seu próprio tempo, sem pressa de revelar desfechos ou auges triunfais. Tudo que é preciso fazer é escutar, relaxar e apreciar o baixo marcante, os solos cativantes, os efeitos e distorções psicodélicos, e não ver a hora passar no decorrer das músicas de 6, 8 e 12 minutos. Em resumo, "Maiden Voyage" é literalmente uma viagem, uma viagem mágica para a descoberta de um tesouro escondido e precioso.
Faixas:
01. Falling
02. Ned Kelly
03. Liar
04. Ritual
05. CC Ryder
06. Plague
07. Ballad of Martha Kent
08. God of Darkness



Blues Pills - Blues Pills

Ano: 2014
Estilo: Blues Rock
Gravadora: Nuclear Blast
Sobre a banda: Meio sueca, meio estadunidense e meio francesa, o Blues Pills foi a revelação-sensação de 2014 e foi comparada a várias bandas clássicas do gênero, como Fleetwood Mac, Janis Joplin, Grand Funk Railroad, Ritchie Blackmore, e até chegaram a dizer que ela é o novo Led Zeppelin! Parece exagero, né? Mas é mesmo. Porque a banda não é só o Led Zeppelin, é todas as bandas citadas também, e mais! Porque apesar de tudo, a banda ainda tem personalidade própria. E é acrescentar que o Blues Pills faz parte, junto com bandas como OrchidGraveyard, John The Conqueror, Kadavar, Radio Moscow, Rival Sons, Blackberry Smoke, Vintage Trouble, The Graveltones e Purson, de uma leva de bandas que vem surgindo nos últimos anos, que apostam numa sonoridade "vintage" dos anos 60/70. Será Deus Metal agindo? Sim, ou com certeza?
Sobre o CD: Tudo que se encontra nas bandas clássicas está aqui: uma sonoridade empoeirada, orgânica e espontânea; melodia emocionante e intensa quando quer, e empolgante e pegajosa quando precisa; cozinha precisa e hábil aliada a guitarra afiada e talentosa do jovem Dorian Sorriaux (jovem mesmo, ele tem 20 anos); e os vocais potentes e versáteis de Elin Larsson, uma das melhores vocalistas dos últimos tempos facilmente. É importante dizer que cada canção tem sua proposta e tom, onde vamos do Rock mais agitado e setentista de "Ain't No Change", "Gypsy" e "Devil Man" às baladas mais cadenciadas e tristes (blues) de "Little Sun" e "No Hope Left For Me; das de ritmo marcante "High Class Woman" e "Jupiter" à emoção de "Astralplane" e "River", e passando por "Black Smoke", que começa calma e intensa até ter seus momentos de euforia. Cada música nos toca de uma forma, o que faz todo o álbum ficar marcado na nossa mente por dias ou semanas. Além de ser um incrível álbum de estreia, é recomendado a todos que quiserem se aventurar pelo Blues Rock e se perderem na sua melancolia extática.
Faixas:
01. High Class Woman
02. Ain't No Change
03. Jupiter
04. Black Smoke
05. River
06. No Hope Left For Me
07. Devil Man
08. Astralplane
09. Gypsy
10. Little Sun

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