sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Dobradinha: Blind Guardian e Scorpions

Finalmente uma dobradinha sobre lançamentos do ano! E mais ainda: dois dos lançamentos mais esperados do ano! Porque não poderia ser diferente. As bandas novas podem aparecer e fazer discos incríveis e possíveis clássicos futuros, mas por enquanto, as bandas tradicionais ainda mantém a sua majestade. Basta anunciarem que lançaram disco novo, que todo mundo entra em polvorosa.

E caso você não tenha reparado, as dobradinhas sempre traz bandas que combinam entre si. A primeira dobradinha trouxe duas bandas de Metal Sinfônico. A segunda trouxe mulheres no Metal. A terceira trouxe Hard Rock moderno. Então, por que Scorpions e Blind Guardian estão juntos nessa edição? É por que elas são clássicas? É porque elas são clássicas e lançaram CDs esse ano? Nada disso. O que ambas lançaram discos medianos.

Tudo bem, tudo bem, antes de você apedrejar este autor, pelo menos leia as resenhas e leia seus argumentos. É comum a gente gostar de ler o que já combina com nossa opinião pré-formada, mas não faz mal ler opiniões diferentes. Ou melhor, faz mal pra quem é muito orgulhoso de si mesmo...

De qualquer forma...


Scorpions - Return To Forever

Ano: 2015
Estilo: Hard Rock
Gravadora: Sony Music Germany, New Door/UME (US)
Sobre a banda: Precisa mesmo falar sobre ela?? Tá bom, é aquela banda que te apedreja como um furacão, que traz ventos de mudança, que gosta das noites da cidade grande, que fala de zoológicos e que ainda está amando você. Agora pra atualizar a sua situação: a banda anunciou que ia terminar suas atividades em 2010, após o lançamento do disco "Sting In The Tail". Mas aí eles retornaram em 2011 com o disco "Comeblack", que consiste em regravações das próprias músicas e alguns covers. E agora temos o seu primeiro álbum de inéditas depois do término e retorno mais rápido da história da música (mentira, esse posto pertence ao Zezé Di Camargo & Luciano).
Sobre o CD: Ele não é de músicas totalmente inéditas. Na verdade a banda reaproveitou algumas ideias e músicas inacabadas nas décadas anteriores , inclusive muitas músicas que eram pra ser lançadas nos antigos álbuns, mas acabaram sendo deixadas de lado. Aí a banda deu uma polidinha, um arranjo aqui, uma gambiarra acolá, e voilà.
      Talvez seja por isso que este autor considera esse disco mediano: porque dá pra entender porque algumas ideias e canções foram deixadas de lado na época. Porque apesar de bem trabalhadas (e otimamente produzidas, dadas as técnicas de produção atuais), elas não empolgam e quase não se destacam, deixando a impressão de faltar alguma coisa que não conseguimos definir para fazer as músicas realmente marcantes.
      Não que isso seja uma constante, pois algumas músicas se destacam sim, e com louvor: "We Built This House", além de ser uma das únicas músicas inéditas de fato, descreve a "autobiografia" da banda de como ela foi feita tijolo por tijolo até dar forma a esta grande banda sólida que resiste ao tempo, resultando numa música muito bela. Já "Rock My Car" é clássica instantânea, não sei como não entrou nos álbuns anteriores. "The Scratch" mantém um clima de animação e descontração bem interessante. "Rock 'n' Roll Band" tem uma pegada oitentista e uma mensagem direta e marcante. E... depois tempos músicas que poderiam ser boas, MAAAAS tem um detalhe que estraga elas. Por exemplo: "Going Out With a Bang" poderia ser boa, SEEE não tivesse um refrão tão broxante. Quando a gente espera por um refrão bombástico, ele tem o ritmo todo quebrado! "Hard Rockin' The Place" poderia ser melhor SEEE variasse um pouquinho o instrumental. Parece que estão tocando no no piloto automático... "All For One" seria melhor SEEE tivesse uma pegada mais enérgica. E é essa impressão que as todas as outras músicas deixam, a de que "poderia ter uma coisinha a mais".
      Isso sem contar as baladas que dão AVC de tão paradonas e desanimadas, como "House of Cards" (você lembrou daquele seriado da Netflix que eu sei), "Who We Are", "Eye of The Storm" e "Gypsy Life". Ah, e também temos as músicas que nem parecem que foram feitas pelo Scorpions, que são "The World We Used To Know" e "Rollin' Home".
      Se desgarrando totalmente do fato de que o Scorpions é uma banda consagrada (o que pode fazer a gente ter pré-disposição pra julgar o disco muito bem), "Return To Forever" é um disco mediano que felizmente não traduz a banda em seu todo.
Faixas:
01. Going Out with a Bang
02. We Built This House
03. Rock My Car
04. House of Cards
05. All for One
06. Rock 'n' Roll Band
07. Catch Your Luck and Play
08. Rollin' Home
09. Hard Rockin' the Place
10. Eye of the Storm
11. The Scratch
12. Gypsy Life
Faixas bônus que você vai ouvir se baixar o disco na internet (o que você provavelmente fará):
13. The World We Used to Know
14. Dancing with the Moonlight
15. When the Truth Is a Lie
16. Who We Are
17. Delirious



Blind Guardian - Beyond The Mirror

Ano: 2015
Estilo: Power Metal
Gravadora: Nuclear Blast
Sobre a banda: Curtido entre absolutamente todos os fãs de Power Metal, o Blind Guardian guarda alguns clichês e convenções do gênero (letras fantasiosas, coros, orquestrações) e descarta outros (voz ultra melódica e limpinha, exagero nas orquestrações, investimento em mais peso e melodia equilibrada), se destacando inclusive das outras bandas mais consagradas do estilo. Pelo menos até agora.
Sobre o CD: Primeiramente, ele é conceitual. E isso já desagrada as pessoas que tem preconceito com "discos conceituais", por acharem que eles sempre são chatos, pretensiosos e superestimados pelos críticos. Nesse caso, esse álbum é uma continuação da história e conceito do disco mais bem-sucedido da carreira banda, o "Imaginations From The Other Side". Mas pra falar a verdade, isso e só um detalhe, porque você poderia ouvir o disco sem saber dessa preciosa informação (você poderia inclusive morrer sem saber disso), porque "Beyond The Red Mirror" não tem nenhuma relação com seu álbum "antecessor", tendo uma pegada bem diferente.
      Se apenas uma palavra pudesse resumir esse álbum, seria "pomposo". Ele é o registro do ápice da capacidade e talento que a banda adquiriu ao longo do anos para compor orquestrações, coros e sonoridades épicas em geral. Mas esses elementos épicos que, nos álbuns anteriores, são usados de maneira equilibrada, ou em segundo plano, ou potencializando o trabalho dos artistas, aqui acabam enfastiando, cansando e ofuscando ou diluindo o potencial dos próprios músicos. Várias vezes o vocal tem um coro de fundo, todo o peso da cozinha é abafado (coisa que mais prejudica as músicas), e o ritmo nem muito devagar, nem muito rápido, deixa as músicas entediantes. Todas as "sonoridades épicas" são tão usadas e repetidas que chegam à exaustão, chegando uma hora que você nem se empolga mais com o que está ouvindo.
      Essa sensação de saturação fica evidente nas nossas primeiras audições, onde quase desistimos de ouvir o disco novamente. Só depois de ouvi-lo mais vezes é que conseguimos nos acostumar e aceitá-lo, simpatizarmos com ele, apreciá-lo, entender seus detalhes e suas preciosidades.
      Agora falando mais especificamente sobre as canções. Como a maioria delas tem quase o mesmo ritmo constante e os mesmos timbres, acabam ficando redundantes e exaustivas. A sequência "Prophecies", "At the Edge of Time" e "Ashes of Eternity", junto com "The Throne" e "Sacred Mind", que formam o miolo do álbum, são exaustivas, pedantes e redundantes, tanto pelo seu ritmo, quanto pela sonoridade épica exagerada. Apesar de que "Prophecies é a melhorzinha, principalmente nas partes do "(...) the center of creation / The prophecy / It's a promise to us all / A crow, a storm / Shadows will be rising soon / A crow, a storm / The Nine sing". Já "Holy Grail" e "Twilight of The Gods" são as melhores canções, justamente por remeterem à pegada tradicional da banda (aliás, não tem como a banda errar falando de mitologia nórdica e templários). "Miracle Machine" é uma canção incomum nesse disco, e chega a nos lembrar da banda Queen. Além de ser diferente das demais, é boa e se sagra por não ter excessos. E "Grand Parade" consegue a façanha de ter mais de nove minutos e não ser tão chata - diferente da primeira música que, Frigga do céu, como demora pra acabar.
      Aliás, um detalhe bizarro deste álbum, é que a própria banda e seus críticos/fãs babões dizem que ele "retornou às raízes". Mas caramba, que raízes??
      Pois bem, "Beyond The Red Mirror" é bom, mas é pretensioso. Aqueles que curtem a sonoridade mais clássica do Blind Guardian, que investe em canções de tons e ritmos diferenciados e mantém seu peso característico, vão ter um desagrado com esse álbum.
Faixas:
01. The Ninth Wave
02. Twilight of the Gods
03. Prophecies
04. At the Edge of Time
05. Ashes of Eternity
06. The Holy Grail
07. The Throne
08. Sacred Mind
09. Miracle Machine
10. Grand Parade

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