quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Ramones, a marca de grife

Há uma patrulha ganhando força ultimamente, a Patrulha Anti Meninas Que Usam Camisa do Ramones Por Modinha. Esta patrulha dedica sua existência a julgar todas as garotas que usam a peita do falecido grupo musical, testando os seus níveis de conhecimento sobre a banda, e verificando se elas são dignas de usarem tão sagrada vestimenta. E ai daquela que não souber responder quantos álbuns o grupo lançou, não poder citar 10 músicas da banda, não conseguir reconhecer cada integrante a olho nu, ou não souber soletrar "blitzkrieg bop". Pois ela receberá seu veredito final e será considerada infiel, indigna, não merecedora de usar esta peita ramônica. E se após esse implacável veredito, ela demonstrar um total estado de depressão e agonia, com direito a lágrimas oriundas dos globos oculares escorrendo pela sua face, a Patrulha terá seu trabalho não-assalariado feito e cumprido com louvor.


Mas por que essa patrulha existe? Porque eles são tão vorazes e esfaimados? É simples: porque as camisetas do Ramones não estão sendo vendidas só em lojinhas de Rock, mas também em... em todo lugar! Nas lojas populares, nos mercadinhos, nos bazares, nas padarias, nos postos de saúde, até mesmo nos complexos presidiários! Tá todo mundo comprando camisa do Ramones! E tem camisa branca, preta, roxa, verde limão, amarela pastel, rosa choque chocante... Tem coisa mais herege do que camisa de banda com... CORES???

E qual é o grande problema nisso? Na teoria, o logo do Ramones está sendo mais popularizado e mais integrado à cultura pop, não é?

NÃO!!!! TÁ ERRADO ISSO!!! PORQUE PRA USAR CAMISA DO RAMONES, TEM QUE SER ROCKEIRO E CONHECER A BANDA!!!!!

É por isso que a Patrulha existe. A Patrulha quer que as pessoas que usam a bendita camisa do Ramones conheçam a banda e respeitem esse símbolo.

Quer dizer, não que a patrulha vá chegar a falar isso praquele mendigo que só usa camisetas de banda, ou praquela tia que quer ser prafrentex. Na verdade, a patrulha só bate de frente com as garotas...

Ops, eu disse "bate de frente"? Que nada, nem bater de frente, essa Patrulha tem coragem! Ela só faz posts enraivecidos nas redes sociais! E se por acaso atingir essas garotas, que bom! Mas se não atingir... Tudo bem também! Porque é o importante e mostrar sua raiva ao mundo!

Ou seja, no fim, tudo se resume a uma grande birra. Esses rockeiros patrulheiros só estão tristes porque não podem mais reconhecer e definir "quem é rockeiro de verdade", só no golpe de vista.

Não entendeu o que este autor quis dizer? Pois ele explica: rockeiros tem um instinto natural de procurar por outros indivíduos da sua espécie. Eles gostam de se encontrar com outros camaradas. É só bater o olho num rockeiro aleatório que eles já pensam: "Oba! Outro rockeiro como eu! Que felicidade!!!".

Por esse ângulo, as camisetas de banda tem a mesma função dos uniformes de escola e de uniformes de times esportivos: definir quem é rockeiro. Nesse caso, quem é fã de Ramones. O problema é que, como tá todo mundo usando a camisa da banda, não dá mais pra definir quem é "rockeiro de verdade" com exatidão.

E é por isso que os rockeiros patrulheiros tem um método de julgamento infalível para definir quem é "fã de Ramones de verdade":
  • Se o indivíduo for homem, tudo bem, tem crédito, tem mais probabilidade de conhecer a banda. Agora, se for mulher, cuidado! Deve ser só uma dessas posers attwhores que vestem camisas de banda só pra aparecer e ganhar elogios! Sabe como é, né, mulheres são mais falsas que os homens e gostam de fazer essas palhaçadas.
  • Se o indivíduo tiver outros acessórios rockeiros, como colares, piercings, munhequeiras, etc, a chance desse indivíduo ser rockeiro é maior. Ou não, talvez ele seja poser pra caramba...
  • Se o indivíduo tiver mais cara de sério, a probabilidade dele ser rockeiro é maior. Ou não, talvez ele esteja só irritado com a vida, ou tenha topado o dedão há pouco tempo...
  • Se o indivíduo for gordo... ou magro... bom...
  • Mas... se ele for branco, ele tem mais chances de ser de verdade, já se for negro... ele pode ser uma exceção entre os negros que só curtem Funk...
Enfim, dá pra perceber que esse "método de julgamento" não é lá muito eficaz. Nem mesmo é exato. Ele só se baseia em preconceitos, misoginia e ignorância. Aliás, só do fato de julgar, já tá errado! Porque julgar pela aparência é uma das piores coisas que você pode fazer ao seu intelecto. Então deixemos de ser superficiais, deixemos de julgar livros pelas suas capas e rockeiros pelas suas camisas!

Mas e como fica a questão das pessoas usarem um símbolo sem saber do seu significado?

Ok, isso é errado mesmo. Afinal, símbolos são feitos pra representarem ideias e conceitos. E se as pessoas não saberem o que o bendito símbolo significa, ele acaba perdendo sua função.

Mas o que os rockeiros patrulheiros vão fazer sobre isso? Por acaso vão protestar pro governo proibir "gentinha" de comprar camisa do Ramones? Vão exigir que todo mundo faça uma prova escrita e oral antes de comprá-las? Vão colocar as pessoas "suspeitas de não saberem o significado da camisa" na fogueira? Vão organizar boicote a todas a lojas não-rockeiras que venderem a camisa? Vão fazer alguma coisa além de espernear e xingar na internet?

Não?

ENTÃO ENFIEM ESSA REVOLTA IDIOTA NOS SEUS CUS, SEUS MERDAS!!!!!!!


Ou simplesmente deixem de ficar nervosinhos, pois as camisas do Ramones vão continuar sendo vendidas pro público herege, independente da sua ira! Como dizem os filósofos da internet: aceita que doi menos.

"Ain, mas não pode, porque o Ramones não é marca de roupa pras pessoas ficarem usando, e..."

O quê? Ramones não é marca? Arrá! Chegou o momento em que este autor finalmente vai usar seus conhecimentos adquiridos nas aulas de Publicidade e Propaganda!

É o seguinte: o argumento é de que "logos de bandas não são marcas de roupa". Então, se o logo do Ramones (e de outros símbolos populares do Rock) fossem marcas de roupas e grifes, as pessoas comuns teriam permissão de usá-los sem precisar conhecer seu significado.

Mas esse argumento não poderia estar mais errado, pois marcas famosas tem SIM significado TAMBÉM. Achas por acaso que os profissionais de publicidade e marketing criariam essas marcas sem se basear em alguma coisa? Sem passar alguma ideia? Se sim, você não sabe nem a metade do que eles planejam só pra fazer você consumir essas marcas. Veja alguns exemplos:

A maçãzinha da Apple faz referência ao fruto que Eva comeu, o fruto da Árvore do Conhecimento (no caso, nem a Bíblia especifica qual é esse fruto. Mas esse fruto é uma maçã porque algum idiota falou que era uma maçã e todo mundo aceitou). A mordida da maçã tem o conceito de "conhecimento adquirido", o que combina perfeitamente com a proposta de uma empresa de tecnologia. O conceito dessa marca também fala sobre a sedução causada pelos seus produtos e a vontade das pessoas de satisfazerem seus desejos. Em poucas palavras, comprar e ter os produtos Apple.

Já o símbolo da Nike faz referência à deusa grega Niké (ou Nice), a deusa grega da vitória, o que tem tudo a ver com uma empresa voltada pra esportes e sapatos de corrida. Além disso, esse símbolo também combina com o slogan da empresa "Just Do It". Você já fez "isso"? Já desempenhou tal atividade? Então marca com um "cêzinho", que nem sua professora faz na sua prova, pra mostrar que você fez certinho.

E aí, cadê os Patrulheiros cobrando o conceito dos símbolos que os atletas e applefags usam? Hein? Hein? Se você não sabe o significado da maçã, você não pode usar esse IPhone, seu poser!!!

Além disso, logos de bandas são sim uma marca. Assim como o próprio Rock.

Não concorda? Talvez essas imagens te façam concordar...


Veja só, logos de bandas e o próprio Rock sendo usado como marca de produtos...

Ainda não se convenceu? Ok então, este autor vai mostrar a definição definitiva da palavra "marca":

Marca é a representação simbólica de uma entidade. No marketing, a definição é mais específica, algo como "sinal visual de uma empresa, usado para diferenciá-la das demais no mercado e identificar seus produtos e serviços".

Logotipos de bandas já são, por si só, uma marca, pois representam simbolicamente uma entidade. No caso, suas bandas. E para encaixá-los na definição usada pelo mercado/publicidade/marketing, basta pensar numa banda como uma empresa, onde tudo que ela comercializa com sua logo é seu produto. Desde seus CDs, DVDs e outras mídias sonoras, até seus acessórios, camisas de banda, bonés, bandanas, munhequeiras, colares, casacos, patches e etc. Até mesmo seus "objetos personalizados e especiais", como canecas, all-stars, bolsas, capinhas de celular, cervejas, enfim, basicamente tudo que o KISS já comercializa, né.

E sabe o que é melhor no fato do Rock ser uma marca? É que você compra produtos que são "do Rock"! Calma, o Capitão Óbvio explica. Em vez de comprar um chinelinho comum e normal, você pode comprar um chinelo do Pink Floyd!




Ir pra praia com os pés no lado escuro da Lua: não tem preço.



E em vez de deitar numa almofada comum e normal, você pode repousar sua cabeça no Guns N' Roses e ter sonhos paradisíacos na cidade!




Ou tomar uma cervejinha por conta de Robert Johnson, a Hellhound On My Ale!











É por essas e outras que o Rock é uma ótima marca, porque faz qualquer rockeiro consumir qualquer coisa, desde que tenha o logotipo de uma banda de Rock, ou um símbolo qualquer desse estilo musical, como uma guitarra ou o chifrinho (\m/). O produto pode não ter nada de especial, mas satisfaz completamente os desejos e vontades do rockeiro só por ter uma caveira estampada.

Enquanto isso, se uma pessoa qualquer adornar uma marca famosa qualquer, não ganhará nada com isso.


E tem mais uma coisa... uma coisa que os publicitários e "marketeiros" sabem muito bem (e seus críticos também): produtos nunca são vendidos por causa deles mesmos, mas pela ideia que eles carregam consigo. Ou seja, você não compra Bombril porque é uma esponja de aço, mas porque é uma esponja de aço QUE tem mil e uma utilidades! Apesar de só usarmos bombril pra duas coisas: na cozinha e na antena da tv. Você nunca compra Nescau Cereal porque é um sucrilho de chocolate, mas porque é um sucrilho de chocolate QUE te faz radical! Mesmo que essa "radicalidade" não te dê habilidade pra praticar snowboard de paraquedas depois de pular de bungee jump numa pista de monster truck. E você nunca compra Skol só porque gosta dessa cerveja, mas também porque é uma cerveja QUE desce redondo, te ajuda a pegar geral e te faz um cara super legal! Mesmo que a Skol (assim como qualquer cerveja) só te transformem num... bêbado.

E porque você compra uma camisa de banda? Ué, não é só porque você gosta! É pra mostrar que você é rockeiro, mostrar que você é diferente dos outros, mostrar que é descolado, pra te acharem culto e inteligente, pra te considerarem uma pessoa legal, e mais um monte de qualidades! Mesmo que no fundo, você seja um inútil que adora aparecer e pagar de rockeirão pras pessoas ficarem te olhando torto na rua. Viu só como o Rock é uma marca? Faz até propaganda enganosa!

Agora você deve estar decepcionado, percebendo que o seu amado estilo musical é tão comerciável quanto camisas da Abercrombie e tênis da Adidas... Mas quem disse que isso é ruim??? Os panques anti-sistema hipócritas? Não ligue pra eles! Se o Rock não fosse uma marca, nem eles teriam produtos dos Sex Pistols pra adornar! E você não teria sapatos estampados com suas bandas preferidas, não teria tanta camisa pra comprar, não desejaria aquela camisinha do Slayer, pra você dizer pra sua namorada que ela vai ficar raining blood ehueheuheuhuehu
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CA-HHHAM.

Enfim, você não precisa ficar bravo ou com consciência pesada pelo Rock ser uma marca. E nem precisa ficar bravo com tanta gente que não sabe nem que troço é "Ramones" adornando sua logo. Pense apenas que o Rock já atingiu um status de popularidade tão grande que você pode vê-lo em todo lugar, em todas as coisas, das pequenas às grandes.

Ou continue bravo, não faça nada pra reverter essa situação, continue reclamando, e faça mal ao seu coração, vivendo dias a menos. A escolha é sua.

Este autor fica por aqui, e você fica com o Ramones brasileiro. Adeusmetal.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Castidade, Hóstia e Bons Costumes


Chegai-vos, rockeiros, vinde jubilosos
Sigamos o caminho do Senhor
Sejamos rockeiros e cristãos orgulhosos
Ó, vinde, adoremos
Ó, vinde, adoremos
Ó, vinde, adoremos
O Rock and Roll!

Lutemos em defesa dos valores cristãos
e condenemos quem critica nossa religião
Pois não admitimos críticas às nossas ações
e não será bem-vindo seu direito de livre expressão
Mesmo que a maioria das bandas de Rock tenham feito isso
ignoramos este fato pra manter nosso compromisso

Sejamos conservadores, unidos pela preservação
dos valores morais esquecidos neste mundo de perdição
Bradaremos contra o Funk Carioca e sua depravação
enquanto ouvimos Rammstein e Velhas Virgens sem moderação
Sejamos moralistas e preguemos a decência todo dia
sem admitir nossa grande contradição e hipocrisia

Julguemos as mulheres que não constroem família
que preferem uma vida sexual livre e sem impedimentos
Mandemos-as pro Inferno, xinguemos-as de "puta" e "vadia"
por seguirem o Livre Arbítrio melhor do que nós mesmos
Ignoremos a liberdade que o Rock incentiva
para manter nossa mentalidade fechada e primitiva

Abominemos as coisas mundanas que nos afastam do Senhor
Os pecados que advém do lema Sexo, Drogas e Rock and Roll
Caminhemos contra o próprio Rock para adorá-lo
e como um estilo gospel e beato vamos glorificá-lo
Desconsideremos a história do Rock carregada de iniquidades
para bendizê-lo baseado em calúnias e inverdades

Louvado seja o Rock and Roll
Estilo que louvamos à nossa imagem e semelhança
Destruímos seu verdadeiro significado
Para arrebanhar fãs indignos em abundância

Hail hail, hail and...
pray!

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Teses e constatações [06]

Os especialistas e pesquisadores da área de ciências rockeiras estavam reclamando que não estavam trabalhando, então aqui vai os últimos resultados das suas pesquisas:

Rockeiro não tem empregada...
Tem roadie.

Os shows do Gangrena Gasosa podem ser resumidos com fidelidade por Ivete Sangalo:
Tem gente de toda cor, tem raça de toda fé, guitarras de rock'n roll e batuque de candomblé.

Brasileiros costumam ser patriotas apenas em tempos de Copa do Mundo.
E rockeiros brasileiros costumam ser patriotas só quando bandas nacionais são reconhecidas no exterior.

Existem bandas que são únicas, que jamais terão suas qualidades copiadas ou reproduzidas por bandas posteriores.
O AC/DC não é uma dessas bandas.

Baixistas em bandas de Metal melódico são como colares.
Só servem de enfeite.

99% dos integrantes de bandas de Metal melódico são adeptos do poliamor.
Não existe fidelidade a uma banda apenas, sempre tem um casinho, ou "projeto paralelo".

Metal Progressivo é como um filme cult:
Tem fãs metidos a gênios que dizem que o estilo é rejeitado porque as mentes mundanas não compreendem sua complexidade.

Estimativas apontam que a soma de 50 músicas de Grindcore...
... possuem, em média, a mesma duração de uma introdução de uma música de Progressivo.

Quando um rockeiro pergunta a outro rockeiro quais bandas ele ouve...
... só as bandas clássica são lembradas. O cérebro rockeiro só lembra das bandas menos famosas minutos depois.

Perto de ir pra Valhalla, o rockeiro tem três opções:
1. Dar sua coleção de discos a um herdeiro de confiança
2. Vender toda sua coleção de discos a um sebo
3. Ser enterrado junto com sua coleção de discos

domingo, 27 de setembro de 2015

Sunday songs [07]: Toques de celular

Baixe agora os melhores toques polifônicos para o seu celular digitando ROCK e enviando para 46928--ops, quer dizer... Hail! Você está procurando uma nova música para colocar de toque no seu celular? Provavelmente não, mas mesmo assim, este autor preparou essa playlist com músicas perfeitas para o seu aparelho! Mas atenção: não use essas músicas sempre, senão você vai acabar odiando elas.

E o primeiro toque de celular, digo, música, é praticamente uma música, digo, um toque de celular!


sábado, 26 de setembro de 2015

Indicação: Heavy Metal: A História Completa

Hoje a indicação é um livro perfeito pra iniciantes no Heavy Metal que querem saber sua história, desde seu longínquo início na formação do Black Sabbath até o Nu Metal, contando com uma linha do tempo precisa do surgimento de seus subgêneros e com destaque no contexto histórico das cenas, também escolhendo bandas pra protagonizar cada uma. O livro é como uma história narrativa com personagens principais, mas sem deixar de dar a devida importância pros secundários... ou não.

A obra foi escrita por Ian Christe, um jornalista suíço que reuniu todo seu conhecimento pra fazer uma história QUASE completa e reunindo QUASE todos os subgêneros importantes do Metal, com falta de detalhes em certos subgêneros (como o Progressivo e Sinfônico que nem chegam a ser citados) e excesso de detalhes pra bandas específicas, principalmente o Metallica que ganhou uma babação de ovo tremenda do autor. Mas fora isso, o livro tem entrevistas com rockstars, fotos inéditas de bandas e informações desconhecidas ou não tão populares acerca dos artistas, suas origens e muito mais. Tem uma leitura fácil e é recomendado pra quem quer iniciar no estilo em boa forma.

Autor: Ian Christe
Editora: Arx
Número de páginas: 480
Formato: 23 x 16 cm

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Dobradinha: Blind Guardian e Scorpions

Finalmente uma dobradinha sobre lançamentos do ano! E mais ainda: dois dos lançamentos mais esperados do ano! Porque não poderia ser diferente. As bandas novas podem aparecer e fazer discos incríveis e possíveis clássicos futuros, mas por enquanto, as bandas tradicionais ainda mantém a sua majestade. Basta anunciarem que lançaram disco novo, que todo mundo entra em polvorosa.

E caso você não tenha reparado, as dobradinhas sempre traz bandas que combinam entre si. A primeira dobradinha trouxe duas bandas de Metal Sinfônico. A segunda trouxe mulheres no Metal. A terceira trouxe Hard Rock moderno. Então, por que Scorpions e Blind Guardian estão juntos nessa edição? É por que elas são clássicas? É porque elas são clássicas e lançaram CDs esse ano? Nada disso. O que ambas lançaram discos medianos.

Tudo bem, tudo bem, antes de você apedrejar este autor, pelo menos leia as resenhas e leia seus argumentos. É comum a gente gostar de ler o que já combina com nossa opinião pré-formada, mas não faz mal ler opiniões diferentes. Ou melhor, faz mal pra quem é muito orgulhoso de si mesmo...

De qualquer forma...


Scorpions - Return To Forever

Ano: 2015
Estilo: Hard Rock
Gravadora: Sony Music Germany, New Door/UME (US)
Sobre a banda: Precisa mesmo falar sobre ela?? Tá bom, é aquela banda que te apedreja como um furacão, que traz ventos de mudança, que gosta das noites da cidade grande, que fala de zoológicos e que ainda está amando você. Agora pra atualizar a sua situação: a banda anunciou que ia terminar suas atividades em 2010, após o lançamento do disco "Sting In The Tail". Mas aí eles retornaram em 2011 com o disco "Comeblack", que consiste em regravações das próprias músicas e alguns covers. E agora temos o seu primeiro álbum de inéditas depois do término e retorno mais rápido da história da música (mentira, esse posto pertence ao Zezé Di Camargo & Luciano).
Sobre o CD: Ele não é de músicas totalmente inéditas. Na verdade a banda reaproveitou algumas ideias e músicas inacabadas nas décadas anteriores , inclusive muitas músicas que eram pra ser lançadas nos antigos álbuns, mas acabaram sendo deixadas de lado. Aí a banda deu uma polidinha, um arranjo aqui, uma gambiarra acolá, e voilà.
      Talvez seja por isso que este autor considera esse disco mediano: porque dá pra entender porque algumas ideias e canções foram deixadas de lado na época. Porque apesar de bem trabalhadas (e otimamente produzidas, dadas as técnicas de produção atuais), elas não empolgam e quase não se destacam, deixando a impressão de faltar alguma coisa que não conseguimos definir para fazer as músicas realmente marcantes.
      Não que isso seja uma constante, pois algumas músicas se destacam sim, e com louvor: "We Built This House", além de ser uma das únicas músicas inéditas de fato, descreve a "autobiografia" da banda de como ela foi feita tijolo por tijolo até dar forma a esta grande banda sólida que resiste ao tempo, resultando numa música muito bela. Já "Rock My Car" é clássica instantânea, não sei como não entrou nos álbuns anteriores. "The Scratch" mantém um clima de animação e descontração bem interessante. "Rock 'n' Roll Band" tem uma pegada oitentista e uma mensagem direta e marcante. E... depois tempos músicas que poderiam ser boas, MAAAAS tem um detalhe que estraga elas. Por exemplo: "Going Out With a Bang" poderia ser boa, SEEE não tivesse um refrão tão broxante. Quando a gente espera por um refrão bombástico, ele tem o ritmo todo quebrado! "Hard Rockin' The Place" poderia ser melhor SEEE variasse um pouquinho o instrumental. Parece que estão tocando no no piloto automático... "All For One" seria melhor SEEE tivesse uma pegada mais enérgica. E é essa impressão que as todas as outras músicas deixam, a de que "poderia ter uma coisinha a mais".
      Isso sem contar as baladas que dão AVC de tão paradonas e desanimadas, como "House of Cards" (você lembrou daquele seriado da Netflix que eu sei), "Who We Are", "Eye of The Storm" e "Gypsy Life". Ah, e também temos as músicas que nem parecem que foram feitas pelo Scorpions, que são "The World We Used To Know" e "Rollin' Home".
      Se desgarrando totalmente do fato de que o Scorpions é uma banda consagrada (o que pode fazer a gente ter pré-disposição pra julgar o disco muito bem), "Return To Forever" é um disco mediano que felizmente não traduz a banda em seu todo.
Faixas:
01. Going Out with a Bang
02. We Built This House
03. Rock My Car
04. House of Cards
05. All for One
06. Rock 'n' Roll Band
07. Catch Your Luck and Play
08. Rollin' Home
09. Hard Rockin' the Place
10. Eye of the Storm
11. The Scratch
12. Gypsy Life
Faixas bônus que você vai ouvir se baixar o disco na internet (o que você provavelmente fará):
13. The World We Used to Know
14. Dancing with the Moonlight
15. When the Truth Is a Lie
16. Who We Are
17. Delirious



Blind Guardian - Beyond The Mirror

Ano: 2015
Estilo: Power Metal
Gravadora: Nuclear Blast
Sobre a banda: Curtido entre absolutamente todos os fãs de Power Metal, o Blind Guardian guarda alguns clichês e convenções do gênero (letras fantasiosas, coros, orquestrações) e descarta outros (voz ultra melódica e limpinha, exagero nas orquestrações, investimento em mais peso e melodia equilibrada), se destacando inclusive das outras bandas mais consagradas do estilo. Pelo menos até agora.
Sobre o CD: Primeiramente, ele é conceitual. E isso já desagrada as pessoas que tem preconceito com "discos conceituais", por acharem que eles sempre são chatos, pretensiosos e superestimados pelos críticos. Nesse caso, esse álbum é uma continuação da história e conceito do disco mais bem-sucedido da carreira banda, o "Imaginations From The Other Side". Mas pra falar a verdade, isso e só um detalhe, porque você poderia ouvir o disco sem saber dessa preciosa informação (você poderia inclusive morrer sem saber disso), porque "Beyond The Red Mirror" não tem nenhuma relação com seu álbum "antecessor", tendo uma pegada bem diferente.
      Se apenas uma palavra pudesse resumir esse álbum, seria "pomposo". Ele é o registro do ápice da capacidade e talento que a banda adquiriu ao longo do anos para compor orquestrações, coros e sonoridades épicas em geral. Mas esses elementos épicos que, nos álbuns anteriores, são usados de maneira equilibrada, ou em segundo plano, ou potencializando o trabalho dos artistas, aqui acabam enfastiando, cansando e ofuscando ou diluindo o potencial dos próprios músicos. Várias vezes o vocal tem um coro de fundo, todo o peso da cozinha é abafado (coisa que mais prejudica as músicas), e o ritmo nem muito devagar, nem muito rápido, deixa as músicas entediantes. Todas as "sonoridades épicas" são tão usadas e repetidas que chegam à exaustão, chegando uma hora que você nem se empolga mais com o que está ouvindo.
      Essa sensação de saturação fica evidente nas nossas primeiras audições, onde quase desistimos de ouvir o disco novamente. Só depois de ouvi-lo mais vezes é que conseguimos nos acostumar e aceitá-lo, simpatizarmos com ele, apreciá-lo, entender seus detalhes e suas preciosidades.
      Agora falando mais especificamente sobre as canções. Como a maioria delas tem quase o mesmo ritmo constante e os mesmos timbres, acabam ficando redundantes e exaustivas. A sequência "Prophecies", "At the Edge of Time" e "Ashes of Eternity", junto com "The Throne" e "Sacred Mind", que formam o miolo do álbum, são exaustivas, pedantes e redundantes, tanto pelo seu ritmo, quanto pela sonoridade épica exagerada. Apesar de que "Prophecies é a melhorzinha, principalmente nas partes do "(...) the center of creation / The prophecy / It's a promise to us all / A crow, a storm / Shadows will be rising soon / A crow, a storm / The Nine sing". Já "Holy Grail" e "Twilight of The Gods" são as melhores canções, justamente por remeterem à pegada tradicional da banda (aliás, não tem como a banda errar falando de mitologia nórdica e templários). "Miracle Machine" é uma canção incomum nesse disco, e chega a nos lembrar da banda Queen. Além de ser diferente das demais, é boa e se sagra por não ter excessos. E "Grand Parade" consegue a façanha de ter mais de nove minutos e não ser tão chata - diferente da primeira música que, Frigga do céu, como demora pra acabar.
      Aliás, um detalhe bizarro deste álbum, é que a própria banda e seus críticos/fãs babões dizem que ele "retornou às raízes". Mas caramba, que raízes??
      Pois bem, "Beyond The Red Mirror" é bom, mas é pretensioso. Aqueles que curtem a sonoridade mais clássica do Blind Guardian, que investe em canções de tons e ritmos diferenciados e mantém seu peso característico, vão ter um desagrado com esse álbum.
Faixas:
01. The Ninth Wave
02. Twilight of the Gods
03. Prophecies
04. At the Edge of Time
05. Ashes of Eternity
06. The Holy Grail
07. The Throne
08. Sacred Mind
09. Miracle Machine
10. Grand Parade

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Indicações de bandas 3

Hail! Mais um vez, este autor traz pra você bandas brasileiras do cenário underground, com alguma ênfase nas bandas que ainda estão construindo sua carreira. Geralmente este autor traz exatamente oito bandas por artigo todo mês, mas como esse mês foi fraco de gente pedindo divulgação, o espaço fica todinho para as bandas Hazamat, Voxer e Antônio Rock. Confiram:

Artista: Antônio Rock
Origem: Palotina - PR
Integrantes: Adivinha!
Antônio Rock e sua banda de apoio chamada Outro Lado são paranaenses especializados no Rock clássico, com influências de Blues e Folk e perfeito pra se ouvir na estrada, ou como "trilha sonora de fundo" pra passar o tempo. Algumas músicas dão até um certo tom de nostalgia pelo Rock brasileiro tocado nas décadas anteriores (anteriores à 80). A partir de novembro desse ano, a banda (ou o artista, que seja) lançará o álbum "Profecias e Delírios", mas enquanto isso, algumas músicas já foram liberadas no seu canal do YouTube e no seu site oficial.



Contatos:
Telefone: (44) 9735-5852
Site
Facebook
YouTube
***

Banda: Voxer
Origem: Alegre - ES
Integrantes: Danyel Sueth
Nascida em: 2015
Essa é uma indicação dupla. Voxer é um projeto paralelo do produtor e vocalista Danyel Sueth, que já atua desde 2001 na banda Estado de Sítio (que já lançou o disco "Aparências"), que se caracteriza por tocar Rock mais clássico. Mas como podemos ver pelo seu disco intitulado "Caos", o Voxer tem afinações e levadas mais intensas e mas graves, além de ser sólido e preciso na sua tensão e peso, como também diversificado nas suas músicas e melodias. Apesar de ter produzido e gravado todos os instrumentos sozinho, Danyel pretende chamar uns músicos convidados pra fazer shows ao vivo (aprende aí, Varg Vikernes). Enquanto isso, o disco "Caos" pode ser encomendado por e-mail ou baixado gratuitamente no seu site oficial. E também ouvido ai embaixo.


Contatos:
E-mail
Site
YouTube
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Banda: Hazamat
Origem: João Pessoa - PB
Integrantes: Diogo Egypto (voz e baixo), João Araújo (guitarra e voz), Peehfe Araújo (bateria), Pedro Guimarães (guitarra e voz)
Nascida em: 2009
Tecnicamente, o Hazamat está na ativa desde 2003, sob o nome de "Molestrike" (deve ser uma mistura de "moleque" com a banda "Strike"), mas a banda amadureceu desde então e hoje apresenta um som mais consistente e profissional. A sonoridade da banda é difícil de definir, e talvez o Rock Alternativo seja o rótulo que melhor resuma a banda em geral, que integra ao seu som influências regionais, de MPB e de outros estilos. E por meio do disco intitulado "II", que está disponível nos eu SoundCloud, a banda mostra sua canções bem-compostas e trabalhadas com cuidado e dedicação, resultando em músicas com todos os seus elementos arranjados e encaixados, sem tirar nem pôr. Abaixo você confere a música que este autor mais gostou desse álbum, que define a personalidade da banda tanto na parte instrumental quanto lírica.


Contatos:
Telefones: (83) 99943-0201 / (83) 99904-5515
(83) 99824-8012 / (61) 9881-0940
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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

(+18) Vamos falar... daquilo?

Sim, daquilo. Daquilo que até hoje é um tabu. Daquilo que até hoje as pessoas tem receio, não gostam muito de abordar, nem de falar em público. Muito menos de dar opinião sobre isso pra desconhecidos, ou pior ainda, mostrar um bom conhecimento do assunto a estranhos.

Aquilo que muitos tem vergonha de falar. Aquilo que muitos condenam. Aquilo que muitos preferem esconder, fingir que não existe.

Mas alguém tem que romper esse silêncio. Alguém precisa se arriscar. Alguém precisa soltar o verbo.

E se esse alguém tiver que ser este autor que vos fala, que seja.

E é por isso que este autor te convida a participar desse assunto.

Mas por favor, encare com a seriedade que ele merece.

Vamos falar sobre...

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Dissecando letras: Fly

Bem amigos da Bíblia do Rock! Falamos aqui diretamente do mundo herege pra transmitir mais uma banda sensacional! Hoje são os meninos do Fly, uma boy band brasileira que este autor nunca ouviu falar (e olha que ele já ouviu falar no P9, mas esse troço aí... não), mas que veio à tona nesses últimos dias por ter gerado uma grande polêmica. E o que aconteceu, exatamente? Por acaso esses garotos mostraram o malévolo dedo do meio pros paparazzi? Não! Um deles fez um racha embriagado? Não! Dormiu com uma prostituta? Tão pouco! Esses garotos só deram sua opinião numa revista feminina.

Mas primeiro, vamos nos inteirar nesse trio. O Fly surgiu em 2013, e pelo jeito, só as leitoras das revistas de moda-atitude-mundo pop-coisas de garota de 14 anos ficaram sabendo da "novidade". Tanto que nem a Wikipedia conhece essas criaturas.

Clique nas imagens pra ampliar (e aqui pra acessar essas páginas printadas) 

Mas esses meninos super-poderosos tem tudo que uma boy band tem: um visú super descolado, um cabelo maneiríssimo, pouca idade, e rostos limpos de cravos e espinhas, o que já é suficiente pras meninas espinhentas os idolatrarem. Ou melhor, as meninas que já conhecem eles há um tempo, porque você, e este autor, só os conhecem por conta daquelas opiniões que o trio deu pra revista Atrevida:

Pelo jeito, os meninos não aprovam o próprio coleguinha da banda! Acham ele um "louco artificial".
E o "louco artificial" ainda aproveitou a chance pra cagar regra e falar que é melhor depilar. Primeiro, será que ele segue o próprio conselho? Segundo, será que ele tem consciência da dimensão da sua frescura? Terceiro, ele não vai falar nada sobre a face não-depilada do seu coleguinha de banda? Iiiih, essa questão aí foi uma troca de farpas, hein!

Enquanto os homens de verdade se importam mesmo é em desbravar a gruta, esses frescos estão se preocupando com boné.
COM BONÉ!
BONÉ!!!!!!!
E o pior é que isso acaba fazendo as suas fãs "princesas de aba reta" se lamentarem, chorarem, cortarem os pulsos, tirarem fotos do seus pulsos cortados, e publicarem as fotos no tumblr e no facebook! Ou seja, Fly está ajudando, indiretamente, o lixo a ser aumentado nas redes sociais!

"Todos riem", todos os fresquinhos "de opinião e gostos próprios" que ficam arrumando desculpinha pra não desbravar. E esse garoto de cabelo descolorido, que prefere cabelo loiro a "cabelo ruim", é o mais fresco de todos. Todo racista é um afrescalhado.
Aliás, desbravar parece não ser uma meta do guri de branco. Pelas fotos, ele demonstra certa prática no ritual milenar da felação.

Ué, mas foto de biquini não é se portar como uma menina???
Aaah, acho que Paulo segue os ensinamentos de Irmã Sofia, e sabe que mulher vestida com roupa de homem é uma armadilha de Satanás!
E isso não se resume a roupas não, meninas! Vocês não podem falar palavrão, jogar futebol, transar, sentar de perna aberta, porque essas coisas (e outras) são coisas de homem! Agora larguem essa internet, vão tricotar e lavar a louça, se esforcem para serem mulheres prendadas que vão sustentar seus futuros maridos! Ora bolas, você tem que cumprir seu papel de mulher!!!

Mas o que esperar de uma boy band, né? Opiniões boas? Opiniões legaizinhas? Opiniões... ruins? Opiniões imbecis? Não! Pior! Opiniões do mesmo nível das suas músicas! E são elas que nós vamos conferir agora: