quarta-feira, 1 de julho de 2015

Estereótipos: Biografias do Metal


Bem-vindos à segunda parte do artigo que relata biografias de bandas que não existem, mas que servem pra mostrar como todas as biografias são padronizadas. A primeira edição recebeu um surpreendente feedback, obteve muitas visualizações pra um texto grande que quase não tem humor. Pelo jeito muita gente ficou interessada em ler biografias de bandas fictícias (que imitam as verdadeiras), então tomara que esta edição seja um "sucesso" também! Vamos lá:


Iron Eagle
O Iron Eagle nasceu em Manchester em 1971 com o nome de Skyward Buzzard, tendo a sonoridade semelhante ao do Deep Purple e Led Zeppelin. A banda era odiada pelos críticos por ter uma sonoridade muito "suja" e por suas experimentações inovadoras para a época não agradarem os seus ouvidos frescos que não entendiam como a banda estava a frente do seu tempo. Entretanto, os fãs eram fieis e leais ao quarteto, que conseguia a admiração de vários jovens e rebeldes.

Tudo ia bem, quatro discos lançados (com o último sendo considerado o melhor de sua carreira) até que o líder, vocalista e baixista Ian Miller teve uma briga de egos com os guitarristas Brad Grey e George Coulson, que discutiam os direitos autorais das músicas. A banda permaneceu num clima instável durante sua última turnê e isso culminou na saída de Ian da banda, dando a desculpa de que queria se dedicar a projetos mais interessantes, pois segundo ele, o Skyward Buzzard estava se tornando pop demais com o passar do tempo. O restante da banda queria voltar à ativa, mas teve que se reinventar.

Em 1979, ela voltou com o nome de Iron Eagle, com os novos integrantes Robert Hayes e o vocalista Zack Tyger, que havia ganhado fama na sua antiga banda, a novata Dwarv. Em 1980 o Iron Eagle lançou seu primeiro disco homônimo, tendo como sucessos as músicas "Killer Kings", "Glory Rider" e "Crashing The Wall", se tornando um dos discos mais aclamados da dita Nova Onda do Metal Britânico. Depois desse retorno triunfal, o Iron Eagle teve uma carreira bem-sucedida e sólida até a morte de Brad Grey por câncer. Depois tudo ficou instável, com Zack fazendo carreira solo e tendo um substituto que não estava à sua altura, e também a mudança da banda em apostar em influências diferentes da NWOBHM, entre outras coisas.


Morgöth
Era uma vez três amigos de escola viciados em RPG tradicional que compartilhavam o gosto pela fantasia, a dor pela falta de mulheres e principalmente o gosto pela música pesadona pra descarregar as tristezas. Seus sonhos eram de ser rockstars pra vida melhorar, mas foram além disso e formaram uma banda de Metal muito pauleira, bem pesadão mesmo, tocando com toda fúria que podiam. E foi numa tarde de outubro de 1990 de Oslo na Noruega que nasceu Morgöth, o power trio matador formado pelo vocalista e baixista Viahggra, o guitarrista Demon Strassäo e o baterista Brahma, que escolheu o nome deste deus hindu para se opor ao cristianismo.

No início, o Morgöth traçou objetivos principais. O primeiro era ser tão underground quanto possível, por isso o trio só contou que havia formado uma banda pras três pessoas mais próximas, que eram seus colegas de escola - com quem nem falavam muito. O segundo objetivo era fazer um som atmosférico denso e pesado com riffs aterrorizantes e arrepiantes, por isso eles fizeram seu primeiro EP em 1992 intitulado "Demo" preenchendo todos os requisitos: com o peso da gravação ruim, a densidade do chiado, e os riffs aterrorizantes e arrepiantes dos integrantes que tocavam mal pra caralho. E o seu terceiro objetivo era passar a imagem de perigosos lobos sombrios da noite prontos pra matar, por isso só vestiam couro, acessórios pontudos de metal e pintavam o rosto com corpse paint, inspirados em King Diamond e usados como se fosse maquiagem de guerra. E eles ficaram assustadores com tudo isso? Não muito. Esse foi o único objetivo que não foi cumprido com 100% de eficácia.

Em 1993 a banda lançou mais demos, a "Demo II" e a "Demo III". A partir daí, se empenhou em lançar discos de verdade, o primeiro em 1994 intitulado "Forbidden Rituals Into The Dark Night Blessed By Satan", com destaque para as faixas "Opening The Immortal Gates of Burning Hell", "Mr. Crowley The Knowledge Holder and the Wrath Child of Beloved Lucifer The Fallen Angel" e "Possessed Red-Eyed Wolves Circling Around The Cursed Forest Waiting To Eat The Condemned Souls", as melhores faixas segundo os fãs da banda.

O problema é que, depois que a banda descobriu que tinha fãs, e que havia alguém comprando e ouvindo seus discos, encerrou as atividades ainda em 1994. E este foi o fim do Morgöth, que queria ser como o Clube da Luta e se manter underground para sempre.


Thorsyköllo
Foi em 1997 nas Ilhas Püddym, um arquipélago do Atlântico Norte, que nasceu esta banda que une com maestria o Metal e os gêneros folclóricos de sua terra, que tem origens nórdicas. Esta união entre os gêneros musicais foi fácil, a única dificuldade que a banda enfrentou mesmo, foi aprender inglês para poder compor suas músicas e conquistar popularidade. Sem contar com as tentativas de fazer seus entrevistadores e jornalistas entenderem seus nomes. A formação atual do Thorsyköllo conta com Rowan Katträkah, Valtteri Prasödya, Ville Kengäskhan, Kahjui Kasttänja e Fenno Phtäleyna, que tocam instrumentos típicos do Metal e outros instrumentos bizarros como gaita de fole, balalaica e tambor do shaman.

A banda foi tida como revelação pela mídia especializada com seu disco de 2000 "We Fight Togheter", que também recebeu nota 9 na maioria das resenhas, abrindo espaço pra banda morar na Europa e fazer turnê por lá. Seus temas eram sempre sobre batalhas, festas folclóricas e baladas, essas coisas épicas que faziam os habitantes do século XXI se sentirem como guerreiros com elmos cônicos sacrificando animais para Odin. Outro destaque é o vocalista Ville Kengäskhan que é um colírio pros olhos das fãs femininas, que ficam tão loucas por ele que jogam calcinhas pra ele nos seus shows, como se ele fosse o Wando.

Depois do disco de 2003 "Brave Sailors", também sucesso de público e crítica, a banda começou a se soltar mais e fazer discos na sua própria língua nativa, e por sorte não perdeu fãs. Em 2005 lançou "Verrmin Solëntii" e em 2008 "Karakkaramba Kharakaraoh", que além de terem letras totalmente incompreensíveis, também tem mais complexidade sonora e virtuosidade em suas composições, fazendo a banda ser mais elogiada do que já é. Mas pergunte se algum fã quer ouvir as músicas destes CDs novos nos shows? Querem nada, querem só as músicas dos primeiros álbuns que vão direto ao ponto e fazem o público fazer moshs enlouquecidos. Atualmente a banda está com as atividades paradas por conta do acidente de carro que Rowan sofreu em 2010 no meio da sua turnê, tendo que ser substituído as pressas por artistas provisórios como Vuddueh Prajakku e Vhakka Jayro. E ainda correm boatos de que Vhakka será integrante fixo. Vish...


Sepultament
Nascido em 1985 em Belo Horizonte e influenciado por Celtic Frost, Venom e Hellhammer, o Sepultament foi formado por Mário Casagrande, Thiago Castilho e os irmãos Danilo e Leandro Ventura, com o objetivo de serem o mais pesados e brutais possíveis, superando a velocidade e podreira do Thrash Metal. De início a banda conseguiu se sustentar por meio de EPs e demos, "Malevolent Exterminator", "Limbo", "Swamp Demon" e "Lucifer's Chalice". Cada integrante tinha um nome "assombroso" também: Headcrusher, Skullbreaker, Snake e Viper, mas decidiram abandonar os pseudônimos pra parecerem mais profissionais dali pra frente, além do senso de ridículo ter batido a porta deles.

Seu primeiro álbum foi "Arise From Darkness", que recebeu muitos elogios da imprensa especializada por sua agilidade e agressividade tão rara de se ver, com destaque para o baterista Thiago que era um monstro do abismo sombrio mortificante com seu pedal duplo, além dos vocais viscerais furiosos e blasfemos de Leandro serem um colírio para os ouvidos. Com tantos elogios, o Sepultament foi destaque na mídia gringa (já que a brasileira era tão ingênua que achava que ROCK era Kid Abelha) e foi fazer shows por lá pra ganhar seu merecido respeito. E ele ganhou fãs na velocidade dos seus riffs, sendo muito comparado a outras bandas underground de qualidade da época como Enthrallment, ImpalementDismemberment, Abolishment, Cadaverment, ExcrementSement, Megament, Inkonstitücyonalicimament, etc. Então o Sepultament aproveitou a fama pra assinar um contrato com uma gravadora alemã e viver disso: brutalidade, fatalidade, animalidade, e amizade.

Com outros discos consagrados, "Condemned", "Morbid Visions", "The Mortal Plague" e "Blood Oath", em 98 a banda já se considerava mais madura e queria buscar novos horizontes, começando a fazer experimentações. Em 1999 foi lançado "Walking On Black", um disco conceitual sobre a fragilidade da vida humana e com ritmo mais cadenciado e lento, com riffs e solos mais agudos e técnicos. Os fãs acharam essa mudança uma grande porcaria, uma mancha na carreira, uma catástrofe, uma tragédia arrebatadora, e os críticos acharam um bom amadurecimento, mas esperando que tais mudanças só influenciassem a banda positivamente. Não se importando com ninguém, Sepultament lança outro álbum fora do padrão em 2003, o "Death of Spirit", trazendo mais peso nas suas letras críticas e conscientes do que na sua sonoridade. Os fãs choraram muito mais uma vez, e já tinham tomado a banda como uma decepção ambulante que não merceia mais ser ouvida. E os críticos foram negativos dessa vez, tecendo severas opiniões sobre a carreira do Sepultament, o que fez a banda abrir os ouvidos. Danilo disse que seria bom voltar às antigas e tocar o que eles tocam de melhor, mas o resto da banda ficou tão empenhado e deslumbrado com sua "nova proposta" que discordou veementemente. Isso fez Danilo sair da banda e formar uma nova, a Ventura, lançando o disco "The Great Punishment" e fazendo os antigos fãs do Sepultament irem ao delírio.

E depois de um terceiro disco conceitual fracasso de público e crítica, o Sepultament resolveu continuar com sua veia "madura e crescida", mas agora focando sua sonoridade na habilidade de cada integrante, fazendo o rotulado Technical Death Metal. Isso foi mostrado em 2012 com o disco "Roots of Mankind", que alegrou os fãs antigos e moderados por ser a melhor coisa que aconteceu à banda em muito tempo, e os fãs extremistas continuaram a xingá-la, desmerecê-la, subestimá-la... e ouvi-la escondido.


Mellankolya
Nascido em 1996 em Lahti, na Finlândia, o quarteto Savage Penumbra era uma banda que unia sinfonias clássicas com Heavy Metal, resultando numa mistura épica e até então pouco explorada. Por isso seu estilo era difícil de rotular, mas era algo como Gothic Dark Doom Classic Symphonic Metal. Seu primeiro disco foi "Perceptions" de 1997, mostrando suas inovações com a voz versátil do vocalista que variava entre o grave e melódico ao rasgado e parecido com gutural, acompanhado do teclado majestoso e das guitarras épicas que costuravam belas e intrincadas melodias. Em 1998 o tecladista Isaac Jansen saiu da banda para se dedicar a carreira solo, formando a nova banda Mirrors, fazendo o Savage Penumbra perder seu artista mais habilidoso. Pronta pra se reerguer, a banda contratou o novo tecladista Jeroen van Weesenbeek e a vocalista de canto lírico Anne Landes, a mulher que definiria o estilo da banda como "Metal Bela e a Fera", contrastando sua voz lírica com os vocais agressivos de Heikki Wijga, tornando a banda mais rica em criatividade. Com esta reformulação, a banda mudou de nome para Mellankolya.

No começo de 1999, o mundo viu a qualidade da banda renovada e emponderada em seu novo disco "Leaden Lullaby", considerado um clássico instantâneo pela crítica e pelos fãs trevosos com vazio na alma e questões existenciais obscuras, que acharam a banda perfeita para traduzir seus sentimentos de acordar às seis da manhã no frio do inverno pra trabalhar, caminhando pela paisagem densa e cinzenta e acompanhado pelo som do silêncio mortificante. Sim, o Mellankolya era perfeito pra embalar esses momentos, graças à sua atmosfera e sonoridade profundas. E foi nesse tempo em que o guitarrista Mark Terrana saiu da banda, sendo rapidamente substituído por Jarkko Kretschmar.

Sendo um fenômeno mundial, a pressão colocada na banda foi imensa, difícil pros integrantes suportarem algumas vezes. Com isso, durante as gravações do álbum de 2001 "Restless Spirit", o baixista Seppo Zoer pediu demissão, mas indicou o amigo iniciante Tomi van der Broek pra ficar em seu lugar. "Restless Spirit" foi outro álbum que impressionou pela criatividade e competência, evidenciando mais as habilidades vocais de Anne que alcançava notas altas e segurava as notas melódicas por um bom tempo. Em 2002, o guitarrista Timo Veland foi convidado a integrar a banda Mistiness, também de Metal Sinfônico, sendo substituído por Andre Driessen, ex-integrante do Beyond Tomorrow.

Em 2004 a banda lança "Winds of Doom", um disco que se destaca pela profundidade e maior cadenciamento da musicalidade, dando mais destaque para a voz lírica de Anne e sua consequente demissão. Acontece que a vocalista queria cada vez mais destaque nas músicas, mais do que já tinha sendo porta-voz da banda. Cansado do ego gigantesco de Anne, o baterista Elias Portimo pede demissão e avisa que se não colocarem rédea curta nela, a banda vai ser monopolizada por ela e se chamar "Anne Landes", como se fosse uma carreira solo própria pra vocalista. Heikki não levava isso a sério até compor o seu EP "Lost Love", que tinha uma música com um dueto entre ele e Anne, onde ela pedia (exigia) mais destaque e assim acabar com o dueto. Sentindo na pele a sua vontade de aparecer e não cooperar em conjunto, Heikki a demite da banda, com uma imensa dor ao fazer isso por perder sua porta-voz justamente no auge do Mellankolya.

Em 2005, o grupo decide fazer um concurso para escolher a nova vocalista, e a atenção da mídia especializada fez o maior auê em cima deste evento. Os fãs apostavam suas fichas nas cantoras Tiina Pedersen, vocalista do Original Sin e em Hannah Marsen do Wane. Mas foi Sonia Härkin da desconhecida banda Golden Lotus que foi escolhida, uma mulher que não tinha uma capacidade vocal tão desenvolvida quanto Anne e outras as cantoras favoritas, o que decepcionou os fãs. Mas foi em 2006 no disco "Angel's Agony" que decepcionou os fãs de vez, pois o Mellankolya tinha mudado sua proposta sonora para algo que não era o Metal Sinfônico sombrio e melancólico, tava mais pra Power Metal. Não era mais aquele som que traduzia o sentimento de vazio e agonia ao assistir a televisão numa tarde de domingo, era algo mais enérgico, como se estivesse jogando tênis e a arquibancada estivesse cheia, e a única coisa sombria no ambiente fosse o céu nublado! O que seria da melancolia agora, que ela é euforia? Os fãs fieis não largaram a banda, mas o resto se desligou totalmente dela, ouvindo apenas os clássicos.

Depois em 2009, é lançado "Midnight Sun", álbum onde o que falta em vocais líricos absurdamente impecáveis como os de Anne, sobra em orquestrações e complexidade, sendo uma obra-prima sinfônica que conseguiu calar a boca dos haters. Mas mesmo com este novo auge, as críticas à banda continuaram por parte de seus ex-fãs e fãs enrustidos. Seu estopim foi quando Sonia poupou a voz num dos últimos shows de sua turnê, pois sua voz estava um pouco afetada por causa de um resfriado. O público não gostou de sua performance e encheu sua fanpage da internet com comentários maldosos e críticas. Sonia se sentiu muito mal e não aguentou mais trabalhar num lugar onde não era valorizada, redigindo uma carta aberta de demissão da banda por não suportar a rejeição causada só por causa do saudosismo pela Anne. A banda ficou estarrecida com esse acontecimento e decidiu encerrar as atividades até superar o acontecido. Pelo menos o entra e sai de integrantes acabou!


Thunderöuz
Foi em 1982 em Los Angeles que três colegas de Ensino Médio, Wayne Davis, Randy Scott e Shawn Murphy formaram a banda de Thrash Cereal Killer, uma típica banda de colégio que se apresentava nos saraus e festivais locais. Com uns meses de vida, os garotos chamaram nos vocais e guitarra Mark Carroll e Jeff Hartmann para dar um gás ao grupo, e os amigos próximos logo viram que a banda não devia ser só um hobby, devia ser levada a sério, por isso a encorajaram a gravar uma demo independente intitulada "Horrorizer" e tentar seguir carreira. Depois, esses mesmos amigos não compraram as cópias de suas demos nem foram aos seus shows, ficaram apenas dando "apoio moral".

Com o novo nome de Stormbringers, os thrashers de colete jeans que agora eram a decepção dos pobres pais que investiram num futuro estável e chato para os filhos, tiveram que ver eles fazendo shows em circuitos underground e ganhando uma miséria, mas pelo menos eles tinham um bom número de músicas próprias (que duravam 3 minutos), além de covers de Venom, Black Sabbath e Iron Maiden. E foi num desses festivais underground que um produtor desocupado viu o Stormbringers e decidiu investir nos novatos, dando-lhes a chance de abrir shows pra várias bandas mais famosas como The Claw, Angry Fury e Murderer. Um tempo depois, a banda descobriu que tinha outro grupo usando o nome "Stormbringers", sendo obrigados a se rebatizar, de preferência escolhendo um nome melhor, só de vingança. E escolheram Thunderöuz, um nome bem exagerado pra mostrar força, e junto com ele lançaram um álbum homônimo com músicas que se tornaram clássicos instantâneos pelos fãs instantâneos que tiveram.

O Thunderöuz ficou conhecido por compor canções que se alternavam entre temas mortíferos e alcoolicos, em letras falando de bebida e festas de pinguço. Isso passou a ser um problema real para o guitarrista solo Jeff que sempre chegava bêbado nos ensaios e não trabalhava direito. Esse problema se tornou uma constante por meses, até que, dispostos a resolver isso, a banda armou uma pra expulsar o guitarrista do grupo. O plano aconteceu durante um show, no momento em que Jeff faria seu solo na última música da noite. Nesse momento, o vocalista mandou todo mundo parar de tocar, que ele ia fazer um comunicado: "Jeff was a pain in the butt till this moment, cuz we're gonna fire him now. Enter, Tommy!". De repente entrou o novo guitarrista da banda, Tommy Ludwig, tocando o solo que Jeff ia fazer enquanto o resto da banda o retirava do palco. Este, que não acreditava no que estava acontecendo, foi levado pra fora do local em estado de choque, e quando se recompôs, decidiu se vingar da humilhação que sofrera, mantendo o contrato com sua atual gravadora e formando outra banda, que tinha por objetivo ser melhor que o Thunderöuz. E assim nasceu o Infernal Blizzard.

Essa expulsão e formação de uma nova banda foi um assunto recorrente por anos em entrevistas e notícias sobre o Thunderöuz, que por sua vez só queria se concentrar em lançar mais discos, mas velozes e pesados. Já o Infernal Blizzard inovava com riffs não tradicionais para o Thrash Metal, trazendo uma variada no estilo e fãs fieis rapidamente, formando assim uma competição entre bandas e fãs. Os anos passaram e o trovão buscou novas influências e amadureceu seu som pouco a pouco, querendo competir em versatilidade com o Infernal Blizzard; e a nevasca infernal por sua vez, calcou sua sonoridade em mais peso, agilidade e solidez, conseguindo um pouco mais de vantagem nessa disputa. Em 2001, "Sinking In Abyss" foi o ápice da versatilidade técnica da banda e da sua perda de popularidade, o que fez o Thunderöuz repensar sua fórmula, dando um tempo na carreira. Neste ano eles voltaram com o álbum "Hourglass", que você pode ver a resenha aqui.


Glaurung
Foi em Frankfurt em 1993 que o baixista Andreas Bohnke formou a banda de Power Metal Glaurung, que de início era apenas um projeto paralelo para realizar as ideias que sua banda de origem Regency não incluía nas suas músicas finais. Pois enquanto o Regency tinha uma temática voltada para guerras medievais e cavaleiros templários, Andreas queria colocar temas mais fantasiosos, falar de reinos, magia, dragões e outras "coisas de criança". O que parecia um projeto furado se tornou grandioso, começando pela contratação de mais quatro artistas virtuosos e criativos: o tecladista Herman Schwarzmann, o baterista Alex Stauch, o guitarrista Oliver Ehmke e o vocalista Tobias Kusch. Depois veio a ideia de Andreas: compor músicas que contariam uma história linear sobre uma era medieval repleta de fantasia e guerras. "Tipo Tolkien?", perguntou Herman. "É, por aí", confirmou Andreas.

O projeto era ambicioso e tinha muitas chances de dar errado, mas eles encararam de frente e em 1994, lançaram o álbum de 10 faixas "The Fifth Element", narrando a história de quatro reinos que entraram em guerra por quererem se apossar do quinto elemento da natureza. A banda rapidamente ganhou centenas de fãs por ser tão ousada e original. A sonoridade tinha algumas deficiências sonoras por não ser tão épica quanto deveria ser, mas era eficiente até aquele momento. Depois o segundo álbum de 1996 "God of Thunder" mostrou uma musicalidade evoluída por saber aproveitar o potencial máximo de cada artista, e continuou a sua história épica de como o reino de Morghull conseguiu o Quinto Elemento, que era o Raio, fazendo do seu rei o Lord of Thunder e subjugando todos os outros reinos. Esse álbum foi o que abriu as portas para o Glaurung obter fama mundial.

Enquanto isso, o Regency ficou com ciúmes do sucesso do "projeto paralelo" e demitiu Andreas da banda, já que ele tinha carreira própria. E decidiu também seguir a tendência do Glaurung de contar histórias lineares, desenvolvendo sua temática de guerras medievais ao extremo, mas sem dedicar discos inteiros para contá-las. E o Glaurung ficava cada vez mais épico ao tomar influências da música clássica, introduzindo coros e grandes orquestrações. Tudo isso foi mostrado no terceiro disco de 1999 "War of Thrones" onde os três reinos restantes lutaram contra Lord of Thunder, mas sem vitória.

Em 2003 foi lançado "The Rise and Fall of Glaurung", o disco mais elogiado e complexo em história e sonoridade, que se tornou uma referência pra toda banda futura de Melodic Epic Medieval Fucking Power Metal. O disco conta que o reino de Clawdyo descobriu nas florestas inexploradas de Throvador um velho sábio chamado Glaurung, que ensinou que o Quinto Elemento era apenas a união de dois elementos já existentes, Ar e Fogo. Seu conhecimento sobre magia era gigantesco, por isso o reino de Clawdyo abrigou-o em seu reino, pois viu nele a esperança para destruir Morghull. Porém, Lord of Thunder descobriu a existência do velho sábio, e mandou seus exércitos atacarem Clawdyo e capturar Glaurung, fazendo-o revelar tudo que sabia. Clawdyo sucumbiu ao ataque poderoso, mas Glaurung foi salvo e levado ao reino de Salometh, que tinha forças defensivas bem fracas por causa das guerras constantes. Prevendo sua morte iminente, o velho sábio escreveu o Livro de Mudora, onde registrou todo seu conhecimento sobre os elementos do poder, e o enviou para Bluhmenäu, o último reino da resistência. Morghull destruiu facilmente Salometh e conseguiu capturar Glaurung, que num heroico sacrifício, invocou um desconhecido poder luminoso, conseguindo neutralizar as forças de Lord of Thunder e dar tempo para Astaer, a última herdeira do trono de Bluhmenäu, traduzir seu Livro. Com isso ela descobriu a existência do Sexto Elemento, o Gelo, que era união dos elementos Terra e Água. Astaer assim jurou encontrar uma forma de obter este poder e se tornar a Ice Queen, para finalmente vencer o reino maldito de Morghull.

Não precisa falar que os fãs ouviam tais músicas inúmeras vezes de tão épicas. Só que o destino não queria que essa história continuasse, e mandou que um caminhão atropelasse Andreas Bohnke num acidente. Essa tragédia foi comentada mundialmente, vários artistas e bandas ficaram de luto e prestaram suas homenagens ao falecido, e o futuro do Glaurung estava completamente obscurecido. Até que em 2006 a banda decide retornar com o novo baixista Dirk Burchardt e continuar o legado que Andreas deixou, mesmo sem seu autor original. Em 2007 o álbum "Holy Quest" ganhou enorme destaque e, pra variar, críticos dizendo como ele poderia ser melhor. Isso porque a história das músicas tomou uma forma diferente, sendo contada por um bardo chamado Songohan, que cantava as memórias das eras passadas a partir da busca de Astaer pelo Sexto Elemento em terras distantes, enquanto tentava traduzir o Livro de Mudora. Com isso houveram divergências entre os integrantes quanto ao planejamento da história, o que culminou na separação da banda. Ou melhor, uma quase separação: Oliver e Herman formaram a nova Glaurung's Legacy (quanta criatividade), junto com novos integrantes e com Alex Stauch, que integra a Glaurung e Glaurung's Legacy ao mesmo tempo. Louco, não?

Esta segunda banda lança "Masters of Power" em 2009, mantendo a sonoridade épica e poderosa e contando que Astaer se apodera do Sexto Elemento e se torna a Ice Queen, lutando contra Lord of Thunder e batalhando num eterno impasse, onde nenhum dos dois lados tem força suficiente para superar o outro. Enquanto isso, a banda original lança "Wasted Destiny" em 2010 e promete lançar seu novo "Twilight Domain" este ano, justamente no mesmo ano em que sua banda "irmã" lança "Dawn of a New Day"! O confronto entre os dois lados será resolvido tanto nas histórias quanto na vida real!

***

E este foi o fim das biografias inventadas que imitam a vida real. As bandas sempre tem troca-troca de integrantes (na maioria das vezes de integrantes que não fazem falta), tem comportamentos padronizados, acontecimentos iguais e até o país de origem das bandas de determinado subgênero é o mesmo! Por isso este autor não gosta de biografias, é como ver uma novela da Globo: a história é a mesma, só mudam os atores. Mas você leitor pode se sentir livre pra discordar totalmente deste autor e comprar a biografia de quem quiser. Adeusmetal.

1 orações:

Anônimo disse...

Eu tive que parar o texto para comentar, CARALHO, eu ri muito, sério, poucas vezes eu comento mas está muito bom :D EHUUEHUEHUEHEUH tem minha profunda aprovação.

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