terça-feira, 30 de junho de 2015

Mondo Obsceno


NAQUELES DIAS, um rockeiro caminhava pela rua.

Ele ouvia Velhas Virgens, Mötley Crüe e Steel Panther.

Ele passou por um orelhão que tinha propagandas de prostitutas sem tarja nenhuma. Bastava querer usar o telefone público para dar de cara com aquela vitrine de seios falsos e nádegas gigantescas.

Ao seu lado também tinha um poste com anúncios pequenos de prostitutas, dessa vez em preto e branco.

Ele também passou por uma banca de jornal que tinha revistas masculinas penduradas do lado de fora, no alto da banca. Penthouse, Playboy, Sexy, Status, Trip, Maxim, GQ, VIP e revistas femininas como Boa Forma, Corpo a Corpo, Elle, Nova, Manequim, Tpm.

No bar que passou, tinha um pôster de uma mulher de biquíni editada com photoshop e segurando uma cerveja qualquer. E na TV de led pendurada no alto do estabelecimento, um programa exibia uma matéria sobre modelos femininas mirins.

Nesse momento, uma mulher acabara de sair de uma academia próxima e passou em frente ao bar. Ela estava de suplex, mas também uma jaqueta jeans. Um homem dentro do bar exclamou algo pra mulher, uma cantada que a fez ficar com cara estressada e apressar o passo.

No outdoor, uma propaganda com uma paniquete anunciava uma rede de moteis.

As Lojas Americanas exibiam uma boneca parecida com a Barbie. Mais uma entre tantas outras. Eram exibidas também fantasias de super-herois, onde as fantasias femininas sempre eram compostas por saias e a parte de cima com decote. E várias fantasias eram meros biquínis, com um pouco mais de pano.

O rockeiro chegou ao ponto de ônibus. O ponto era uma "cabine" que tinha um banco de ferro para sentar, um teto e uma "parede" onde eram anunciados filmes ou teatros em cartazes. Naquele caso, o cartaz era de um filme de ação, um homem com roupa militar e uma arma pesada nas mãos e uma mulher de top com duas pistolas fazendo uma pose exagerada.

O ônibus chegou. O rockeiro foi se sentar no fundão, e atrás dele havia um anúncio colado na janela do coletivo. Era um anúncio de filtro solar com uma mulher de biquíni e um corpo reluzente e contorcido num fundo falso de praia. E no outdoor do outro lado da rua, um anúncio de sabonete com outra fêmea, semi-nua desta vez. O comercial televisivo correspondente a esta propaganda mostrava uma mulher tomando banho, coberta apenas por espuma.

O tempo passou, e três amigos escandalosos entrarem no ônibus. Um deles colocou uma música alta no ônibus. A qualidade do áudio era ruim, mas podia se ouvir uma voz desafinada cantando "my pussy é o poder".

A fúria headbanger explodiu como um vulcão... silencioso. Sua reação imediata foi pensar: "Essas coisas deviam ser proibidas, só tem putaria e desrespeito a mulher!"

E assim o rockeiro continuou a viagem com ressentimento no coração, não percebendo que tudo a sua volta poderia ser considerado obsceno, ou desrespeitoso e degradante pras mulheres, visto que a imagem dela era explorada, objetificada e sexualizada de várias formas, em várias situações. Inclusive em seu próprio estilo musical.

P: Palavra do Senhor.

T: Graças a Deus Metal.

14 orações:

Anônimo disse...

Profeta manja das revistas masculinas. hehuehueuheuh

Dhanylo disse...

Belo texto

Anônimo disse...

Desde sempre existe essa exploração
da imagem da mulher, essa puta hipocrisia, um garoto reclama que uma funkeira é vulgar por pura modinha mas ele adora, não sendo exatamente uma funkeira, mas estando semi nua, nua, ou qualquer coisa do tipo, existe seres humanos atras desse estereotipo, e é oque importa.

Amanda disse...

Verdade, é foda isso. Ainda se as pessoas soubessem aproveitar as coisas na medida, mas sempre exageram e no que acaba? Coisas como essa, do texto.
http://antigosdiarios.blogspot.com/

Amanda disse...

Pera... mondo obsceno? O.o
http://antigosdiarios.blogspot.com.br/

Renan Lima disse...

"Mondo Obsceno" foi um título escolhido pra fazer referência (bastante indireta) ao álbum dos Ramones chamado "Mondo Bizarro".

Anônimo disse...

O q são o T e o P q vc coloca no fim?

Renan Lima disse...

O uso do NAQUELES DIAS e P: T: é pra imitar os folhetos das missas de igrejas católicas.
Numa hora da missa, o padre conta uma história bíblica iniciada por NAQUELES DIAS... e termina com P: (Padre) e T: (Todos).

brunu tekashiro disse...

gostei véi XD, apesar de ser cômico é algo que presenciamos no dia-a-dia e nos faz identificar e refletir com esse tipo de fato e ver como é a hipocrizia na sociedade!!!

Anônimo disse...

Hoje em dia tudo se encontra banalizada, e infelizmente, estamos sujeitos a presenciar situações deploráveis e apelativas como essas, onde o corpo feminino é usado apenas como um negócio (bem sucedido, a propósito). E o que isso gera? Gera o preconceito, o machismo, no qual a mulher é vista somente como um ser que possui peitos e bunda, e é desprovida de inteligência.

Thamy Melo disse...

Dá-lhe patriarcado ;)

Larissa Araujo disse...

Hehe bem isso, lembro da época na qual eu saía e pensava assim enquanto ouvia músicas do tipo Lick It Up rs

AprendizBre disse...

Bem como disse a Amanda, pq os humanos tem que exagerar? Mas isso tudo ocorre por.. bem, por um milhão de motivos que não vou citar, senão escrevo um texto gigante (estou atrasada para minhas atividades). O mais engraçado é que as músicas que o moço ouvia tratavam de tais temas. Coincidência? Eu acho que não...

Anônimo disse...

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