sexta-feira, 19 de junho de 2015

Criticando críticos

Críticos são pessoas que ganham a vida fazendo porra nenhuma análises sobre determinado assunto, com o objetivo de ser um "guia" pras pessoas que não tiveram contato com o dito cujo, e que querem ter uma ideia de como ele é, se ele agrada, se é ruim, coisas assim. Pode-se dizer que críticos são os chamados "formadores de opinião", pois eles colocam sua opinião pro público, e este a trata como base pras suas próprias opiniões. É aí que os mais espertinhos entram em cena e sugerem que você não deve se deixar influenciar pelos outros e que por isso, não deve confiar nas palavras de qualquer crítico.

Mas, pra responder esse tipo de crítica aos críticos, os próprios críticos se defendem dizendo que só estão prestando um serviço às pessoas, para que elas tenham pelo menos um pouquinho de noção do que estão prestes a consumir. E falam também que a opinião deles não é absoluta, pois seria prepotência máxima achar que a opinião deles é a mais correta, adequada, verdadeira e perfeita que a de todo mundo. Aí os críticos dos críticos (confuso isso, não?) ficam na deles, baixam a bola e calam a boca, porque suas tentativas de desmoralizar os críticos falharam.

Ou melhor, os críticos mais conscientes do seu trabalho e que não se levam tão a sério, certamente farão isso que o parágrafo anterior descreve. Porque o que tem de crítico chato, mala, ranzinza e que se acha o entendedor de tudo, é demais. Eles acabam estragando a imagem de todos os críticos, fazendo o povão pensar que eles nunca tiveram felicidade na vida, que nunca fizeram sexo e que nunca comeram paçoca. Mas a verdade é que existem vários tipos de críticos, uns são mais sensatos, outros só querem destruir mesmo, outros não tem uma opinião consistente, outros gostam de absolutamente tudo, etc.

E no Rock o cenário já piora, porque o público rockeiro é um dos mais exigentes da Música. E seus críticos? Mais ainda! Então é bem comum ver críticas descendo a lenha numa banda clássica só porque ela mudou de integrante, mas sem mudar em nada sua sonoridade; ou então ver críticas elogiando pra caramba uma banda só porque ela mudou de integrante, mas sem mudar sua sonoridade (!). Ou seja, as críticas do Rock vão ao nível extremo, seja pra elogiar ou pra destruir. E como este autor que vos fala é crítico, tem autocrítica e não tinha nada melhor pra fazer, categorizou todos os comportamentos que os críticos de Rock tem, como você vê abaixo.

Níveis de humor
É esse humor que define uma crítica mais positiva, mas ácida ou mais amena, e é o fator que define praticamente toda a forma que a crítica argumenta e apresenta seu ponto de vista. Existem três tipos de humor:

Humor "de boa": Ele atua no crítico que... tá de boa! É esse humor que faz o crítico conseguir se aproximar mais da imparcialidade, pois não deixa os sentimentos interferirem na sua analise. Ele vai elogiar quando a coisa é digna de elogios, e vai falar mal quando a coisa merecer ser mal-falada. Alguns até exageram nesse humor "de boa" e fazem a crítica parecer indiferente e sem vontade. Pois é, até a coisa mais correta pode ter seu lado negativo.

Humor arco-íris: Esse tipo de humor deixa o crítico serelepe e saltitante ao falar do assunto, fazendo ele falar bem, florear a crítica de elogios, saudações e parágrafos que só querem dizer "como esse coiso é bom, sô!". Por causa disso tudo, o público sempre acha que ele é fãnzaço do assunto e que por isso não quis falar mal dele. Ou, no mínimo, acha que o crítico está exagerando.

Humor limão: Já esse humor torna qualquer crítico azedo, fazendo ele ser azedo em todas as suas críticas e análises, sendo sempre sarcástico maldoso ou depreciativo e com um ar de lorde inglês fresco. O crítico com humor limão também é hábil no sarcasmo e figuras de linguagem, mas usa todos os seus dons para o mal. Até quando tenta elogiar o tema, o crítico dá um tom blasé e passando a ideia de que "não é tão digno de elogios assim, eu que sou muito misericordioso".

Exemplo de crítico com humor limão (e com cara de quem chupa limão também).


Personalidades
Agora vamos falar de algo mais intrínseco à persona dos críticos (sem deixar de ser ligada aos tipos de humor), definindo seu jeito de ser e como eles se comportam:

Crítico monossilábico
É aquele que é bastante "direto ao assunto", que fala só um pouquinho dos detalhes do tema, qual sua recepção por parte das pessoas, a conclusão. E só. Quem procura por análises mais detalhadas e embasadas acaba ficando frustrada quando vê uma crítica que se resume nisso: "Esse é o novo disco do Slash, um guitarrista famoso e prestigiado, ele foi muito bem nesse disco que tem as faixas X, Y, Z e W como destaque, e é legal".

Crítico rebuscado
Este exemplar de profissional tem como função analisar e registrar suas impressões sobre as obras artísticas, é aquele indivíduo que se destaca por investir incessantemente pelo enriquecimento do seu vernáculo para o exercício da sua profissão e produção de suas avaliações, se utilizando de frases longas, enrolação e palavras difíceis. Em resumo, é aquele crítico que é filho da puta de propósito!

Crítico fã
Esse é o típico crítico com humor arco-íris. Ele não esconde que é fã da banda, e por isso vai sempre elogiar, falar bem, distorcer as coisas ruins e apresentar como boas, e concluir sua análise com ideias como "mais uma vez, não decepcionou", "mantém sua tradição de agradar o público", "não cansa de nos entregar obras imperdíveis", "Ainda tem muito fôlego / uma vida longa pela frente", etc. É sempre uma coisa grandiosa e estupenda. Aí, quando o assunto (disco, show, banda e tal) é ruim, amigo... falta só esse crítico colocar um "DECEPÇÃO" bem grande no texto, porque toda sua análise irradia sofrimento e agonia.

Crítico anti-fã
É raro encontrar um tipo desse assumido, mas você com certeza sabe quem ele é: é aquele tipinho que já diz no início do texto que "esse assunto nunca fez o meu gênero, nunca me agradou, nunca me inspirou interesse", e depois dessa declaração, começa uma resenha terrível, onde esse pilantra aponta todos os defeitos que o assunto tem, implica com alguns pontos que nem são realmente defeituosos, e critica até as coisas boas que o assunto tem. E quando tenta elogiar alguma coisa, é sempre com as seguintes mensagens nas entrelinhas: "é... legalzinho. Não é tudo iiiiiisso, mas..." e "não fez mais do que sua obrigação".

Crítico sensato
Diferente de todos os outros listados até agora, esse é o crítico que mais cumpre bem sua função, e infelizmente, é raro. Esse crítico sabe não se levar a sério, e por isso analisa o que tem que ser analisado e pronto, sem ser pretensioso ou esnobe, que não deixa sua profissão lhe subir a cabeça. Por causa dessa atitude, é o crítico que mais agrada o público (obviamente) e o que mais os "representa".

Crítico celebridade
Percebeu que todos os críticos até agora vieram em pares, com um sendo o oposto extremo do outro? Monossilábico e Rebuscado, Fã e Anti-fã... Então é de se esperar que o Crítico Celebridade seja o oposto do Crítico Sensato? Sim!!! Este é o tipinho que representa bem aquela frase de Abraham Lincoln: "Se você quer ver se um cara é filho da puta, dê-lhe poder". Quer dizer, a frase não é beeem essa, mas é mais ou menos assim. Nesse caso, o crítico ganha fama e se corrompe, seu sucesso e profissão lhe sobem a cabeça e acha mesmo que tem a opinião absoluta. Às vezes ele nem é uma celebridade mesmo, mas isso não o impede de se achar famoso e importante. Ou melhor, importantíssimo. Não é raro que um programa imbecil da TV aberta o convide pra ser jurado de alguma competição ou concurso idiota, e é nesse momento que o crítico se sente realizado e satisfeito, pois tem toda oportunidade pra destilar o seu veneno. A própria mídia ressalta as características escrotas que esse crítico tem, sempre usando as palavras "ácido", "controverso", "polêmico" e de "língua afiada".

Exemplo de Crítico Celebridade.

Existe uma tendência deste site de não gostar do Régis Tadeu? Não, imagina, é só impressão.


5 dicas para ser um bom crítico
E se você quiser "fazer melhor" que os críticos que estão por aí, é bom que você tenha alguns objetivos e diretrizes pra fazer análises, pra que elas agradem todo mundo e pra que você seja o Crítico Sensato.

Ah, essas dicas foram desenvolvidas por este autor que vos fala. Se ele as segue?

Bom... ele tenta!

Enfim...

Tenha bom humor
Isso é essencial. Precisamos de bom humor pra fazer tudo, se quisermos ser bem-sucedidos no que fazemos. Se fazemos algo (especialmente uma crítica) já estressado, perturbado ou com raiva de coisas que aconteceram no dia, do trânsito, do vizinho ou da soma do quadrado dos catetos que não deu igual ao quadrado da hipotenusa, esse algo vai ficar ruim. Então é bom reservar um tempo tranquilo e sossegado para fazer a resenha.

Defina a que público você está dirigindo a crítica
Você provavelmente já passou por essa situação: seus amigos te recomendaram algumas abdnas que eles gostam pra caramba, acham muuuuito fodas, pauleiras mesmo, mas aí quando você foi ouvir, aquilo não fez o seu estilo, não te agradou. É pra isso que essa dica serve, para proclamar que o assunto que você vaia bordar na resenha não vai agradar a todos, mas sim, às pessoas que já são inteiradas naquele assunto, especificamente. Essa dica serve para você saber definir a quem você estará atingindo, definir quem é o seu público-alvo, pensando sempre se esse assunto vai agradar esse público-alvo ou não, se traz novidades ao assunto ou não, e então, secundariamente, dizer se agrada inclusive pessoas que não são inteiradas nesse assunto... ou não.

Dirija sua crítica apenas ao assunto em si, desconsiderando o seu histórico
Essa é uma dica super importante, porque muitas pessoas acabam deixando a crítica mais emotiva e parcial quando consideram a história do assunto. Por exemplo, se vamos resenhar o último show de uma banda que já tem uma longa carreira de instabilidade, podemos correr o risco de não dar o devido valar se o show for bom, vamos passar a ideia de que "não fez mais que sua obrigação" ou de que "não é lá essas coisas, mas já é um avanço". Ou, se vamos resenhar uma banda que resolveu mudar sua proposta musical, podemos desprezar essa mudança e não dar o devido valor à obra, se esta for boa. Enfim, nossas noções pré-concebidas das coisas podem acabar estragando uma obra que deve ser analisada por ela mesma, sem contar o seu passado negro - ou glorioso.

Embase suas opiniões
Porque não basta só dizer que tá bom ou que tá ruim e só destacar os pontos altos e baixos do assunto. Tem que explicar porque é bom e porque é ruim. Então explique porque o coiso é atraente, porque aquela produção ficou boa, como aquela atmosfera agradou, porque a banda acertou ao investir naquelas experimentações, porque... enfim, é isso. Pense sempre no porquê, explicando porque os detalhes e elementos contribuíram pra qualidade (ou destruíram a qualidade) da obra que você está resenhando.

Seja objetivo, especialmente na conclusão
Pode encher o texto de elogios, de xingamentos, mas tudo tem que ter sua razão para estar ali, sem enrolação. Escreva apenas o que o público quer ler, evitando coisas aleatórias que não acrescentam em nada na resenha.

E este autor deu ênfase na conclusão porque ela costuma ser a parte mais chata da resenha, já que ela tem o dever de resumir todas as ideias abordadas. E como muitas vezes o escritor já está cansado e quer terminar o trabalho de uma vez, a conclusão acaba não sendo tão bem escrita, bem desenvolvida ou inspirada quanto a resenha no geral, ficando enrolada, imprecisa, confusa e não-objetiva. Uma boa dica pra resolver esse problema é tratar a conclusão como uma parte reservada para considerações finais, com comentários breves e apenas algumas palavras dizendo se o assunto é recomendado, se vale a pena, ou não. Só isso já é suficiente para uma boa conclusão, isso mantém a objetividade do início ao fim.

Estas foram só 5 dicas que este autor achou importante ressaltar, mas é claro que existem outras que podem ser dadas, como: ter um conhecimento prévio e mais ou menos profundo do assunto, dominar a língua portuguesa, escrever de forma a fazer a pessoa se interessar no assunto, etc. Essas dicas já são mais básicas, essenciais pra escrever qualquer redação. O que este autor quis fazer com as 5 dicas foi focar na mensagem que você quer passar com sua crítica.

***
E esta é a parte em que este autor tem que concluir o artigo e não sabe como, e por isso vai recorrer às antigas técnicas de redação e resgatar a ideia inicial deste texto para dar a conclusão. Críticos e críticas são necessárias ao mundo, apesar de haver gente chata que não valoriza essa profissão por conta da existência de críticos chatos que definitivamente não tem talento nem carisma pra expressar suas ideias de forma agradável. Por isso é bom não perder as esperanças e procurar críticos que valham a pena ser ouvidos... ou não ligar pra nenhuma crítica e consumir tudo de surpresa. Geralmente, este autor segue a segunda opção.

Este artigo termina com uma resposta que o AC/DC deu aos críticos chatos que desprezavam o Rock por ser uma "poluição sonora". Adeusmetal.

2 orações:

Anônimo disse...

Régis Tadeu é um babaca.

Jonathan Pires disse...

Faltou o Marcelo Moreira que é igualmente babaca. Tem aquele site fedido chamado "Combate Rock" (plagiando o The Clash) onde ele só publica asneiras atrás de asneiras. Insuportável.

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