segunda-feira, 29 de junho de 2015

Crescimento do PIB

Vamos recapitular os fatos. Em 6 de novembro de 2011, aconteceu o festival Metal Brasil no Carioca Clube, em São Paulo (sim, é carioca, mas é em São Paulo). Organizado pelo produtor e vocalista da banda Shaman, Thiago Bianchi, o objetivo do festival foi levantar a moral do cenário Metal brasileiro, estabelecer o dia do Metal nacional e alertar os headbangers de todo o país para apoiarem mais as bandas nacionais. Antes, Thiago já havia escrito uma carta aberta dirigida a todos os headbanger do país com esta mesma mensagem, reclamando da falta de apoio que as bandas brasileiras recebem por parte dos próprios conterrâneos. Esta carta aberta gerou discussões e opiniões divididas.

O Festival contou com as bandas Hangar, Illustria, Wizards, Forward, Hibria, Almah e Shaman, mas teve um público muito abaixo do esperado e desejado. Decepcionado, o vocalista do Almah, Edu Falaschi, deu uma entrevista ao portal Rock Express cheio de lamentações e agressões. O vídeo dessa entrevista foi apagado da internet, mas temos uma cópia bem ruinzinha dele aqui. Assim como Thiago, Edu também foi motivo de discussões, opiniões divididas, e por conta da sua fala mais exaltada, também recebeu críticas e rejeição. As más línguas logo associaram a raiva de Edu na entrevista à sua frustração por ele não ser tão prestigiado pelos fãs de Metal, assim como associaram o descontentamento de Thiago ao fato de que sua banda não é tão famosa e elogiada quanto no tempo em que Andre Matos era seu vocalista.

Más impressões à parte, vamos analisar a fundo as ideias de Edu. Elas basicamente se resumem em dizer que o público brasileiro não apoia o Metal brasileiro, que ele prefere gastar dinheiro em shows gringos caríssimos e não gastar barato em shows nacionais, que não adianta apenas dar "apoio moral" e sim consumir o que ela produz (ir aos seus show,s comprar seus CDs, DVDs, singles, etc) e que brasileiro é chupa rola de gringo (frase que se tornou uma das maiores frases de efeito dentro do Metal nacional). Todas essas opiniões tem um fundo de verdade, já que realmente existem brasileiros com complexo de vira-lata que não apoiam nada made in brasil, mas Edu foi criticado porque sua visão ficou muito estreita à  sua visão de artista, não considerando a visão que nós, público, temos. E nós temos boas razões pra não apoiar a cena do Metal brasileiro como os artistas gostariam (e como nós mesmos gostaríamos):


3 motivos para o público não apoiar o Metal nacional
Falta de divulgação
Como os velhos dizem, a propaganda é a alma do negócio. E as bandas que nós sabemos e conhecemos acabam sendo gringas, na maioria das vezes. Tomemos como exemplo, as próprias bandas que tocaram no festival Metal Brasil. Três delas (Hangar, Almah e Shaman) nós só conhecemos porque são indiretamente ligadas ao Angra, que é mundialmente famoso. Já as outras bandas (Illustria, Wizards, Forward e Hibria), só quem está realmente por dentro da cena Metal brasileira, que conhece. O Hibria é até uma exceção nesse caso, pois ele é famoso entre os headbangers (assim como Shadowside, Violator, Korzus, Tuatha de Danann, Torture Squad, etc), mas o resto, nem a gente conhece. Inclusive, achamos que o Wizards é uma banda gringa!

Várias coisas contribuem pra essa falta de conhecimento que temos sobre as bandas nacionais. Primeiro de tudo, é a mídia mainstream que só quer mostrar coisas descartáveis e recicláveis ed Pop Rock como Malta. Enquanto isso, a mídia especializada também só dá destaque às bandas mais famosas e/ou estrangeiras, reservando pouco espaço para o que vem daqui mesmo. Até os veículos de comunicação (rádio, website, etc) que se dedicam a mostrar mais as bandas nacionais são pouco conhecidos, por não terem tanto apoio, não terem dinheiro pra investir numa melhor divulgação e melhor estrutura, etc. E uma das principais razões pra esse problema é que o público não tem lá muito boa vontade pra correr atrás das bandas nacionais por si mesmo, o público é preguiçoso e espera que seus veículos de comunicação divulguem essas bandas.

Por isso é preciso que todos se esforcem para a divulgação do Metal brazuca. O público precisa ter mais boa vontade, a mídia especializada precisa dar mais destaque pras bandas nacionais e as próprias bandas precisam investir mais em marketing.

Falta de estrutura
Este autor não vai falar que "o Brasil não tem estrutura" como todo vira-lata, porque quando ele quer fazer um mega show do Luan Santana pra um milhão de pessoas pra gravação de um DVD, ele pode fazer, e ele faz! E é aí que mora o problema: artistas populares tem toda estrutura do mundo, já as bandas de Rock/Metal... não. Começa pelas grandes gravadoras, que só investem em bandas de Rock se elas forem nível Malta (Pop Rock) ou nível Jota Quest (Pop descarado), pois já sabem que tem lucro garantido. Esse desprezo que as grandes gravadoras tem pelos seguidores de Deus Metal os fazem serem independentes, tendo uma vida instável caso sua carreira não seja consolidada, ou então se aliarem a gravadoras que já são focadas no mercado exterior, para fazer as bandas tocarem lá fora ao invés daqui dentro. Aí se nós moramos numa cidade pequena tipo Juazeiro de Pindamonhangaba do Lés-sudeste, onde não chega nem CD da banda pra gente comprar, nós não podemos MESMO consumir o que a banda produz. O jeito é "dar apoio moral" mesmo, baixar a discografia, curtir e divulgar nas redes sociais, falar pros amigos reais e virtuais, etc. Ou seja, nem quando queremos, podemos apoiar as bandas. Especialmente pelo terceiro motivo:

Falta de dinheiro
Essa é a melhor desculpa justificada que temos, pois podemos usá-la para não fazer nada que não quisermos! Porque não fazemos cursos técnicos profissionalizantes? Porque somos pobres. E se tem curso de graça? A passagem de ônibus tá muito cara. Mas e se for pertinho de casa? Aí a gente não tem tempo, porque precisamos trabalhar pra ficar menos pobres. Esse é o problema de tudo nesse sistema: nós podemos fazer tudo, desde que tenhamos dinheiro. Tempo também é importante, mas sempre podemos reservar um tempinho pra ir num show ou comprar um CD... mas se não temos dinheiro, ferrou.

É essa falta de dinheiro que faz as pessoas pensarem muito bem no que vão gastar. É por isso, por exemplo, que muitas pessoas preferem ir num show de uma banda clássica gringa do que num show nacional de uma banda que não é conhecida, pois a banda gringa estrangeira tem história, tem nome, tem carreira, é clássica, e provavelmente foi uma das bandas que ajudou a ser o rockeiro a ser... um rockeiro! Então, se for pra gastar dinheiro num show, a pessoa vai preferir economizar um dinheirão pra ir num Rock In Rio da vida, onde tem todas as mega bandas do mundo, do que não economizar um dinheirão e ir em shows de bandas pequenas.

E sobre CDs... é difícil ter gente comprando CDs hoje em dia, todos os artistas e músicos (não só os de Rock/Metal) sabem disso. Por isso a maioria disponibiliza suas músicas e obras na internet, enquanto os artistas pequenos disponibilizam suas obras de graça na internet.

Enfim, estes são ótimos motivos que todo mundo pode se identificar e que até os próprios músicos da cena concordam. Mas um fenômeno muito curioso aconteceu: mesmo discordando dos fundamentos das ideias de Edu, os fãs começaram a prestar mais atenção nas bandas de Rock e Metal brasileiras, começaram a procurar por portais, sites e demais veículos que mostrassem bandas nacionais e assim eles ficaram mais em evidência (inclusive os sites de download a.k.a. pirataria). Claro que não foi de um dia pra outro, foi um processo ao longo do tempo, mas hoje cada headbanger tem mais vontade de conhecer o que é nacional. Os que já tinham essa vontade, hoje tem mais ainda. Os que ainda não tinham, já tem.


Assim você ficou conhecendo aquela banda nova de Power Metal brazuca graças ao seu amigo, aquela banda Thrash que ganhou uma resenha de um álbum num site, e aquela banda com influências Folk foi muito elogiada e divulgada pela mídia especializada... enfim.

E outra coisa que ajudou nessa valorização do Metal nacional foi os memes! Sim, as imagens engraçadinhas virais da internet e das redes sociais usaram dessa ideia como base pra suas piadas. Mesmo estando na forma de piada, essa ideia acabou sendo repetida e reafirmada várias e várias vezes, convencendo o público de que a valorização do Metal nacional é uma pauta importante e necessária, tendo um efeito viral igual semelhante ao das campanhas virtuais que sempre rolam nas redes sociais - como aquela vez em que as pessoas colocaram as cores da bandeira gay nos seus avatares (fotos de perfil). Abaixo você confere alguns memes desse tipo:

Soulspell: Projeto brasileiro de Metal Opera. Avantasia: Metal Opera pra chupa-rola de gringos.

Brasileiros querendo que a pátria chupe o Metallica.

Kamelot? Pfff melhor Camelô, óbvio.

Valorizem o que é nacional, sejam um consultor ou uma consultora Jequiti.

Concluindo, mesmo que não concordemos totalmente com o desabafo exaltado de Edu Falaschi, concordamos com a ideia de reconhecimento maior do Metal nacional, e isto pode ser até encarado como responsabilidade obrigatória e moral para com o país! Se você só conhecer Matanza, Angra, Sepultura e... só, se você não tiver conhecimento das bandas antigas (Krisiun, Viper, Azul Limão, Harppia, Claustrofobia, etc) e nem das novas (Kattah, Holiness, Uganga, UnearthlyDynahead, Nervosa, Mork, Tierramystica, etc), você pode ser considerado um POSER QUE NÃO HONRA SUA CAMISA DE HEADBANGER NACIONAL!!!!!!!!1

Ou talvez seja tudo impressão deste autor. O que você acham, o Metal está realmente mais falado e divulgado, ou não?

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