terça-feira, 30 de junho de 2015

Mondo Obsceno


NAQUELES DIAS, um rockeiro caminhava pela rua.

Ele ouvia Velhas Virgens, Mötley Crüe e Steel Panther.

Ele passou por um orelhão que tinha propagandas de prostitutas sem tarja nenhuma. Bastava querer usar o telefone público para dar de cara com aquela vitrine de seios falsos e nádegas gigantescas.

Ao seu lado também tinha um poste com anúncios pequenos de prostitutas, dessa vez em preto e branco.

Ele também passou por uma banca de jornal que tinha revistas masculinas penduradas do lado de fora, no alto da banca. Penthouse, Playboy, Sexy, Status, Trip, Maxim, GQ, VIP e revistas femininas como Boa Forma, Corpo a Corpo, Elle, Nova, Manequim, Tpm.

No bar que passou, tinha um pôster de uma mulher de biquíni editada com photoshop e segurando uma cerveja qualquer. E na TV de led pendurada no alto do estabelecimento, um programa exibia uma matéria sobre modelos femininas mirins.

Nesse momento, uma mulher acabara de sair de uma academia próxima e passou em frente ao bar. Ela estava de suplex, mas também uma jaqueta jeans. Um homem dentro do bar exclamou algo pra mulher, uma cantada que a fez ficar com cara estressada e apressar o passo.

No outdoor, uma propaganda com uma paniquete anunciava uma rede de moteis.

As Lojas Americanas exibiam uma boneca parecida com a Barbie. Mais uma entre tantas outras. Eram exibidas também fantasias de super-herois, onde as fantasias femininas sempre eram compostas por saias e a parte de cima com decote. E várias fantasias eram meros biquínis, com um pouco mais de pano.

O rockeiro chegou ao ponto de ônibus. O ponto era uma "cabine" que tinha um banco de ferro para sentar, um teto e uma "parede" onde eram anunciados filmes ou teatros em cartazes. Naquele caso, o cartaz era de um filme de ação, um homem com roupa militar e uma arma pesada nas mãos e uma mulher de top com duas pistolas fazendo uma pose exagerada.

O ônibus chegou. O rockeiro foi se sentar no fundão, e atrás dele havia um anúncio colado na janela do coletivo. Era um anúncio de filtro solar com uma mulher de biquíni e um corpo reluzente e contorcido num fundo falso de praia. E no outdoor do outro lado da rua, um anúncio de sabonete com outra fêmea, semi-nua desta vez. O comercial televisivo correspondente a esta propaganda mostrava uma mulher tomando banho, coberta apenas por espuma.

O tempo passou, e três amigos escandalosos entrarem no ônibus. Um deles colocou uma música alta no ônibus. A qualidade do áudio era ruim, mas podia se ouvir uma voz desafinada cantando "my pussy é o poder".

A fúria headbanger explodiu como um vulcão... silencioso. Sua reação imediata foi pensar: "Essas coisas deviam ser proibidas, só tem putaria e desrespeito a mulher!"

E assim o rockeiro continuou a viagem com ressentimento no coração, não percebendo que tudo a sua volta poderia ser considerado obsceno, ou desrespeitoso e degradante pras mulheres, visto que a imagem dela era explorada, objetificada e sexualizada de várias formas, em várias situações. Inclusive em seu próprio estilo musical.

P: Palavra do Senhor.

T: Graças a Deus Metal.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Crescimento do PIB

Vamos recapitular os fatos. Em 6 de novembro de 2011, aconteceu o festival Metal Brasil no Carioca Clube, em São Paulo (sim, é carioca, mas é em São Paulo). Organizado pelo produtor e vocalista da banda Shaman, Thiago Bianchi, o objetivo do festival foi levantar a moral do cenário Metal brasileiro, estabelecer o dia do Metal nacional e alertar os headbangers de todo o país para apoiarem mais as bandas nacionais. Antes, Thiago já havia escrito uma carta aberta dirigida a todos os headbanger do país com esta mesma mensagem, reclamando da falta de apoio que as bandas brasileiras recebem por parte dos próprios conterrâneos. Esta carta aberta gerou discussões e opiniões divididas.

O Festival contou com as bandas Hangar, Illustria, Wizards, Forward, Hibria, Almah e Shaman, mas teve um público muito abaixo do esperado e desejado. Decepcionado, o vocalista do Almah, Edu Falaschi, deu uma entrevista ao portal Rock Express cheio de lamentações e agressões. O vídeo dessa entrevista foi apagado da internet, mas temos uma cópia bem ruinzinha dele aqui. Assim como Thiago, Edu também foi motivo de discussões, opiniões divididas, e por conta da sua fala mais exaltada, também recebeu críticas e rejeição. As más línguas logo associaram a raiva de Edu na entrevista à sua frustração por ele não ser tão prestigiado pelos fãs de Metal, assim como associaram o descontentamento de Thiago ao fato de que sua banda não é tão famosa e elogiada quanto no tempo em que Andre Matos era seu vocalista.

Más impressões à parte, vamos analisar a fundo as ideias de Edu. Elas basicamente se resumem em dizer que o público brasileiro não apoia o Metal brasileiro, que ele prefere gastar dinheiro em shows gringos caríssimos e não gastar barato em shows nacionais, que não adianta apenas dar "apoio moral" e sim consumir o que ela produz (ir aos seus show,s comprar seus CDs, DVDs, singles, etc) e que brasileiro é chupa rola de gringo (frase que se tornou uma das maiores frases de efeito dentro do Metal nacional). Todas essas opiniões tem um fundo de verdade, já que realmente existem brasileiros com complexo de vira-lata que não apoiam nada made in brasil, mas Edu foi criticado porque sua visão ficou muito estreita à  sua visão de artista, não considerando a visão que nós, público, temos. E nós temos boas razões pra não apoiar a cena do Metal brasileiro como os artistas gostariam (e como nós mesmos gostaríamos):


3 motivos para o público não apoiar o Metal nacional
Falta de divulgação
Como os velhos dizem, a propaganda é a alma do negócio. E as bandas que nós sabemos e conhecemos acabam sendo gringas, na maioria das vezes. Tomemos como exemplo, as próprias bandas que tocaram no festival Metal Brasil. Três delas (Hangar, Almah e Shaman) nós só conhecemos porque são indiretamente ligadas ao Angra, que é mundialmente famoso. Já as outras bandas (Illustria, Wizards, Forward e Hibria), só quem está realmente por dentro da cena Metal brasileira, que conhece. O Hibria é até uma exceção nesse caso, pois ele é famoso entre os headbangers (assim como Shadowside, Violator, Korzus, Tuatha de Danann, Torture Squad, etc), mas o resto, nem a gente conhece. Inclusive, achamos que o Wizards é uma banda gringa!

Várias coisas contribuem pra essa falta de conhecimento que temos sobre as bandas nacionais. Primeiro de tudo, é a mídia mainstream que só quer mostrar coisas descartáveis e recicláveis ed Pop Rock como Malta. Enquanto isso, a mídia especializada também só dá destaque às bandas mais famosas e/ou estrangeiras, reservando pouco espaço para o que vem daqui mesmo. Até os veículos de comunicação (rádio, website, etc) que se dedicam a mostrar mais as bandas nacionais são pouco conhecidos, por não terem tanto apoio, não terem dinheiro pra investir numa melhor divulgação e melhor estrutura, etc. E uma das principais razões pra esse problema é que o público não tem lá muito boa vontade pra correr atrás das bandas nacionais por si mesmo, o público é preguiçoso e espera que seus veículos de comunicação divulguem essas bandas.

Por isso é preciso que todos se esforcem para a divulgação do Metal brazuca. O público precisa ter mais boa vontade, a mídia especializada precisa dar mais destaque pras bandas nacionais e as próprias bandas precisam investir mais em marketing.

Falta de estrutura
Este autor não vai falar que "o Brasil não tem estrutura" como todo vira-lata, porque quando ele quer fazer um mega show do Luan Santana pra um milhão de pessoas pra gravação de um DVD, ele pode fazer, e ele faz! E é aí que mora o problema: artistas populares tem toda estrutura do mundo, já as bandas de Rock/Metal... não. Começa pelas grandes gravadoras, que só investem em bandas de Rock se elas forem nível Malta (Pop Rock) ou nível Jota Quest (Pop descarado), pois já sabem que tem lucro garantido. Esse desprezo que as grandes gravadoras tem pelos seguidores de Deus Metal os fazem serem independentes, tendo uma vida instável caso sua carreira não seja consolidada, ou então se aliarem a gravadoras que já são focadas no mercado exterior, para fazer as bandas tocarem lá fora ao invés daqui dentro. Aí se nós moramos numa cidade pequena tipo Juazeiro de Pindamonhangaba do Lés-sudeste, onde não chega nem CD da banda pra gente comprar, nós não podemos MESMO consumir o que a banda produz. O jeito é "dar apoio moral" mesmo, baixar a discografia, curtir e divulgar nas redes sociais, falar pros amigos reais e virtuais, etc. Ou seja, nem quando queremos, podemos apoiar as bandas. Especialmente pelo terceiro motivo:

Falta de dinheiro
Essa é a melhor desculpa justificada que temos, pois podemos usá-la para não fazer nada que não quisermos! Porque não fazemos cursos técnicos profissionalizantes? Porque somos pobres. E se tem curso de graça? A passagem de ônibus tá muito cara. Mas e se for pertinho de casa? Aí a gente não tem tempo, porque precisamos trabalhar pra ficar menos pobres. Esse é o problema de tudo nesse sistema: nós podemos fazer tudo, desde que tenhamos dinheiro. Tempo também é importante, mas sempre podemos reservar um tempinho pra ir num show ou comprar um CD... mas se não temos dinheiro, ferrou.

É essa falta de dinheiro que faz as pessoas pensarem muito bem no que vão gastar. É por isso, por exemplo, que muitas pessoas preferem ir num show de uma banda clássica gringa do que num show nacional de uma banda que não é conhecida, pois a banda gringa estrangeira tem história, tem nome, tem carreira, é clássica, e provavelmente foi uma das bandas que ajudou a ser o rockeiro a ser... um rockeiro! Então, se for pra gastar dinheiro num show, a pessoa vai preferir economizar um dinheirão pra ir num Rock In Rio da vida, onde tem todas as mega bandas do mundo, do que não economizar um dinheirão e ir em shows de bandas pequenas.

E sobre CDs... é difícil ter gente comprando CDs hoje em dia, todos os artistas e músicos (não só os de Rock/Metal) sabem disso. Por isso a maioria disponibiliza suas músicas e obras na internet, enquanto os artistas pequenos disponibilizam suas obras de graça na internet.

Enfim, estes são ótimos motivos que todo mundo pode se identificar e que até os próprios músicos da cena concordam. Mas um fenômeno muito curioso aconteceu: mesmo discordando dos fundamentos das ideias de Edu, os fãs começaram a prestar mais atenção nas bandas de Rock e Metal brasileiras, começaram a procurar por portais, sites e demais veículos que mostrassem bandas nacionais e assim eles ficaram mais em evidência (inclusive os sites de download a.k.a. pirataria). Claro que não foi de um dia pra outro, foi um processo ao longo do tempo, mas hoje cada headbanger tem mais vontade de conhecer o que é nacional. Os que já tinham essa vontade, hoje tem mais ainda. Os que ainda não tinham, já tem.


Assim você ficou conhecendo aquela banda nova de Power Metal brazuca graças ao seu amigo, aquela banda Thrash que ganhou uma resenha de um álbum num site, e aquela banda com influências Folk foi muito elogiada e divulgada pela mídia especializada... enfim.

E outra coisa que ajudou nessa valorização do Metal nacional foi os memes! Sim, as imagens engraçadinhas virais da internet e das redes sociais usaram dessa ideia como base pra suas piadas. Mesmo estando na forma de piada, essa ideia acabou sendo repetida e reafirmada várias e várias vezes, convencendo o público de que a valorização do Metal nacional é uma pauta importante e necessária, tendo um efeito viral igual semelhante ao das campanhas virtuais que sempre rolam nas redes sociais - como aquela vez em que as pessoas colocaram as cores da bandeira gay nos seus avatares (fotos de perfil). Abaixo você confere alguns memes desse tipo:

Soulspell: Projeto brasileiro de Metal Opera. Avantasia: Metal Opera pra chupa-rola de gringos.

Brasileiros querendo que a pátria chupe o Metallica.

Kamelot? Pfff melhor Camelô, óbvio.

Valorizem o que é nacional, sejam um consultor ou uma consultora Jequiti.

Concluindo, mesmo que não concordemos totalmente com o desabafo exaltado de Edu Falaschi, concordamos com a ideia de reconhecimento maior do Metal nacional, e isto pode ser até encarado como responsabilidade obrigatória e moral para com o país! Se você só conhecer Matanza, Angra, Sepultura e... só, se você não tiver conhecimento das bandas antigas (Krisiun, Viper, Azul Limão, Harppia, Claustrofobia, etc) e nem das novas (Kattah, Holiness, Uganga, UnearthlyDynahead, Nervosa, Mork, Tierramystica, etc), você pode ser considerado um POSER QUE NÃO HONRA SUA CAMISA DE HEADBANGER NACIONAL!!!!!!!!1

Ou talvez seja tudo impressão deste autor. O que você acham, o Metal está realmente mais falado e divulgado, ou não?

domingo, 28 de junho de 2015

Sunday songs [04]: Paz e tranquilidade

Este friozinho é um bom momento para este autor republicar uma playlist antiga com músicas calminhas, tranquilas, com um grande sentimento, pesar ou emoção. Mas essa playlist só funciona se você estiver no clima, senão, você ficará enjoado com a tranquilidade e acabará dormindo. Então aproveite esta seleção se você estiver enrolado no cobertor... e sentado em frente ao pc.

O primeiro vídeo é pra você que não acreditou no conselho e quer ouvir a playlist sem estar no clima de sentir... escutar... e deixar a canção tocar seu órgão que bombeia sangue para todo o corpo.


sábado, 27 de junho de 2015

Mulheres no Rock

Dizemos o tempo todo que mulheres conquistaram tanto espaço na sociedade quanto os homens. O seu passado ruim onde elas eram subjugadas pelos costumes tradicionalistas e conservadores ficou pra trás, pois agora elas podem votar, trabalhar e exercer outras atividades que confirmam sua independência e autossuficiência. Então, o caminho natural a partir disso, é que ninguém fique surpreso ao ver uma mulher fazendo fisiculturismo, ou sendo comandante de um batalhão do exército, ou sendo líderes de bandas de Metal Extremo, não é? Bem, a resposta pra todas essas perguntas, infelizmente, é NÃO.

Qual seria a possível resposta pra justificar o porque de mulheres não fazerem fisiculturismo? "Porque não é de seu costume", "Elas não foram feitas pra isso", "Isso combina mais com os homens", "Você não vê muitas mulheres fazendo isso hoje em dia, o que mostra que a mulher é desinteressada nisso", etc. Os mesmos argumentos podem ser usados pra justificar porque mulheres não servem o exército, porque não são integrantes de bandas de Metal Extremo... e os mesmíssimos argumentos eram usados pra justificar porque mulher não podia trabalhar. "Isso é coisa de homem, não é coisa de mulher. Cada um tem suas particularidades e funções". Ou seja, ainda hoje usamos os mesmos argumentos ultrapassados, ainda temos aquele "achismo", ainda achamos que existem funções ou atividades mais apropriadas para determinado sexo. Por isso ficamos surpresos ao ver uma mulher gerente de um banco, cientista ou lutadora profissional, pois até hoje, isso é incomum, tratado como novidade. O que prova como as mulheres ainda não estão totalmente equiparadas aos homens.

No Rock, a coisa é parecida. A história da mulher nesse estilo musical sempre foi acompanhada da premissa que "isso não é coisa de mulher". Quando Janis Joplin se apresentava com sua banda, todos esperavam que ela fizesse parte da banda de apoio, ao invés de ser a atração principal. Uma mulher seria suficientemente capacitada para tomar a frente de uma banda? Janis mostrou que sim. Não só ela, como também Grace Slick do Jefferson Airplane e Stevie Nicks do Fleetwood Mac mostraram que poderiam ser mulheres capacitadas e talentosas o bastante pra tomar a frente de uma banda de Rock.

Mas elas tiveram sorte em ser reconhecidas e consagradas em seu tempo, pois existiam várias outras bandas femininas na época que até hoje, ninguém nunca ouviu falar, como as Goldie and the Gingerbreads, The Livebirds, Stone The CrowsMarianne FaithfullJoan Baez, Joni MitchellSuzi Quatro - ex-integrante da banda de mulheres Pleasure Seekers que acabou investindo na carreira solo, e muitas outras. Aliás, você sabe quem é considerada a Mãe do Rock and Roll? Não, não é Janis Joplin, mas sim Sister Rosetta Tharpe, uma guitarrista negra de Blues, Jazz e Gospel, que foi influência para vários artistas como Jerry Lee Lewis, Elvis Presley, Johnny Cash, Little Richard, Muddy Waters, B.B. King, entre outros artistas que são tratados hoje como os legítimos "pais do Rock and Roll".

Sim, a pedra angular do Rock foi uma mulher negra. Por que será que ela não é lembrada, né? Só porque ela é preta.
A década de 70 já foi mais gentil para o reconhecimento das mulheres, mesmo que ainda houvesse obstáculos e preconceito. O detalhe é que, se anteriormente, as mulheres eram jogadas no ostracismo ou tinham seu talento menosprezado e questionado, nessa época, a simples presença delas na Música era tratada como "estratégia de marketing", pra banda ou pra gravadora conseguir atrair público, fama e dinheiro. Foi o que aconteceu com as The Runaways, Heart, Fanny. Nina Hagen, Patti Smith, Blondie, (onde a vocalista Debbie Harry se destaca mais do que a própria banda), The Go-Go'sPlasmatics - cuja vocalista investiu na carreira solo e passou a se chamar Wendy O. Williams -, Sonic Youth, Siouxsie Sioux, Bromley ContingentThe SlitsX-Ray SpexJayne County e suas várias bandas, Exene Cervenka e sua banda X...

Enfim, todas as bandas citadas até agora (e outras que este autor desconhece) contribuíram de alguma forma para o nascimento, crescimento e desenvolvimento do Rock, mesmo que não tenham sido reconhecidas como tal. E E mesmo que algumas mulheres sejam pioneiras, como Patti Smith que foi uma das pessoas que iniciaram o Movimento Punk, ou Wendy O. Williams que popularizou o corte de cabelo moicano no Punk, ou Jayne County que foi a primeira mulher transsexual do Rock, isso não foi suficiente para dar o devido reconhecimento às mulheres.

E os anos 80 foram ainda menos gentis com elas, pois o advento do Hard/Glam Rock acabou estigmatizando e perpetuando as mulheres como objetos sexuais, como pessoas sempre dispostas a agradar e satisfazer os desejos masculinos. Dessa forma, criou-se uma liberdade falsa às mulheres, uma liberdade que conferia a elas o direito de serem fãs de Rock, de tocarem em bandas, de fazerem o que quiser, de serem como quiser, DESDE QUE elas fossem gostosas e satisfizessem os desejos masculinos.

Por que você acha que a mulher gostosa é um dos símbolos do Rock?

Isso não impediu, é claro, que as mulheres mostrassem que não eram só objetos sexuais, e que tinham poder e autonomia suficientes para nãos erem tratadas como um fetiche ambulante. Algumas bandas desa época foram Bitch (sim, o nome da banda é esse), Phantom Blue, Madam X, Rock GoddessVixen (infelizmente chamada de "Bon Jovi feminino"), The Bangles, Leather Leone, Lee Aaron, The Great KatWarlock - que depois mudou de nome para Doro devido a problemas com a gravadora, evidenciando assim o nome da vocalista Doro Pesch, que é hoje, considerada a Rainha do Metal -, Jo Bench do Bolt Thrower, entre outras.

E durante a década de 90, as mulheres foram ganhando mais destaque no Metal, mais precisamente no Doom Metal e no Metal Sinfônico. Isso aconteceu porque uma nova tendência estava nascendo naqueles subgêneros, o chamado Metal Bela e a Fera, que consistia em trazer dois vocalistas para a banda: uma mulher fazendo voz lírica, e um homem fazendo voz grave, geralmente gutural. Bandas como Theatre of Tragedy, The 3rd and the Mortal e Tristania foram as precursoras desse estilo, que inconscientemente estigmatizaram e resgataram a imagem da mulher como uma criatura dócil, frágil, meiga, sensível, delicada, imaculada e de beleza estonteante. Hoje é uma tradição inconsciente as bandas de Metal Sinfônico terem uma mulher no vocal. É raro uma banda não seguir essa "norma".

Paralelamente a isso, ainda na década de 90, um movimento dentro do Punk foi criado por mulheres para se opor à associação das mulheres a esses padrões de gênero e conceitos de "mulher foi feita pra isso", "mulher combina mais com aquilo", "mulher tem que fazer tal coisa". E esse movimento se chamou Riot Grrrl. Um monte de bandas femininas ascendeu para dar voz às mulheres fartas de terem suas escolhas questionadas, ignoradas, desprezadas ou duvidadas por pessoas cheias de preconceitos. Preconceitos como o de que uma mulher no Rock/Metal traz mais sensibilidade e delicadeza a um estilo marcado pelo seu peso e acidez (Angela Gossow do Arch Enemy que o diga, né!); que ter mulheres em bandas de Rock e Metal é legal, mas que o som clássico e fiel do estilo é feito pelos homens mesmo; que as mulheres tem que ser, no mínimo, bonitas ou "apresentáveis" para figurarem em bandas (mesmo que esse requisito nunca seja cobrado a bandas masculinas); que mulheres não deviam estar em bandas de Rock e Metal, pois esse estilo é muito bruto pra criaturas tão frágeis e delicadas, etc. Algumas bandas do Riot Grrrl você com certeza já ouviu falar, pois sempre estão estampadas em listas de "bandas de Punk Rock femininas" por aí, e são Babes in Toyland, Bikini Kill, Hole, L7, 7 Year Bitch, Bratmobile, Lunachicks, Le Tigre, Sleater-Kinney, entre outras.

E na década de 00? Ou melhor, de 2000? E hoje, na década de... 10? Como as coisas andam pras mulheres hoje em dia? Bem, os estigmas, conceitos e julgamentos acerca delas se mantém de pé, apesar de serem cada vez mais discutidos e desconstruídos. Ainda precisamos evoluir para fazê-las justamente respeitas e estarem em pé de igualdade de direitos e condições que os homens. Pois se até hoje, as pessoas acham novidade o fato de mulheres terem/estarem em bandas e Rock e Metal; se até hoje, a mídia especializada fala de bandas femininas dando destaque nesse fato exclusivamente, ao invés de darem mais destaque pras suas obras; se até hoje, ainda tem rockeiro querendo que as mulheres "respeitem seus papeis ideais" e toquem estilos  mais "condizentes com a sua natureza"; se até hoje, rockeiros ficam surpreendidos com garotas dizendo que gostam de Rock, já que elas "não tem cara de que curtem"; e se até hoje, mulheres no Rock são mais apreciadas pelos seus peitos do que por suas músicas... Significa que ainda temos um longo caminho a percorrer e evoluir.

"Ain, nunca gostei da Anette Olzon no Nightwish, porque ela é mais feia que a Tarja Turunen." FODA-SE. Ela tava na banda pra cantar, não pra inspirar a sua punheta.

Que as palavras deste artigo penetrem na sua mente e lhe façam evoluir, se questionando e se desafiando a se modificar, e assim poder defender e aceitar a verdadeira igualdade entre os sexos. Adeusmetal.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Piadas ruins [01]

Sabe aqueles trocadilhos terríveis que fazem com os nomes de bandas de Rock e Metal? Pois então, este autor que vos fala estava sem o que fazer, e decidiu reuni-los numa nova série de salmos. Pra que? Pra deixar a sua vida mais triste, para você sofrer, para você querer se matar! Sim, meus leitores, este profeta quer fazer vocês passarem mal... DE TANTO RIR! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA...

Ou não.

Esse salmo começou com uma ideia simples: com essa piadinha com o Scelerata. Mas ela era tão prasseira que merecia uma imagem do Carlos Alberto, ou Carlos Alberto de corpse paint, ou alguma outra coisa que definisse nosso Cazalbé como um "metaleiro engraçado". Por sorte, este autor lembrou da sua infância e encontrou uma imagem de Kelé Metaleiro, que pre quem não sabe, é um personagem que durou muito pouco na Praça é Nossa e que foi interpretado pelo ator Saulo Laranjeira, o mesmo cara que faz o João Plenário. Kelé é um cara doidão, seu bordão é um grito selvagem e estridente, e suas piadas são relacionadas ao estereótipo de "metaleiro" sujo que gosta de barulho, tem uma banda, arruma confusão e coisas do gênero.

Mas este autor não se contentou em fazer só uma imagem, ele inventou de fazer um salmo inteiro só pra piadas ruins!!! Então preparem-se para entrar em depressão!


HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ!!! Porque serenata de headbanger tem nome diferente!!! Combina com eles!!! Que engraçado!!! HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ

Filme pós-apocalíptico super recomendado e ó, nacional! Edu Falaschi approves

Aff, prefiro Callifornication... aquela música do Red Hot Chili Peppers!!! HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ

Ai que piadinha barata HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ

Essa banda não toca. Ela fode nossos ouvidos. Com força.

UÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔNNNNNNNNN

Tá, dessa, nem o Cazalbé riu.

HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ HUÁ ha ha ha ha ha ha ha...

ha ha...

...

Eu falei que você ia ficar com depressão.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Dissecando letras: Celso Portiolli

Você sabia que Celso Portiolli cantava? É, nem eu. Mas isso não é nada surpreendente, Celso Portiolli é um cara de muitos talentos! Ele já foi radialista, vereador de Ponta Porã e apresentou os programas Passa ou Repassa, Tempo de Alegria, Fantasia, Xaveco e até o Sessão Premiada, onde Celso dava prêmios pra quem ligasse pra ele e dissesse "EU SÔ FÃ DO SBT!!!!!!", ao que ele respondia "E já ganhou 100 reais! Qual é o seu nome?", e a pessoa respondia "Marilene! Eu sô muito sua fã, Çelso! Você é lindu!", e ele respondia "Obrigado!", e assim por diante.

Celso Portiolli também é conhecido por ser portador da Síndrome de Lavigne, uma doença rara que faz a pessoa ter um envelhecimento muito lento ou quase nulo. Vários artistas sofrem dessa doença. como a própria Avril Lavigne, Tom Cruise, Keanu Reeves, Elijah Wood, Louro José, entre outros. Por que essa doença é tão séria? Ora, parecer jovem pra sempre é bom, não é? Bem, nem tanto. Quando essa pessoa morrer, todo mundo vai pensar que ela só tinha 35 anos quando morreu, e ninguém levará a sério sua idade avançada.

Tragédias à parte, Celso hoje apresenta Domingo Não Muito Legal e também teve a honra de ganhar sua própria colônia da Jequiti! Portiolli é sem dúvidas um homem venerável!


Além de todos esses talentos, Celso já gravou o disco intitulado "É Tempo de Alegria", no tempo em que apresentava o programa Tempo de Alegria (ooooh). Veja quanto glamour e ostentação Celso esbanja, com seus lábios avermelhados e poses dignas da Xuxa...


É interessante notar também as faixas do disco:
  1. Que bom que o Domingo Chegou - Que bom, o caralho! Domingo é pior que segunda feira!
  2. Seja Feliz - Nesse tipo de CD, é obrigatório ter uma música pra deixar a baixo-estima das pessoas lá no alto. Não que isso funcione, já que 99% da humanidade fica irritada com essas músicas...
  3. Canção da Criança - JUUUUUUNTUS NÓS SOMOS OS BEQIÁÁÁÁÁRDIGAAAAANS...
  4. Fogo na Floresta - Perae, tava mó alto-astral o disco, e de repente fala de problemas ambientais???
  5. Mocinho de Cinema - Hummm... jeitosinho esse lanterninha ;-)
  6. Carrossel de Esperança - Deve ser uma referência à novela Carrossel.
  7. Domingo Feliz - Porra, de novo?! Domingo não é um dia feliz! Como dizia os Titãs, "Domingo eu quero veeeer, o domingo acabar"!
  8. Moça Bonita do Rodeio - Quem sabe o Celso ganha um beijo doce... da rainha do rodeeeiuuuuuu... (8)
  9. Amizades Virtuais - Legal saber que naquele tempo já tinha internet!
  10. Pra Cima, Pra Baixo - Gente, o que será que vai pra cima e pra baixo? '-'
  11. É Tempo de Alegria - Não, é tempo de pancadas de chuva à tarde e nuvens carregadas à noite, com máxima de 29 graus.
  12. A Palavra Amigo - E terminamos o álbum com outra música que deve ser de auto-ajuda. Deve ajudar bastante quem não tem amigos.
Pois bem, a música que vai ser dissecada hoje é a 9, que ganhou relevância em certos sites engraçadinhos. Vamos ver o que ela diz:

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Estereótipos: Biografias do Rock


Voltando com esse salmo que fala sobre estereótipos o Rock e Metal, este autor vai falar sobre uma coisa que ele odeia: biografias de bandas. Porque todas são iguais! IGUAIS! Não tem diferença entre uma banda e outra: todas ralam muito, tiveram um começo difícil, batalharam, trocaram mil vezes de integrantes e de nome, e depois que conseguiram fama, foram viver la vida loca de sexo, drogas e rock and roll. No final, ou essas bandas morreram, ou seus artistas morreram, ou os integrantes remanescentes estão fazendo shows até hoje, mas tocando músicas de 30 anos atrás.

Pensando nisso, este autor resolveu inventar bandas e criar biografias pra elas, pra mostrar como todas seguem um padrão. Este autor inventou os lugares onde elas nasceram, os nomes dos integrantes e até o nome das bandas, mas é possível que algum desses nomes exista de verdade sem querer querendo! Sabe como é, tem tanta banda por aí que...

Então vamos conhecer bandas que não existem, mas que você certamente já ouviu a história delas por aí...

terça-feira, 23 de junho de 2015

10 motivos pra NÃO gostar de Rock

Atualmente há uma onda de vlogs, youtubers e vídeos de opinião, que permite que qualquer pessoa expresse suas visões sobre a vida, o universo e tudo mais, fazendo a famosa frase de Andy Warhol ser uma verdade incontestável: "No futuro, todo mundo será mundialmente famoso por 15 minutos". Sim, todo mundo. Inclusive as pessoas menos preparadas e mais sem talento possível, que graças ao YouTube, tem a oportunidade de despejar suas fezes na internet, ao invés do vaso sanitário.

E um exemplar de criatura despreparada e sem talento é este jovem abaixo, que se intitula Métau Réd. Seu vídeo se destina a discorrer sobre a diferença entre o Rock e o Metal, que não são a mesma coisa, como ele mesmo diz. Reparem na sua eloquência, no seu raciocínio rápido, na sua intimidade com a câmera quando ele lança uma cantada ousada para as meninas que arregaçam no, na, na banda, cara. Também podemos perceber que este garoto tem uma personalidade bastante audaciosa, que o impulsiona a querer agredir pessoas com a camisa do Mêno Uór.


Mas quem atraiu mais este autor, foi o garoto maroto abaixo:


Ele é um carinha irado e cheio de opinião, que tem uma coleção de regatas amarelas que fazem todo mundo pensar que ele usa uma só camiseta em todos os seus vídeos. Sim, ele tem uma série de vídeos! Mas seu melhor (ou pior) vídeo é esse de cima, que mostra como ele é um moleque de respeito, que tem muito a dizer sobre os Rock doidão.

E para complementar sua sabedoria, este autor transcrever os 10 motivos que o menino enumera, e vai analisá-los, explicando porque eles (não) são suficientes para fazer qualquer um, qualquer pessoa, qualquer criatura gostar de Rock e louvar a Deus Metal.


Dez motivos para não gostar de Rock

10. Quando se gosta de Rock, você vai a shows e concertos de Rock, diferente do Funk que se vai a tsunamis, furacões e terremotos. Rá!
O menino maroto começa dizendo que rockeiros vão a shows e concertos... mas e os rockeiros pobres, hein? E os que só conseguem ver shows pela internet? E os coitados que ficam em casa, enquanto os amigos vão em shows a cada 3 meses, hein?! Eu dou duro danado pra poupar dinheiro, mas não adianta, porque as bandas que eu gosto nunca vão pra minha cidade, e mesmo que fossem, o ingresso é duzentão!!! Você deve ser um filhinho de papai, seu bosta!!! Vai se fud--

Quer dizer... *caham* Depois o menino maroto diz que o Funk (enquanto pessoa física, não como um estilo musical) vai às maiores catástrofes naturais possíveis, como tsunamis, furacões e terremotos. O que o Funk tem a ver com o Rock? SEI LÁ! Este autor não sabe como você pode ser convencido a gostar de Rock ouvindo coisas ruins sobre outro estilo, que não tem nada a ver com o assunto. Mas é este autor que não sabe! Ele é ignorante, o menino da regata amarela é que sabe tudo!

E pra provar isso, tá aqui a capa de um DVD de Funk que mostra que SIM, o Funk vai a tsunamis!

E ultimamente eles estão indo até pro fim do mundo.

09. As músicas de Rock são muito manêiras!
Ó-TE-MO motivo, hein! Brilhante! Um operário (aquele gosta de Opera) pode usar o mesmo argumento! "Ah vei, Carmem é muito manêira!". Um também funkeiro pode usar o mesmo argumento, um fã de Mallu Magalhães também pode, até um nazista pode falar que matar preto é legal, porque É MUITO MANÊIRO™!

08. Rockeiros sabem aproveitar a vida muito bem.
Aí depende do que você considera viver bem, né. Tem gente que vive muito bem recluso num quarto escuro ouvindo música o dia inteiro sem contato com outros humanos. Tem outros que aproveitam a vida indo pras festinhas, consumindo toddynho e drogas mais pesadas, praticando coito com desconhecidas e tal. Também tem outros que aproveitam a vida regulando a vida dos outros. Pois bem, o que é aproveitar a vida pra você? É largar tudo pra viver uma "vida de vagabundo" com a sua banda? É estudando? É matando aula pra beber? É usando regata amarela? Responda você mesmo.

07. Grande parte das letras de Rock falam sobre coisas boas e legais. Rãn!
Também depende do que você considera "bom e legal". Boa parte das músicas de Rock sobre libertinagem, hedonismo, irresponsabilidade, consumo de drogas, sexo, perversão, revolta, terror, morte, depressão, suicídio, ocultismo, satanismo, violência, pessimismo, intransigência, desapego aos valores morais tradicionais, e outras coisas consideradas ruins por muita gente por aí. Muita coisa que até hoje é considerada tabu. Muita coisa que seus pais desaprovam. Se tirar tudo isso, sobra pouca coisa "boa e legal" no Rock. Que tal partir prum Rock Instrumental, pra compensar? Ou pro Progressivo, que tem mais música do que letra?

06. Os ouvidos das pessoas que ouve Rock são bem feliz.
Quem diria que orelhas tem sentimentos! Vou lembrar disso da próxima vez que vir um orelhão. Vou botar uns roque bem pauleira pra ele ficar feliz!

Mas ele já deve ser bem feliz vendo tantos anúncios de garotas "programadoras".

05. Rock faz a pessoa ficar inteligeeenti.
Pra que escola, né? Pra que professores, cursos, livros, informação, ninguém precisa de nada disso! Basta ouvir Rock pra ficar inteligente! Com ele aprendemos que existir fumaça na água, e fogo no céu!

04. Os rockstar tem muito sstilo, e são todos fódas.
Mas isso não é motivo pra gostar do Rock, só é motivo pra gostar dos rockstars!

E gostar de uma pessoa de certo estilo, não faz ninguém gostar do estilo em si! Prova disso é o Belo! Todos amam o estilo dele, todos o veneram, e nem por isso as pessoas gostam de... que estilo ele canta mesmo?

Rockstars? pfffff! Eu invoco Belo em modo de ataque!

03. Rock é tão bom que até Gospel é legal.
Essa este autor concorda 100%. Mesmo que a maioria das bandas de Rock Cristão e White Metal na verdade sejam de Rock e Metal Alternativo, e por isso sejam péssimas.

Vamos esquecer também que o Rock sempre teve uma atitude de negação ao cristianismo, compondo letras provocativas contra as religiões cristãs e suas doutrinas, contra as igrejas e com temas abertamente pagãos, anticristãos, ateístas ou satânicos.

Mas como o que importa é a música, e não a sua letra e a sua temática (pois a banda compôs a letra à toa, e o vocalista tá lá de enfeite, justamente pra ser ignorado), Rock Gospel é bom sim, e esse argumento é válido!

02. As mulheres que gostam de Rock são mais legais e divertidas.
Não, filhote. Rockeiras são pessoas, são gente como a gente. E como tal, elas também tem falhas e defeitos. Não vai pensando que aquela beldade de couro, espinhos e cabelo tingido é bela também em seu interior, pois não se pode julgar um livro pela capa. Qualquer pessoa, independente do estilo musical, pode ser fútil, chata, arrogante, metida, pedante, exagerada, insuportável, cretina, estúpida, e no caso das rockeiras, hipócritas, por mostrarem o corpo tanto quanto as funkeiras, mas só condenarem as funkeiras!


Por que qualquer rockeira seria mais legal, divertida e interessante que o resto das mulheres? Só por ser rockeira? Nada a ver.

"E o primeiro (motivo) é o melhor de todos..."

01. DRAGONFORCE É ROQUE, BEIBÊÊÊ! |m|

Herman Li está sem palavras.

***
Dizem as más línguas que Rock é coisa de criança mimada e "revoltada" que só quer aparecer e se achar diferente, e que depois deixa de ouvir Rock depois que cresce e amadurece. Óbvio que isso é um pensamento generalizante e preconceituoso, mas é graças a esses meninos que este artigo mostrou, que este preconceito está se tornando uma triste realidade.

E o pior é que essas crianças nem amadurecem mentalmente, continuam com a mesma cabeça infantil em corpos adultos, usando seu gosto musical pra engrandecerem seus egos, se dizerem superiores, mais inteligentes, mais sábios, mais conhecedores das coisas, mais fodásticos e mais tudo. Desse jeito, não tem como fazer 10 motivos pra gostar de Rock. Existem vários motivos pra não gostar dos fãs de Rock.

Dito tudo isto, vamos ver o sermão do pastor Mário, que faz uma homilia muito boa sobre este assunto, e adeusmetal.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Black Metal vs. Hip Hop

Mantendo a tendência iniciada no artigo Contendas inúteis este autor inaugura este salmo, botando em duelo dois opositores que acabam tendo mais semelhanças do que você imagina. O texto abaixo é original do site "live4metal.com", atualmente extinto e felizmente, registrado aqui na Bíblia. Confira:

Hip Hop: Obcecados por serem "verdadeiros", seguindo várias regras pré-estabelecidas.
Black Metal: Obcecados por serem "verdadeiros", seguindo várias regras pré-estabelecidas.

Hip Hop: Integrantes dos grupos usam pseudônimos.
Black Metal: Integrantes dos grupos usam pseudônimos.

Hip Hop: Reclamam da opressão de cristãos brancos.
Black Metal: Reclamam da opressão de "White Christians".

Hip Hop: Dedicam-se a fazer dinheiro.
Black Metal: Dedicam-se a NÃO fazer dinheiro (só que não)

Hip Hop: Usam sintetizadores baratos.
Black Metal: Usam sintetizadores baratos.

Hip Hop: Normalmente cantam em inglês, mas possuem representantes em idiomas diversos.
Black Metal: Normalmente cantam em inglês, mas possuem representantes em idiomas diversos.

Hip Hop: Fortes sentimentos em relação a Deus.
Black Metal: Fortes sentimentos em relação a Deus.

Hip Hop: Pele negra.
Black Metal: Couro negro.

Hip Hop: 100 convidados especiais em cada álbum.
Black Metal: 100 projetos paralelos de cada músico.

Hip Hop: Músicos presos por assassinato.
Black Metal: Músicos presos por assassinato.

Hip Hop: Base de fãs radicais e mente-fechada.
Black Metal: Base de fãs radicais e mente-fechada.

Hip Hop: Usa tênis caros.
Black Metal: Usa botas caras.

Hip Hop: Imagens promocionais com cães.
Black Metal: Imagens promocionais com lobos.

Hip Hop: Propaganda negativa de brancos.
Black Metal: Propaganda negativa de judeus.

Hip Hop: Faz vídeos com carros brilhantes.
Black Metal: Faz vídeos com espadas brilhantes.
Ou machados supimposos.

Hip Hop: Cenários da selva urbana.
Black Metal: Cenários de frias florestas.

Hip Hop: Orgulho da terra onde nasceram.
Black Metal: Orgulho da terra onde nasceram.

Hip Hop: Orgulho da própria raça.
Black Metal: Orgulho da própria raça.

Hip Hop: Músicas sobre se enforcar.
Black Metal: Músicas sobre enforcar os outros.

Hip Hop: Gostam de chocar em suas aparições.
Black Metal: Gostam de chocar em suas aparições.

Hip Hop: A maioria é careca ou cabeludo.
Black Metal: A maioria é careca ou cabeludo.

Hip Hop: Estilo vocal disfarça a falta de habilidade em cantar.
Black Metal: Estilo vocal disfarça a falta de habilidade em cantar.

Hip Hop: Orgulham-se de suas (não-intencionais) letras bem humoradas.
Black Metal: Orgulham-se de suas (não-intencionais) letras bem humoradas.

Hip Hop: São acusados de se vender por fãs radicais "das antigas".
Black Metal: São acusados de se vender por fãs radicais "das antigas".

Hip Hop: Interesse incomum em antepassados.
Black Metal: Interesse incomum em antepassados.

Hip Hop: Vídeos contendo mulheres em comportamentos vulgares.
Black Metal: Fotos promocionais contendo mulheres em comportamentos vulgares.

Hip Hop: Sexo casual é um tema comum.
Black Metal: Sodomizações casuais são um tema comum.

domingo, 21 de junho de 2015

Indicação: Kurt Cobain - A Construção Do Mito


(Esta e outras indicações de livros já foram indicadas antes, este autor só está as republicando)

Kurt Cobain, A Construção do Mito é escrito por Charles R. Cross, jornalista e autor de biografias de bandas como Jimi Hendrix e Led Zeppelin, além de ter escrito o livro "Mais Pesado Que o Céu", considerada a biografia definitiva do grupo. Entretanto, "A Construção Do Mito" não é uma biografia, é uma análise detalhada do jornalista acerca do mito Cobain. Charls disse: "Meu objetivo nestas páginas será examinar como, em longo prazo, a obra e a vida de Kurt afetaram a música, a moda, o papel dos gêneros, o modo como lidamos com o suicídio e o vício em drogas, o modo como a sua cidade natal vê a si mesma e o próprio papel de Seattle na cultura. Em alguns desses campos, a influência de Kurt foi enorme; em outros, mais sutil. Ainda assim, os 27 anos que ele passou neste mundo deixaram suas ramificações. Seu legado continua a aumentar e a mudar. A realidade é que nesses vinte anos não paramos de falar sobre Kurt Cobain. Ele ainda é importante para mim, e, na minha opinião, para toda uma geração”.

O livro foi lançado no dia 5 de abril de 2014, no dia que completou os vinte anos da morte do cantor. E é recomendadíssimo pra quem é fã do Nirvana (e especialmente do kurt), e até pra de quem não é fã de nenhum dos dois, pois este livro pode acabar mudando algumas concepções sobre Kurt - ou confirmando umas e se surpreendendo com outras. Este livro também foi a principal base para a construção deste artigo.

Autor: Charles R. Cross
Editora: Nova Fronteira
Número de páginas: 176
Formato: 15,5 cm x 23 cm
Preço: R$ 24,90

sábado, 20 de junho de 2015

Terry Reid: O homem mais azarado do Rock


Você acabou de ver o resumo do auge da fama de Terry Reid, vocalista e guitarrista que fez uma modesta carreira solo, mas já atuou em bandas como Fleetwood Mac e Jehtro Tull.

Um dia Jimmy Page, ex-guitarrista do Yardbirds, quis recrutar membros pra sua nova banda, e convidou Terry. E como Terry já tinha marcado de ajudar numa turnê do Cream, recusou a proposta, mas sugeriu um tal de Roberto Planta Robert Plant para a vaga, um cantor que tinha se destacado por seu trabalho na banda Band of Joy. Depois, Terry foi convidado por Richie Blackmore pra integrar o Deep Purple, mas Terry estava mais interessado em sua carreira solo. E mesmo que quisesse aceitar o convite, não poderia por causa do contrato de sua gravadora, que prometia exclusividade e fidelidade à gravadora. Ou seja, Terry recusou o convite de duas das bandas mais marcantes da história do Rock, e poderia fazer com que Robert Plant e Ian Gillan fossem meros desconhecidos. Isso é que é azar!

Mas é claro que Terry não poderia ver o futuro e saber do grandioso destino que poderia se meter. Talvez Deus Metal não quisesse que ele tivesse fama... E esta Bíblia pensa assim porque, como todo crente, bota a culpa no seu deus se acontece algo de errado, pensando que "aconteceu porque Deus (não) quis". Mas vamos fazer justiça a Reid e lembrarmos dele como um dos artistas mais injustiçados do Rock.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Criticando críticos

Críticos são pessoas que ganham a vida fazendo porra nenhuma análises sobre determinado assunto, com o objetivo de ser um "guia" pras pessoas que não tiveram contato com o dito cujo, e que querem ter uma ideia de como ele é, se ele agrada, se é ruim, coisas assim. Pode-se dizer que críticos são os chamados "formadores de opinião", pois eles colocam sua opinião pro público, e este a trata como base pras suas próprias opiniões. É aí que os mais espertinhos entram em cena e sugerem que você não deve se deixar influenciar pelos outros e que por isso, não deve confiar nas palavras de qualquer crítico.

Mas, pra responder esse tipo de crítica aos críticos, os próprios críticos se defendem dizendo que só estão prestando um serviço às pessoas, para que elas tenham pelo menos um pouquinho de noção do que estão prestes a consumir. E falam também que a opinião deles não é absoluta, pois seria prepotência máxima achar que a opinião deles é a mais correta, adequada, verdadeira e perfeita que a de todo mundo. Aí os críticos dos críticos (confuso isso, não?) ficam na deles, baixam a bola e calam a boca, porque suas tentativas de desmoralizar os críticos falharam.

Ou melhor, os críticos mais conscientes do seu trabalho e que não se levam tão a sério, certamente farão isso que o parágrafo anterior descreve. Porque o que tem de crítico chato, mala, ranzinza e que se acha o entendedor de tudo, é demais. Eles acabam estragando a imagem de todos os críticos, fazendo o povão pensar que eles nunca tiveram felicidade na vida, que nunca fizeram sexo e que nunca comeram paçoca. Mas a verdade é que existem vários tipos de críticos, uns são mais sensatos, outros só querem destruir mesmo, outros não tem uma opinião consistente, outros gostam de absolutamente tudo, etc.

E no Rock o cenário já piora, porque o público rockeiro é um dos mais exigentes da Música. E seus críticos? Mais ainda! Então é bem comum ver críticas descendo a lenha numa banda clássica só porque ela mudou de integrante, mas sem mudar em nada sua sonoridade; ou então ver críticas elogiando pra caramba uma banda só porque ela mudou de integrante, mas sem mudar sua sonoridade (!). Ou seja, as críticas do Rock vão ao nível extremo, seja pra elogiar ou pra destruir. E como este autor que vos fala é crítico, tem autocrítica e não tinha nada melhor pra fazer, categorizou todos os comportamentos que os críticos de Rock tem, como você vê abaixo.

Níveis de humor
É esse humor que define uma crítica mais positiva, mas ácida ou mais amena, e é o fator que define praticamente toda a forma que a crítica argumenta e apresenta seu ponto de vista. Existem três tipos de humor:

Humor "de boa": Ele atua no crítico que... tá de boa! É esse humor que faz o crítico conseguir se aproximar mais da imparcialidade, pois não deixa os sentimentos interferirem na sua analise. Ele vai elogiar quando a coisa é digna de elogios, e vai falar mal quando a coisa merecer ser mal-falada. Alguns até exageram nesse humor "de boa" e fazem a crítica parecer indiferente e sem vontade. Pois é, até a coisa mais correta pode ter seu lado negativo.

Humor arco-íris: Esse tipo de humor deixa o crítico serelepe e saltitante ao falar do assunto, fazendo ele falar bem, florear a crítica de elogios, saudações e parágrafos que só querem dizer "como esse coiso é bom, sô!". Por causa disso tudo, o público sempre acha que ele é fãnzaço do assunto e que por isso não quis falar mal dele. Ou, no mínimo, acha que o crítico está exagerando.

Humor limão: Já esse humor torna qualquer crítico azedo, fazendo ele ser azedo em todas as suas críticas e análises, sendo sempre sarcástico maldoso ou depreciativo e com um ar de lorde inglês fresco. O crítico com humor limão também é hábil no sarcasmo e figuras de linguagem, mas usa todos os seus dons para o mal. Até quando tenta elogiar o tema, o crítico dá um tom blasé e passando a ideia de que "não é tão digno de elogios assim, eu que sou muito misericordioso".

Exemplo de crítico com humor limão (e com cara de quem chupa limão também).


Personalidades
Agora vamos falar de algo mais intrínseco à persona dos críticos (sem deixar de ser ligada aos tipos de humor), definindo seu jeito de ser e como eles se comportam:

Crítico monossilábico
É aquele que é bastante "direto ao assunto", que fala só um pouquinho dos detalhes do tema, qual sua recepção por parte das pessoas, a conclusão. E só. Quem procura por análises mais detalhadas e embasadas acaba ficando frustrada quando vê uma crítica que se resume nisso: "Esse é o novo disco do Slash, um guitarrista famoso e prestigiado, ele foi muito bem nesse disco que tem as faixas X, Y, Z e W como destaque, e é legal".

Crítico rebuscado
Este exemplar de profissional tem como função analisar e registrar suas impressões sobre as obras artísticas, é aquele indivíduo que se destaca por investir incessantemente pelo enriquecimento do seu vernáculo para o exercício da sua profissão e produção de suas avaliações, se utilizando de frases longas, enrolação e palavras difíceis. Em resumo, é aquele crítico que é filho da puta de propósito!

Crítico fã
Esse é o típico crítico com humor arco-íris. Ele não esconde que é fã da banda, e por isso vai sempre elogiar, falar bem, distorcer as coisas ruins e apresentar como boas, e concluir sua análise com ideias como "mais uma vez, não decepcionou", "mantém sua tradição de agradar o público", "não cansa de nos entregar obras imperdíveis", "Ainda tem muito fôlego / uma vida longa pela frente", etc. É sempre uma coisa grandiosa e estupenda. Aí, quando o assunto (disco, show, banda e tal) é ruim, amigo... falta só esse crítico colocar um "DECEPÇÃO" bem grande no texto, porque toda sua análise irradia sofrimento e agonia.

Crítico anti-fã
É raro encontrar um tipo desse assumido, mas você com certeza sabe quem ele é: é aquele tipinho que já diz no início do texto que "esse assunto nunca fez o meu gênero, nunca me agradou, nunca me inspirou interesse", e depois dessa declaração, começa uma resenha terrível, onde esse pilantra aponta todos os defeitos que o assunto tem, implica com alguns pontos que nem são realmente defeituosos, e critica até as coisas boas que o assunto tem. E quando tenta elogiar alguma coisa, é sempre com as seguintes mensagens nas entrelinhas: "é... legalzinho. Não é tudo iiiiiisso, mas..." e "não fez mais do que sua obrigação".

Crítico sensato
Diferente de todos os outros listados até agora, esse é o crítico que mais cumpre bem sua função, e infelizmente, é raro. Esse crítico sabe não se levar a sério, e por isso analisa o que tem que ser analisado e pronto, sem ser pretensioso ou esnobe, que não deixa sua profissão lhe subir a cabeça. Por causa dessa atitude, é o crítico que mais agrada o público (obviamente) e o que mais os "representa".

Crítico celebridade
Percebeu que todos os críticos até agora vieram em pares, com um sendo o oposto extremo do outro? Monossilábico e Rebuscado, Fã e Anti-fã... Então é de se esperar que o Crítico Celebridade seja o oposto do Crítico Sensato? Sim!!! Este é o tipinho que representa bem aquela frase de Abraham Lincoln: "Se você quer ver se um cara é filho da puta, dê-lhe poder". Quer dizer, a frase não é beeem essa, mas é mais ou menos assim. Nesse caso, o crítico ganha fama e se corrompe, seu sucesso e profissão lhe sobem a cabeça e acha mesmo que tem a opinião absoluta. Às vezes ele nem é uma celebridade mesmo, mas isso não o impede de se achar famoso e importante. Ou melhor, importantíssimo. Não é raro que um programa imbecil da TV aberta o convide pra ser jurado de alguma competição ou concurso idiota, e é nesse momento que o crítico se sente realizado e satisfeito, pois tem toda oportunidade pra destilar o seu veneno. A própria mídia ressalta as características escrotas que esse crítico tem, sempre usando as palavras "ácido", "controverso", "polêmico" e de "língua afiada".

Exemplo de Crítico Celebridade.

Existe uma tendência deste site de não gostar do Régis Tadeu? Não, imagina, é só impressão.


5 dicas para ser um bom crítico
E se você quiser "fazer melhor" que os críticos que estão por aí, é bom que você tenha alguns objetivos e diretrizes pra fazer análises, pra que elas agradem todo mundo e pra que você seja o Crítico Sensato.

Ah, essas dicas foram desenvolvidas por este autor que vos fala. Se ele as segue?

Bom... ele tenta!

Enfim...

Tenha bom humor
Isso é essencial. Precisamos de bom humor pra fazer tudo, se quisermos ser bem-sucedidos no que fazemos. Se fazemos algo (especialmente uma crítica) já estressado, perturbado ou com raiva de coisas que aconteceram no dia, do trânsito, do vizinho ou da soma do quadrado dos catetos que não deu igual ao quadrado da hipotenusa, esse algo vai ficar ruim. Então é bom reservar um tempo tranquilo e sossegado para fazer a resenha.

Defina a que público você está dirigindo a crítica
Você provavelmente já passou por essa situação: seus amigos te recomendaram algumas abdnas que eles gostam pra caramba, acham muuuuito fodas, pauleiras mesmo, mas aí quando você foi ouvir, aquilo não fez o seu estilo, não te agradou. É pra isso que essa dica serve, para proclamar que o assunto que você vaia bordar na resenha não vai agradar a todos, mas sim, às pessoas que já são inteiradas naquele assunto, especificamente. Essa dica serve para você saber definir a quem você estará atingindo, definir quem é o seu público-alvo, pensando sempre se esse assunto vai agradar esse público-alvo ou não, se traz novidades ao assunto ou não, e então, secundariamente, dizer se agrada inclusive pessoas que não são inteiradas nesse assunto... ou não.

Dirija sua crítica apenas ao assunto em si, desconsiderando o seu histórico
Essa é uma dica super importante, porque muitas pessoas acabam deixando a crítica mais emotiva e parcial quando consideram a história do assunto. Por exemplo, se vamos resenhar o último show de uma banda que já tem uma longa carreira de instabilidade, podemos correr o risco de não dar o devido valar se o show for bom, vamos passar a ideia de que "não fez mais que sua obrigação" ou de que "não é lá essas coisas, mas já é um avanço". Ou, se vamos resenhar uma banda que resolveu mudar sua proposta musical, podemos desprezar essa mudança e não dar o devido valor à obra, se esta for boa. Enfim, nossas noções pré-concebidas das coisas podem acabar estragando uma obra que deve ser analisada por ela mesma, sem contar o seu passado negro - ou glorioso.

Embase suas opiniões
Porque não basta só dizer que tá bom ou que tá ruim e só destacar os pontos altos e baixos do assunto. Tem que explicar porque é bom e porque é ruim. Então explique porque o coiso é atraente, porque aquela produção ficou boa, como aquela atmosfera agradou, porque a banda acertou ao investir naquelas experimentações, porque... enfim, é isso. Pense sempre no porquê, explicando porque os detalhes e elementos contribuíram pra qualidade (ou destruíram a qualidade) da obra que você está resenhando.

Seja objetivo, especialmente na conclusão
Pode encher o texto de elogios, de xingamentos, mas tudo tem que ter sua razão para estar ali, sem enrolação. Escreva apenas o que o público quer ler, evitando coisas aleatórias que não acrescentam em nada na resenha.

E este autor deu ênfase na conclusão porque ela costuma ser a parte mais chata da resenha, já que ela tem o dever de resumir todas as ideias abordadas. E como muitas vezes o escritor já está cansado e quer terminar o trabalho de uma vez, a conclusão acaba não sendo tão bem escrita, bem desenvolvida ou inspirada quanto a resenha no geral, ficando enrolada, imprecisa, confusa e não-objetiva. Uma boa dica pra resolver esse problema é tratar a conclusão como uma parte reservada para considerações finais, com comentários breves e apenas algumas palavras dizendo se o assunto é recomendado, se vale a pena, ou não. Só isso já é suficiente para uma boa conclusão, isso mantém a objetividade do início ao fim.

Estas foram só 5 dicas que este autor achou importante ressaltar, mas é claro que existem outras que podem ser dadas, como: ter um conhecimento prévio e mais ou menos profundo do assunto, dominar a língua portuguesa, escrever de forma a fazer a pessoa se interessar no assunto, etc. Essas dicas já são mais básicas, essenciais pra escrever qualquer redação. O que este autor quis fazer com as 5 dicas foi focar na mensagem que você quer passar com sua crítica.

***
E esta é a parte em que este autor tem que concluir o artigo e não sabe como, e por isso vai recorrer às antigas técnicas de redação e resgatar a ideia inicial deste texto para dar a conclusão. Críticos e críticas são necessárias ao mundo, apesar de haver gente chata que não valoriza essa profissão por conta da existência de críticos chatos que definitivamente não tem talento nem carisma pra expressar suas ideias de forma agradável. Por isso é bom não perder as esperanças e procurar críticos que valham a pena ser ouvidos... ou não ligar pra nenhuma crítica e consumir tudo de surpresa. Geralmente, este autor segue a segunda opção.

Este artigo termina com uma resposta que o AC/DC deu aos críticos chatos que desprezavam o Rock por ser uma "poluição sonora". Adeusmetal.