quinta-feira, 28 de maio de 2015

As 101 regras do Metal Sinfônico

Bem-vind@s a mais uma lista de 101 regras, uma brincadeira tradicional no meio do Metal que é listar um monte de características comuns e estereotipadas dos estilos de Metal e enumerá-los em forma de regrinhas. No Whiplash, você pode conferir 101 regras do Power, Thrash, Death, Black, e entre outros estilos, incluindo o Gothic Metal, que é de longe a pior e mais sem graça lista de todas. Foi ela quem fez motivou este autor a fazer estas 101 regras do Metal Sinfônico. Porque ele não faz do Gothic Meta? Ora, porque Gothic Metal não existe.

E vo-a-lá!


As 101 regras do Metal Sinfînico

01. Seja branco.

02. Nasça na Escandinávia ou na Holanda.

03. Tá bom, você pode ser brasileiro. Mas tente parecer com o Holiness.

04. Faça músicas em inglês.

05. Você pode experimentar compor em português, mas cuidado pra não parecer o Libra.

06. Não siga a regra #05. Não importa que sua base de fãs seja brasileira, japonesa, alemã, finlandesa, sueca, holandesa e até italiana, cante sempre em inglês.

07. Sua gravadora é a Nuclear Blast.

08. Invista pesado em marketing e imagem. Sonoridade boa é apenas metade do seu sucesso.

09. Seja dark.

10. Ser dark é se vestir de preto e assustar as pessoas a sua volta, mesmo que essa não seja a intenção. Mas é divertido, de qualquer maneira.

11. Diga que tem influências góticas, apesar de nunca ter ouvido nem Siouxsie.

12. Vista roupas góticas pretas vitorianas medievais de noiva cadáver. Ah, você é homem? Não importa!

13. Suas influências são Nightwish, Epica e Within Temptation.

14. Não, Evanescence não é uma influência pra você. Mas você pode gostar da banda. Escondido.

15. Sua banda deve ter um nome "dark". Ele deve fazer referência à natureza (Nightwish, Midnattsol (sol da meia-noite), Amberian Dawn, Moonspell, Unsun).

16. Ou fazer referências ao além ou a religiosidade (After Forever, Therion, Edenbridge, Paradise Lost, Apocalyptica).


17. Ou fazer referência à choradeira (Tristania, Lacrimosa, Trail of Tears).

18. Ou que simplesmente tenha "ia" no final (Sirenia, Tristania, Susperia, Xandria, Imperia, Krypteria, Aquaria, Avantasia, Mortemia).

19. As capas do seus discos devem ter azul, roxo ou preto como cores predominantes.

20. Pelo menos uma (ou duas, três, quatro, cinco...) das capas deve ter uma mulher sublime e imaculada.

21. Suas capas também devem ter os seguintes elementos: raios de luz, formas humanoides, jogo de luz e sombra, corvos, nuvens negras e demais coisas “dark”.

22. Tenha uma vocalista feminina.

23. Uma vocalista bonita! É ela quem vai fazer sua banda ficar famosa.

24. Demita ela em algum momento, e contrate outra vocalista pro próximo disco.

25. Repita a regra #24 sempre que quiser.

26. Se não quiser ter uma vocalista, contrate um vocalista que seja bonito ou pelo menos charmoso.

27. Contrate um tecladista que tem bacharelado em Música e faça-o ter destaque apenas nas introduções, plano de fundo e finalizações das canções.

28. Certifique-se de que ele vai ficar lá paradão só pressionando duas teclas na maior parte do tempo, pra dar aquele clima dark.

29. Contrate um guitarrista que aceite que não vai brilhar sozinho na hora do solo, pois vai ter que dividir espaço com o tecladista.

30. Contrate um baixista só pra cumprir a cota de instrumentistas típicos do Metal. Ele não vai ter nenhum destaque mesmo.

31. Baterista? Ah, pega qualquer um. Pelo menos ele vai fazer mais diferença que o baixista.

32. Mantenha uma média de uma demissão de integrante por disco.

33. Demissões rendem notícias, e assim o público lembra de sua banda.

34. E também fazem os fãs discutirem sobre qual formação preferem, te fazendo ser o "assunto da vez" muitas vezes.

35. Suas letras devem ter sempre temas sombrios ou íntimos, falando sobre vida e morte, sobre tempo e destino, sobre a busca pela verdade, questões abordando nossa frágil natureza humana que é destinada a perecer sem saber se há algo além do que o nosso invólucro carnal sente... essas coisas que pensamos quando estamos depressivos por dor de cotovelo.

36. Faça prelúdios e epílogos em todos os seus álbuns. Mesmo que a pessoa nem chegue a ouvir o epílogo, por ter parado de ouvir o disco na antepenúltima música de tanto sono.

37. Faça músicas de 4:30 minutos em média. As mais boazudas devem ter em média 7:30 minutos.

38. Faça uma música épica de 9 a 12 minutos que tenha várias camadas, reviravoltas de ritmo e enredo, clima denso e glorioso e que seja um orgasmo auditivo magnífico e extraordinário. Certifique-se de que essa música esteja lá no final do álbum, quando o ouvinte já estiver dormindo.

39. Divida esta música épica de 12 min em pelo menos cinco partes. É uma estratégia eficiente para o cérebro do ouvinte conseguir ter paciência e disposição pra ouvir uma música tão longa.

40. Guarde o tema dessa música gigante para suas próximas músicas gigantes. Continuidades são épicas.

41. Vá no Google Tradutor e faça títulos e versos em latim. Falar em latim é muito épico.

42. Contrate alguns violinistas, contrabaixistas e o coral da igreja do seu bairro pra sua sonoridade ficar épica.

43. Contrate uma orquestra sinfônica pra participar apenas de alguns parcos momentos de parcas canções.

44. Chame músicos de outras bandas pra fazer participações especiais.

45. Tenha projetos paralelos e deixe seus integrantes terem também.

46. O objetivo das regras #44 e #45 é deixar os fãs totalmente confusos quanto ao atual estado dos músicos, não sabendo se eles ainda estão em tal banda, ou saíram daquela, ou agora estão naquela outra de passagem...

47. Você tem direito a fazer uma música instrumental por disco.

48. Faça clipes ruins e/ou que ninguém entenda o que está se passando.

49. Seus clipes deverão ter cinza, azul, preto e lilás como cores predominantes.

50. E faça como a Shakira: abuse do chroma key.

51. Aceite que seus fãs sempre vão gostar mais das canções dos clipes, mesmo que TODO O RESTO DO SEU REPERTÓRIO seja melhor.

52. Sua fama vem basicamente dos seus clipes e da beleza da sua vocalista. E das notícias das suas demissões e contratações.

53. Faça turnês principalmente pela Europa.

54. De vez em quando, dê alguma atenção ao "resto" do mundo, passando pela América do Norte e América do Sul.

55. América Central, África, Ásia e Oceania não existem pra você.

56. Mas o Japão existe!

57. Sempre lance edições especiais e faixas bônus inéditas exclusivas para o Japão. Por quê? Porque é tradição.

58. Lembre-se que o Metal Sinfônico é uma grande família. Por isso, todas as bandas devem soar iguais.

59. Se você não quiser soar igual aos outros, soe igual às bandas que querem soar diferente.

60. Seus álbuns também devem soar iguais.

61. Por causa das regras anteriores, muita gente vai reclamar que você é repetitivo. Mas não ligue, pois essas mesmas pessoas não reclamam do AC/DC nem do Motörhead.

62. Se quiser mostrar traços de variedade e evolução, invista mais nas partes orquestrais e faça sua vocalista atingir notas mais altas. É tiro e queda, os críticos vão amar isso.

63. Certifique-se que sua vocalista seja lembrada com frequência nas listas de “musas do Metal”.

64. Sim, sua banda ganhar notoriedade em cima da exploração da imagem da sua vocalista não é o caminho ideal, ou mais honesto, ou ético... mas funciona! Se quiser, pode fazer uma letra de protesto sobre como os humanos são ignorantes e imperfeitos pra compensar a consciência pesada.

65. Abordar temas diferentes do habitual é perigoso, por isso sempre faça letras vagas. Se quiser falar da sociedade, diga que o ser humano é destinado a perecer. Se quiser falar de política, diga que o ser humano é destinado a perecer. Se quiser falar de paçoca, diga que o ser humano é destinado a perecer e não pode comer paçoca pela eternidade.

66. Quando quiser fazer músicas sobre religião, fale sobre metafísica em geral, vida após a morte, espíritos, Dona Morte, mas desprendido de conceitos pessoais sobre religião.

67. Exatamente, você não pode ser um divulgador da palavra de Cristo. Desse jeito você acaba indo pro White Metal e largar de ser Metal Sinfônico.

68. Faça algumas músicas sobre relacionamentos que deram errado, para todos os fãs se identificarem e cantarem junto no show.

69. It was never enough that I gave to you… all of the horror that you've put me through…

70. Você pode dizer que "essa letra foi baseada em situações que todo mundo passa, que acontecem uma hora ou outra com as pessoas, é a vida", deixando implícito que a letra é autobiográfica.

71. Mas se quiser fazer músicas sobre relacionamentos que deram certo, que seja sobre um casal trevoso como Jack e Sally.

72. Se optar por inovar, revolucionar e incorporar novas influências ao seu som, coloque uma linha de gaita de fole ou de flauta em uma ou duas músicas, e torne-se “Metal Sinfônico com influências Folk”.

73. Ou acelere um pouco o ritmo, bote power chords e décimas sextas e torne-se “Symphonic Power Metal”.

74. Ou então desacelere o ritmo, dê destaque pros tons menores e graves e troque sua vocalista lírica por um vocalista de voz grossa que dá arrepio. E assim temos o “Symphonic Doom Metal”.

75. Mas não importa se você misturar estilos ou se mantiver na mesma, você vai ser rotulado como Gothic Metal.

76. E como “Female-Fronted Metal Band”

77. Quando quiser fazer um álbum conceitual, recue e lembre que todo álbum sinfônico já é conceitual. Pois reflete sobre a condição humana de decadência e fragilidade que tem apenas a morte como única certeza da vida, e até que esse dia chegue, o tempo escorrega entre nossos dedos e as respostas descobertas só nos trazem mais perguntas que deixam nossa alma em agonia.

78. Não se esqueça de botar seu remédio antidepressivo em dia.

79. Se você estiver passando por uma crise de criatividade, fale sobre vampiros.

80. Se a crise de criatividade continuar, crie canções baseado em histórias famosas, como a Bela e a Fera, O Fantasma da Ópera, Macbeth, etc.

81. E se a maldita criatividade continuar ausente, crie canções a partir das palavras-chave “sonho”, “circo”, “teatro”, “anjo caído”, “horizonte” e “queda”.

82. Ou lance uma coletânea! Nunca falha.

83. Tenha um bloquinho de temas e palavras dark de emergência.

84. Seus shows não precisam de pirotecnia, bonecos gigantes ou números circenses. Seu público se contenta com um show de luzes. Nada é tão intenso quando o brilho de um raio de luz, que é energia, saída dos átomos, nossa matéria-prima, do que somos feitos, humanos, destinados a perecer.

85. Aliás, você não faz shows. Você faz um espetáculo do obscuro e da ironia, da alegria suicida que expõe as cicatrizes e as obscuridades de todos nós, atraídos para o limbo do abismo, mas temendo o vazio que emana da nossa mente.

86. E você não tem uma banda. Você tem uma reunião de avatares da intemperança insana, os representantes taciturnos do motim redentor, as manchas negras do véu branco que cobre avidamente as lamúrias da percepção.

87. E seus álbuns não são álbuns. São pérolas nascidas e deixadas no submundo, esperando que o acaso lhe agracie com o afago efêmero de uma luz lúgubre.

88. E suas roupas não são só roupas. São peças chiques e carérrimas que todo mundo quer comprar e não pode, despertando a inveja das inimigas.

89. Lembre-se da regra #78 e maneire nessa poesia dark, senão você se mata.

90. Saia de casa de vez em quando, passeie, ande de bicicleta, cheire flores, saltite de braços abertos e rodopie. Viva!

91. Mas não muito. Você ainda tem que ter inspiração pra manter sua banda dark.

92. A menos que você seja Mark Jansen, que mesmo namorando Simone Simons, ainda consegue ter inspiração pra fazer coisas profundas e obscuras.

93, Ou você tem o dom de ser tristonho, ou não tem. Se não tem, pratique. Se tem, siga as regras #78 e #90.

94. Cuide pra que seus fãs sejam nível Theatre of Tragedy e não nível H.I.M.

95. Nem nível Nightwish.

96. Mas se for nível Nightwish old-school, dos tempos de "Oceanborn", tá ok.

97. Ah, não dá pra tentar evitar, você vai ter fãs posers de qualquer jeito!

98. Especialmente pelo cumprimento das regras #08, #09, #11, #12, #23, #35, #48, #52, #63 e #68.

99. Fazer o quê, você tem que botar feijão no prato... E filé... e lagosta... e caviar.

100. Gaste quilos de maquiagem para parecer um personagem de Tim Burton.

101. Alegria demais = Power Metal. Tristeza demais = Doom Metal. Mantenha o equilíbrio, gafanhoto.

REGRA BÔNUS PARA SER LANÇADA SOMENTE NO JAPÃO

102. Masturbe-se para sua vocalista em segredo para não gerar estranhamentos e falta de profissionalismo no trabalho.

2 orações:

Anônimo disse...

Olá profeta Rocker.. Esta é uma boa lista, realmente aqui ficam evidentes algumas das características mais comuns e estereotipadas das bandas de Symphonic Metal.

Entretanto, mesmo sabendo que trata-se de uma postagem humorística, gostaria também de fazer algumas observações:
Sobre a regra 01, temos muitas exceções..a vocalista do Krypteria, por exemplo, é oriental.
Sobre a regra 14, discordo deste subestimação do Evanescence.. Amy Lee é sim uma grande referência e precursora.. quando digo precursora, não me refiro a bandas de Symponic Metal, mas sim de bandas com vocal feminino - Amy foi a primeira vocalista a liderar uma banda de rock e conseguir mais destaque na mídia, o que levou muitos a procurar ouvir bandas de estilo "parecido". Em suma, por causa do Ev que todas essas bandas são o que são hoje (até Tarja Turunen já admitiu isso: https://www.youtube.com/watch?v=febRUWjC_Uc).
E sobre a 92, Simone Simons não namora Mark Jensen..ela está com o tecladista do Kamelot, Oliver Palotai :P
Mas fora isso, boa postagem, Profeta.

Joice disse...

Sobre a regra #7, a gravadora pode ser a Napalm Records também...

Postar um comentário