domingo, 31 de maio de 2015

Sunday songs [03]: Supernatural

Ontem este autor terminou de ver a nona temporada de Supernatural. Sim, eu acompanho Supernatural! #MeJulguem Apesar deste autor achar que o seriado devia ter acabado na 5ª temporada, ele continua acompanhando as aventuras dos Irmãos Coragem e vai continuar acompanhando, até que as ideias dos produtores acabem e o seriado finalmente seja cancelado.

E baseado nesse acontecimento, este autor resolveu fazer uma playlist com algumas músicas que compõem a trilha-sonora de Supernatural! E um detalhe importante: essa playlist não tem Kansas, nem AC/DC! O motivo? O motivo é que... já chega, né? Quando pensamos em Supernatural, automaticamente pensamos em "que rwi on maaaa whey wa saaaaan". Por isso este autor vai fugir do óbvio e colocar músicas que merecem mais destaque!

A primeira apareceu na segunda temporada no episódio 16, intitulado "O Fantasma da Estrada". O episódio é bem denso e obscuro, e essa música combina perfeitamente com o clima.


sábado, 30 de maio de 2015

Maquiados e mascarados

Algumas bandas ficam famosas por fazer mais do que música. Elas podem se destacar por suas grandes performances em estádios, por suas brigas internas que fazem a mídia ter assunto, suas atitudes sobre algo ou alguém, até pelas coisas mais bestas como usar um visual extravagante. Metade da fama que Lady GaGa conquistou no show business foi por causa das suas roupas excêntricas e escalafobéticas, por exemplo.

Este artigo vai falar sobre bandas que se destacam por esconder seus rostos com máscaras, maquiagem ou até fantasias, dando um diferencial à sua identidade como banda e assumindo uma veia teatral que influencia suas performances e sua proposta, transmitindo mais vida e impacto no público. Aqui vai uma lista de 12 maquiados e mascarados do Rock e Metal:

Artista: David Bowie
Estilo: Rock e várias experimentações
Conhecido como Camaleão do Rock por mudar constantemente de imagem de acordo com suas diferentes propostas artísticas e musicais, David Bowie marcou por fazer da sua música uma plataforma pra conduzir narrativas, histórias e performances teatrais inovadoras. Resumindo, sua maquiagem era apenas uma pequena parte de todo complexo retrato de Bowie. Passando por várias fases, a mais marcante foi na década de 70 (a sua década clássica), onde ele interpretou o personagem Ziggy Stardust, um alienígena enviado à Terra para salvá-la, pois ela seria destruída em cinco anos. Depois ele forma uma banda (The Spiders From Mars) e não aguentou o tranco das pressões da fama e capof, se suicidou. Essa história é contada no seu disco de 1973, o "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars", que pode-se dizer que é uma ópera-rock como "Tommy" do The Who. Essa fase de David Bowie foi tão marcante para o mundo que influenciou não só a música como também a estética e a moda do século XX, sendo um marco para o Glam Rock e até um símbolo para a libertação gay. O vídeo abaixo é da última apresentação de Ziggy neste mundo, na casa de show londrina Hammersmith Odeon.


Banda: KISS
Estilo: Hard Rock
Falando em Glam Rock, essa banda foi um diferencial entre as tantas outras desse estilo, por não ter uma roupa super colorida e nem maquiagem exagerada de um Twisted Sister ou Poison. As maquiagens se tornaram máscaras e protegiam as identidades secretas dos integrantes, fazendo eles serem conhecidos apenas por seus nomes artísticos. Eram Demon, o baixista que solta fogo pela boca e tem linguão; Starchild, o guitarrista e cantor principal que tem o peito cabeludo; Spaceman, o guitarrista que fica uns 5 minutos sozinho no show brincando com a guitarra; e Catman, o baterista que canta (!), tem a maquiagem mais cute do grupo e de vez em quando atira confetes com sua bazuca no meio do show. Hoje nós conhecemos as identidades de cada integrante, mas no início esse mistério era realmente matador, era mais um chamariz pra banda ser comentada e ficar em evidência. Um dia eles resolveram tirar as maquiagens e revelar suas identidades, algo tão marcante quanto se Batman revelasse ser Bruce Wayne. Mas Bruce Wayne é bonitão, já os integrantes do KISS... todo mundo se impressionou em como eles eram feios. E apesar do público não gostar dessa revelação, a banda continuou sua carreira sem as máscaras e chegou a perder parte do seu público com isso, mesmo que suas músicas continuassem com a qualidade de sempre. Pois é, uma vez mascarado, sempre mascarado.


Nome: Alice Cooper
Estilo: Heavy Metal
Vincent Damon Furnier nasceu em Detroit em 4 de fevereiro de 1948, criado numa família com princípios cristãos e tendo uma vida bem-sucedida, sendo até ganhador de bolsas integrais pra universidades famosas, mas a música falou mais alto em seu coraçãozinho. Alice Cooper nasceu em 1965, e sua banda homônima nasceu em 1968, já fazendo shows teatrais com objetos de cena no palco, inspirados em filmes de terror. A ideia foi de Alice, que acreditava que o Rock já tinha muitos rockstars tratados como herois, então chegou a hora de ter um vilão. E você pensa que com todas essas propostas e ideias inovadoras, a banda alcançou o estrelato imediato? Que nada, ela era um fracasso! Só atingiu certa notoriedade quando durante um concerto, o cantor jogou uma galinha para o público, crente que ela poderia voar e fugir segura. Essa ideia de jerico fez a galinha cair no público e ser feita em frangalhos pelo mesmo. Esse acontecimento foi manchete de jornais e revistas, que espalharam o boato de que Alice comeu a cabeça da galinha e bebeu todo seu sangue, o que fez a banda ter atenção do público e sua imagem aterrorizante já consolidada. Com isso, Alice lançou dois discos meia boca e um terceiro disco que emplacou definitivamente. O resto, como dizem, é história. Alice conseguiu manter sua fama de mal, conseguiu recursos para fazer espetáculos de terror nas suas apresentações com guilhotina, bonecas vudu, cadeiras elétricas e outras parafernálias, e conseguiu ser um dos rockstars mais influentes de todos os tempos.


Nome: Misfits
Estilo: Punk, Hardcore, Heavy Metal, Thrash Metal... depende da fase
Misfits é o criador e a maior referência do subgênero chamado Horror Punk, que é quando uma banda Punk decide imitar o Alice Cooper e cantar sobre histórias de terror com a cara maquiada. Mas não é isso que resume o Horror Punk (é também), mas é principalmente sua sonoridade que fica mais melódica com a adição de sons de teclado ou órgão. A banda nasceu em 1977, no ano que foi auge do Punk Rock, encabeçada pelo cantor Glenn Danzig e Jerry Only, que foram os integrantes que mais permaneceram na banda em todos esses anos. Jerry continua até hoje, enquanto Danzig saiu em 1983 por conta da insatisfação com a banda e a instabilidade que ela sempre teve, se dedicando ao projeto solo Danzig. Relativamente, a banda tem muita fama para pouca obra lançada, especialmente se considerar que ela se dissolveu em 83 e só voltou reformulada em 95. Nesse meio tempo, ela atingiu status e ficou mundialmente famosa por ter fã-clubes e incorporar como logotipo e mascote oficial da banda o rosto do personagem Crimson Ghost. Mesmo com um troca-troca de integrantes intenso, a banda continua na ativa e fazendo poucos álbuns, como sempre. O último tem esta canção:


Nome: King Diamond
Estilo: Heavy Metal
Esse vocalista dinamarquês e sua ex-banda (Mercyful Fate) foram umas das maiores influências para o Metal Extremo, que fizeram o Thrash, Doom e Death terem sua atitude vil e obscura. Desde os tempos do Mercyful Fate, Kim Bendix Petersen se destacava por sua veia teatral soberba e performance inspirada diretamente em Alice Cooper, o cara aí de cima, mas que se diferenciava de Alice por ser mais sombrio ainda. Outro destaque de King é sua voz que viaja por vários timbres e tonalidades, dependendo da atmosfera que quer criar pra sua música, ou só pra mostrar como sua voz é versátil. Tal habilidade o tornou famoso e admirado, sendo referência para várias outras bandas. Mas o mais notável em King é sua criatividade em contar histórias de terror em suas letras, que não eram apenas letras, mas tinham profundidade e lirismo. Quer dizer, ainda tem, porque ele continua na ativa.


Nome: Ghost
Estilo: Heavy Metal
A banda que ficou modinha por conta da sua performance que assusta religiosos, e famosa por conta do Rock In Rio, não poderia estar de fora dessa lista. Com fortes influências de Mercyful Fate/King Diamond, a banda tem um senso de teatralidade que busca passar terror e morbidez, um objetivo alcançado se pensarmos que estamos diante de sacerdotes negros comandados por um papa cadavérico, simbolizando um lado negro da instituição religiosa que mais promoveu morte em nome de seu deus. É um papel digno e representado com precisão, com influências musicais de Black Sabbath, Mercyful Fate e Venom, que se você estiver disposto a ouvir, vai perceber que não é um som infernal, pesado, nem barulhento, mas calcado na melodia. Isso certamente decepciona (ou surpreende) as pessoas que ouviram falar para caramba de Ghost e nunca tinham tido oportunidade de conferir a banda de perto. Confira aí:


Nome: Powerwolf
Estilo: Power Metal
É outra banda que busca transmitir obscuridade na sua atitude e estilo, mas tendo como inovação a sonoridade Power Metal aliada aos elementos e melodias dark (especialmente um órgão, que deixa tudo mais clerical e soturno). Não é preciso dizer que o Powerwolf se promove mais com sua roupagem, mas outro destaque da banda são suas letras temáticas sobre lobisomens e envolvimento com o Cristianismo, criando histórias sobre cruzadas, sede por sangue, padres que são lobisomens secretamente, entre outras coisas que fazem um mais religioso fervoroso acredita que eles são porta-vozes de uma seita satânica licantropa. Nascida em 2003, já tem seis álbuns lançados e boxes, que são relançamentos de seus próprios álbuns. Pra que, né?


Nome: Black Metal
Estilo: Black Metal
Escolher uma única banda de Black Metal pra representar o movimento inteiro não é tão eficiente quanto descrever o próprio movimento... e sua tara por maquiagem. A maquiagem no Black Metal tem nome próprio: corpse paint (pintura de cadáver), é sempre preta e branca e seus desenhos devem mudar de acordo com os objetivos das bandas e integrantes. Pode ser um motivo simples como apresentar uma estética anti-mainstream e causar impacto, ou representar mensagens ou emoções. Essa estética foi adotada na 2ª Onda do Black Metal, a fase clássica que determinou as características mais importantes do estilo em termos de musicalidade e estética. O problema disso é que não vemos o corpse paint como uma coisa realmente impactante, só alguuumas poucas maquiagens mais trabalhadas como a do Gorgoroth, que é toda borrada e com aparência suja e gasta. Já maquiagens como do Immortal parecem uma homenagem a banda KISS. A origem do uso do corpse paint é incerta, mas convencionou-se que surgiu pelo King Diamond, inspirado em Alice Cooper, que teve influência de Arthur Brown, um músico de Rock sessentista - que só não tem um tópico próprio neste artigo por ser underground demais.


Nome: Buckethead
Estilo: Rock Instrumental
Esse sim usa máscara de verdade, e de bônus um balde de frango frito na cabeça e um cabelo longo que parece de mentira. Esse visual dá um impacto um tanto chocante, pra não dizer excêntrico e assustador. Um cara com face mascarada limpa de expressões é o tipo de coisa que você não desejaria encontrar numa rua escura, mesmo que ele tocasse solos de cair o queixo e te deixar maravilhado, você pensaria que é um doido varrido psicopata que quer te golpear com sua guitarra até a morte. Mas deixando isso de lado, os solos de cair queixo citados são exatamente o que Buckethead faz, sendo um guitarrista solo virtuoso que compõe obras com personalidade. Outra característica notável é sua discografia, que totaliza 141 álbuns de estúdio (sendo a maioria em formato digital), 10 canções não lançadas em álbuns e alguns EPs e demos. Se você tinha alguma dúvida de que ele era humano, agora pode ter certeza de que ele não é.


Nome: Pussy Riot
Estilo: Riot Grrrl
Riot Grrrl é um subgênero do Punk Rock que tem como característica a sua militância pelo Feminismo. O quê? Feminismo? Aquele movimento de mulheres mal-comidas de suvaco peludo que odeiam homens? É, exatamente... se sua mente for fechada e você só estiver aberto a preconceitos e estereótipos. O Punk Rock tem a tradição de protestar contra os dogmas sagrados da sociedade e do sistema, portanto é digno que o Feminismo seja representado no Rock também. E a militância do grupo Pussy Riot é tão conhecida por suas letras políticas quanto por protestar contra o primeiro-ministro do seu país, Vladmir Putin. Elas também são conhecidas por fazerem performances extemporâneas como forma de protesto, e a que mais deu treta foi em março de 2012, quando trÊs integrantes da banda foram protestar dentro uma catedral contra Putin, onde começaram a cantar em frente ao altar. Elas foram presas por "intolerância religiosa" e daí que veio a frase "FREE PUSSY RIOT!" criado por simpatizantes das causas da banda - uma frase que você com certeza já viu, mas nem sabia do que se tratava. Na verdade o caso da banda Pussy Riot é apenas a ponta do iceberg de uma grande crise política na Rússia, que não cabe neste artigo pra explicar. Pra vocÊ aí que achava que o Punk estava morto, ele nunca esteve, só esteve fora da mídia. Mas às vezes dá o ar de sua graça a nós, povo que vive no mainstream.


Nome: Lordi
Estilo: Hard Rock
Esses caras fazem mais que usar máscaras, usam fantasias completas! Ou melhor, eles não usam fantasias de monstros, eles SÃO monstros. pelo menos é isso que eles dizem nas entrevistas, quando são perguntados sobre suas identidades verdadeiras: "essas são nossas faces reais!". Essa atitude foi inspirada no KISS, e o figurino foi inspirado na banda de Thrash Metal Gwar, que também usa fantasias (e que este autor não quis listar por preguiça). E o Lordi toca um Hard Rock monstruoso com técnicas e efeitos de produção que deixam sua sonoridade diferente do usual, um tipo de Rock Industrial, mas aceitável pros padrões rockeiros e não-alternativos, e especialmente explosivo. O Lordi incorpora tanto seus personagens que fazem shows de fantasia, são fotografado de fantasia, dão entrevistas de fantasia, e quando resolvem tirar as fantasias, sempre ficam de costas para todos, pra que ninguém veja o humano por trás dos monstros. E se essa proteção à identidade rigorosa não te convenceu, ela é tão séria que jornais (sérios) já tentaram diversas vezes flagrar os integrantes sem fantasia, e nas vezes que conseguiram, os leitores dos jornais reclamaram para caramba e fizeram os jornais pedirem desculpas pelo inconveniente. Muito bonito ver os próprios fãs contribuindo pra essa maluquice!


Nome: Hevisaurus
Estilo: Heavy Metal
Outra banda fantasiada... Você já conheceu duas, Lordi e Gwar, e agora você conhecerá a versão Heavy Metal do Barney! O grupo finlandês Hevisaurus tem a curiosa proposta de tocar Metal para crianças, e por incrível que pareça, elas acham isso super legal - até porque a banda não é nada assustadora, o que assusta mesmo são palhaços! A sonoridade do Hevisaurus também não deixa a desejar, só é ligeiramente mais melódica e infantil, o que prova uma coisa: não é só de Galinha Pintadinha que as crianças podem gostar. E se você acha essa história de barneys heavy metal maluca o bastante, vai gostar de saber também que em 2011, os integrantes da banda tiveram brigas com sua gravadora Sony Music por conta de direitos de imagem, músicas e nome, o que fez o baterista Mirka Rantanen (nome de verdade dele, não seu nome de dinossauro artístico) criar uma solução para resolver o impasse: continuar tocando sob outro nome. Daí surgiu o SauruXet, que é essencialmente o mesmo Hevisaurus. Ou seja: além dinossauros poderem tocar Metal para crianças, eles também levam seu trampo a sério o bastante para criar problemas com a gravadora! E o estranho dessa história toda, é que o Hevisaurus não acabou! Ele continuou existindo, enquanto o SauruXet lançou um disco em 2011. Depois, ele acabou em maio de 2012 e o Hevisaurus continuou vivinho da silva, e nem a gravadora, nem a banda deram explicações sobre a confusão. Vai ver os dinossauros finalmente comeram quem estava criando problemas na gravadora, ou sabe-se lá o que aconteceu,


Outras bandas mascaradas: The Berzerker, Secos e Molhados, Ten Masked Men e Los Straitjackets. E ai de quem falar SlipKnot e Mushroomhead.

Espero que tenham ficado mais inteirados sobre como o mundo do Rock/Metal pode ser bizarro. Adeusmetal.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Dica do dia

(qualquer semelhança com sites que dão dicas de bandas, é mera coincidência)

Muita gente fala que eu só posto Death Metal técnico sueco com influências do Metal Melódico Progressivo da Birmânia, então hoje vou postar uma banda de Deathcore sueca que faz uma mistura muito inteligente de Blackened Doom Death Metal com levadas de Melodic Speed Metal Extremo e com algumas pitadas de Depressive Pagan Metal e Death 'n' Roll. O Glaskol nasceu em 2004, e já lançou dois discos e cinco EPs, e ao longo do tempo conseguiu mudar um pouco seu estilo para adicionar umas levadas mais épicas de Darkened Gothic Metal Sinfônico, e é uma ótima pedida pra quem já conhece e curte Gorefest, Opeth, Riverside e Suidakra. E também é um prato cheio pra quem curtiu a banda da dica de ontem! E a de anteontem. E a de todos os dias anteriores, porque raramente a dica do dia mostra algo diferente de Post-Avant-Garde Sweden Extreme Crossover Pagan Speed Epic Sludge Drone Funeral Celtic Dark Doom Crust Splatter Groove Djent Stoner Blackened Technical Suicidal Death Metal Sinfônico Progressivo Melódico Industrial Neoclássico.

E amanhã teremos uma banda sueca de Grindcore Folk Viking Medieval Celtic Death Metal, com influências de Punkgore Progressivo Indiano e que nasceu em 2003. Alguém arrisca qual é?

quinta-feira, 28 de maio de 2015

As 101 regras do Metal Sinfônico

Bem-vind@s a mais uma lista de 101 regras, uma brincadeira tradicional no meio do Metal que é listar um monte de características comuns e estereotipadas dos estilos de Metal e enumerá-los em forma de regrinhas. No Whiplash, você pode conferir 101 regras do Power, Thrash, Death, Black, e entre outros estilos, incluindo o Gothic Metal, que é de longe a pior e mais sem graça lista de todas. Foi ela quem fez motivou este autor a fazer estas 101 regras do Metal Sinfônico. Porque ele não faz do Gothic Meta? Ora, porque Gothic Metal não existe.

E vo-a-lá!


As 101 regras do Metal Sinfînico

01. Seja branco.

02. Nasça na Escandinávia ou na Holanda.

03. Tá bom, você pode ser brasileiro. Mas tente parecer com o Holiness.

04. Faça músicas em inglês.

05. Você pode experimentar compor em português, mas cuidado pra não parecer o Libra.

06. Não siga a regra #05. Não importa que sua base de fãs seja brasileira, japonesa, alemã, finlandesa, sueca, holandesa e até italiana, cante sempre em inglês.

07. Sua gravadora é a Nuclear Blast.

08. Invista pesado em marketing e imagem. Sonoridade boa é apenas metade do seu sucesso.

09. Seja dark.

10. Ser dark é se vestir de preto e assustar as pessoas a sua volta, mesmo que essa não seja a intenção. Mas é divertido, de qualquer maneira.

11. Diga que tem influências góticas, apesar de nunca ter ouvido nem Siouxsie.

12. Vista roupas góticas pretas vitorianas medievais de noiva cadáver. Ah, você é homem? Não importa!

13. Suas influências são Nightwish, Epica e Within Temptation.

14. Não, Evanescence não é uma influência pra você. Mas você pode gostar da banda. Escondido.

15. Sua banda deve ter um nome "dark". Ele deve fazer referência à natureza (Nightwish, Midnattsol (sol da meia-noite), Amberian Dawn, Moonspell, Unsun).

16. Ou fazer referências ao além ou a religiosidade (After Forever, Therion, Edenbridge, Paradise Lost, Apocalyptica).


17. Ou fazer referência à choradeira (Tristania, Lacrimosa, Trail of Tears).

18. Ou que simplesmente tenha "ia" no final (Sirenia, Tristania, Susperia, Xandria, Imperia, Krypteria, Aquaria, Avantasia, Mortemia).

19. As capas do seus discos devem ter azul, roxo ou preto como cores predominantes.

20. Pelo menos uma (ou duas, três, quatro, cinco...) das capas deve ter uma mulher sublime e imaculada.

21. Suas capas também devem ter os seguintes elementos: raios de luz, formas humanoides, jogo de luz e sombra, corvos, nuvens negras e demais coisas “dark”.

22. Tenha uma vocalista feminina.

23. Uma vocalista bonita! É ela quem vai fazer sua banda ficar famosa.

24. Demita ela em algum momento, e contrate outra vocalista pro próximo disco.

25. Repita a regra #24 sempre que quiser.

26. Se não quiser ter uma vocalista, contrate um vocalista que seja bonito ou pelo menos charmoso.

27. Contrate um tecladista que tem bacharelado em Música e faça-o ter destaque apenas nas introduções, plano de fundo e finalizações das canções.

28. Certifique-se de que ele vai ficar lá paradão só pressionando duas teclas na maior parte do tempo, pra dar aquele clima dark.

29. Contrate um guitarrista que aceite que não vai brilhar sozinho na hora do solo, pois vai ter que dividir espaço com o tecladista.

30. Contrate um baixista só pra cumprir a cota de instrumentistas típicos do Metal. Ele não vai ter nenhum destaque mesmo.

31. Baterista? Ah, pega qualquer um. Pelo menos ele vai fazer mais diferença que o baixista.

32. Mantenha uma média de uma demissão de integrante por disco.

33. Demissões rendem notícias, e assim o público lembra de sua banda.

34. E também fazem os fãs discutirem sobre qual formação preferem, te fazendo ser o "assunto da vez" muitas vezes.

35. Suas letras devem ter sempre temas sombrios ou íntimos, falando sobre vida e morte, sobre tempo e destino, sobre a busca pela verdade, questões abordando nossa frágil natureza humana que é destinada a perecer sem saber se há algo além do que o nosso invólucro carnal sente... essas coisas que pensamos quando estamos depressivos por dor de cotovelo.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Pedras e metais preciosos

O Rock nasceu com a formação Voz-Guitarra-Baixo-Bateria, mas com o passar do tempo essa pedra foi agregando novas partículas e mudando sua composição, gerando novos elementos químicos, moléculas, famílias e etcs. Para acompanhar essa evolução, este autor vai fazer uma lista de bandas ou gêneros que fogem da formação anteriormente dita, mostrando e explicando estes novos elementos com os leitores.

E é bom que vocês tenham conhecimento básico de Química de Ensino Médio, senão vão ficar boiando com os termos


Séries Musicais Esquecidas
As Séries Musicais Esquecidas são conjuntos de elementos químicos que apresentam as mesmas propriedades físicas e químicas (bandas que apresentam mesmos instrumentos e sonoridades), mas que são ignoradas na Tabela Periódica (ignorados pelas pessoas que lembram dos gêneros mais famosos como Punk, Progressivo ou Hard). Aqui vai uma lista deles:

AOR
AOR é um subgênero que muitos conhecem e poucos sabem que se trata de AOR! O termo inicialmente não era usado como um subgênero, mas descrevia a iniciativa de certas rádios estadunidenses que não focavam em tocar apenas singles e hits das bandas de Rock e Rock Progressivo da época. Essas rádios tocavam as músicas que queriam das bandas que queriam, e às vezes até tocavam álbuns inteiros. E como pode imaginar, essas rádios não tinham grandes interesses comerciais. Daí vem o significado do termo AOR: Album-Oriented Radio (Álbum orientado ao rádio).

Mas isso foi na década de 70. Já na década de 80, a maioria das rádios se limitava a tocar apenas os hits e singles das bandas, e assim as bandas se dedicavam a fazer músicas mais comerciais e assimiláveis para chamar atenção do público e "estourar nas paradas de sucesso". Até hoje as bandas fazem isso, fazem uma canção mais comercial pra tocar na rádio e mostram suas verdadeiras habilidades no seus álbuns. E foi assim que várias bandas de Hard Rock fizeram músicas com o intuito de serem mais assimiláveis e pop, dando-nos estes clássicos que conhecemos, ouvimos e amamos até hoje.



Notou os tecladinhos, refrões pegajosos, melodias simples e quase inexistência do peso e da acidez característicos do Rock? Pois essas foram as fórmulas que as bandas assumiram para serem um sucesso.

Tiveram também bandas underground e desconhecidas que se especializaram nessas características (especialmente nesses tecladinhos eletrônicos) e se dedicaram a integrá-las à sua identidade. Foi aí que o AOR (agora chamado de Album-Oriented Rock) se tornou um subgênero para caracterizar esse tipo de Rock melódico.



E essas últimas duas bandas são ativas até hoje, pra mostrar como o Rock Melódico ainda vive!

terça-feira, 26 de maio de 2015

Desgosto cotidiano

O que se segue agora é uma história verídica deste autor.

NAQUELES DIAS ele estava registrando suas escrituras sentado no banco de um famoso parque ecológico no Rio de Janeiro, com seu pergaminho e pena de ganso mergulhado na tinta nanquim prontos em mãos para escrever. Um bom tempo se passou. A ventania balançava os cabelos do profeta e revelavam sua camisa estampada com o anjo que é símbolo do Led Zeppelin.

Eis que apareceram dois pagãos dirigindo um veículo de passeio (como este), que avistaram a camisa do profeta. E eis que eles fizeram o \m/ com a mão e gritaram para o profeta:

"É O ROCK! É O ROCK! É O ROCK! É ROCK! AE ROCKEIRO! ROCK AND ROLL!!! EEEEEEEEEE"

E se afastaram com a trajetória da veículo. A reação do profeta foi esta:

Palavra da salvação.

Todos: Glória a vós, Senhor.

Sintam-se livres para dar seus testemunhos de desgosto cotidiano também, irmãos. Enquanto isso, fiquem agora com o sermão do pastor Dewwytto, e adeusmetal.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Letras traduzidas [05]

Música perfeita para tocar em festas de casamento.
(Elvis Presley - Jailhouse Rock)

Isso sim é uma banda que honra a frase "dorgas, mano".
(Cream - Sunshine of Your Love)

Esses ateu tão ferrado, vão ser condenados ao lago eterno de café quente-quente-pelando.
(Nile - Kafir!)

Esses adolescentes...
(Uriah Heep - Gypsy)

Poxa, eu entendo que você não pagou suas contas, mas não precisa mudar da Terra! Tem quarto de aluguel barato por aqui! -n
(Europe - The Final Countdown)

CHUPA, seus amadores!
(Twisted Sister - Love Is For Suckers)

Foi nessa música que o Tiririca se inspirou.

(The Who - Who Are You)

Geleia de acerola.
(Pearl Jam - Alive)

domingo, 24 de maio de 2015

Modernidade

Você já ouviu falar em Modern Rock e Modern Metal? Esses rótulos estão aparecendo nas notícias de sites/revistas especializadas, mas principalmente em resenhas que comentam que "essa banda apresenta uma sonoridade com influências do Rock Moderno" ou que está "tipicamente Metal Moderno". Mas que rótulos são esses?

Diferente do que foi pesquisar sobre Gothic Metal e Grunge, onde a internet ofereceu várias fontes, material de pesquisa e etc, este autor não encontrou NENHUMA fonte para explicar o que é Modern Rock/Metal. Então este autor fez uma pesquisa parcelada, ou seja, foi por etapas. Primeiro ele levantou questões, e depois procurou respostas para essas questões, e foi obtendo os dados necessários até chegar às suas conclusões. A primeira pergunta que ele fez foi: de onde surgiu esse termo "Modern Rock/Metal"?


Etimologia
O termo "Modern Rock" surgiu lá pela década de 70 (vejam só!), quando bandas alternativas de Post-Punk e New Wave estavam florescendo. Ou seja, as pessoas da época passaram a usar a palavra "Modern" para descrever tudo que estava aparecendo de novo naquele período. Era como nós hoje, que estamos presenciando essas transições e nos perguntando "que raio de estilo é esse", e concluindo que "é uma coisa nova, uma coisa moderna". Foi assim que o termo Modern Rock foi sendo usado para rotular todas as bandas que tinham sonoridades consideradas diferentes e novas para a sua respectiva época.

Na década de 70-80, o Modern Rock era o Post-Punk, o New Wave, o Rock Alternativo em geral e até o Sleaze, que é um estilo baseado no Glam Rock, onde se inseriam efeitos eletrônicos na sonoridade e produção das músicas.

Na década de 90, o Modern Rock já incluía o Pop Punk, Pop Rock, Grunge, Rapcore (e Rap Metal, que é basicamente a mesma coisa) e várias vertentes do Rock Alternativo, como Math Rock, Noise Rock, Rock Industrial e Post-Rock.

No Metal esse termo apareceu mais tardiamente, em meados da década de 80 onde bandas extremas (de Thrash, Doom e Death) começavam a fazer experimentações que fugiam do comum, fazendo assim o Groove Metal, Drone Metal, Stoner Metal, Sludge Metal e Death Doom Metal. Mas se você nunca ouviu falar nesses subgêneros, nãos e sinta mal. Na verdade é até bom que você nunca tenha ouvido falar neles, pois não está perdendo nada! Acontece que headbanger é bicho chato, e gosta de dar nome em tudo, até nas coisas que não fazem muita diferença.

Já na década de 90, o Modern Metal passou a rotular as bandas de Metal Neoclássico, Metal Alternativo, Metal Industrial, Post-Hardcore, Death Metal Melódico, Death Metal Técnico e Black Metal Sinfônico e Blackened Death Metal, além de outros subsubgêneros inúteis.

Depois dos anos 2000, praticamente tudo foi chamado de Rock e Metal Moderno: Indie, Emocore, Nu Metal, Metalcore e outras vertentes do Rock e Metal Alternativo.

Mas atualmente, o Modern Rock/Metal deixou de rotular as bandas e estilos não-convencionais pra nossa época. Agora ele está rotulando também bandas que já são conhecidas do público e subgêneros que já estão consolidados. Ou seja, praticamente tudo agora é Modern Rock e Modern Metal! E antes que você surte, este autor explica esse fenômeno logo abaixo.


Os 2 fatores
Existem dois fatores que são determinantes na rotulagem do Rock e Metal como "modernos", um deles é a sua produção. Nós, velhos amantes do Rock, já estamos acostumados a ouvir as gravações analógicas que captam aquela sonoridade ambiente, com efeitos de distorção vívidos e clima natural, sem nenhum artificialidade. Estamos acostumados a isso por estarmos focados no Rock antigo, naquele som mofado do Deep Purple tocando "Nobody's Home" com toda a garra dos anos antigos... aí quando ouvimos uma coisa como essa abaixo...


... já pensamos: "Caramba que efeitos de produção! Eta mixagem arretada! Isso é muito moderno!!!!". E realmente, muitas bandas de Rock novas são rotuladas como "Modern Rock" apenas por terem os típicos sons límpidos da produção digital, com alguns poucos efeitos de produção inseridos.


Até bandas velhas podem ser rotuladas como Rock Moderno, desde que elas tenham uma produção digital... e se rendam ao outro fator necessário para serem rotuladas de modernas. Esse outro fator é a mistura.

O ecumenismo chegou ao Rock e Metal! Viu como a música do Aerosmith pareceu mais poderosa e inovadora apenas com algumas técnicas, riffs e andamento diferentes? Esse é o caminho do Hard Rock atualmente, que respira na fonte de vários estilos, recebe várias influências e tenta coisas diferentes, ficando... "moderno".

Por enquanto esse fenômeno da modernidade (boa produção e misturas) no Rock está restrito ao Hard Rock - até porque muitas bandas atuais buscam resgatar a sonoridade "old-school".

Já no Metal, a modernidade atingiu praticamente todos os subgêneros consolidados, e grande parte das bandas novas são praticamente impossíveis de classificar.

Bandas de Metal Alternativo se mostram com uma sonoridade mais habilidosa e técnica, o que chega a agradar até os ouvidos mais puritanos que não gostam de coisas alternativas...


Bandas Industriais não focam apenas em abafar os riffs de guitarra com efeitos escrotos à lá Marilyn Manson, mas se preocupam mais com a sua instrumentação e em como deixar sua sonoridade mais poderosa e enérgica com os sons eletrônicos...


Bandas de Heavy Metal podem fazer experimentações inusitadas e até unir o peso do Thrash Metal com a melodia do Power Metal de raiz (aquele que não é cheio de orquestrações e firulas típicas de um Rhapsody of Fire), fazendo um Metal inovador e digno de nota...


Bandas de Metal extremo (especialmente as de Death Metal) estão ficando tão versáteis ultimamente, e é muito comum vermos bandas sendo rotuladas como Extreme Melodic Technical Progressive Blackened Death Metal Sinfônico. Ok, este autor deu uma exagerada, mas é muito comum vermos bandas com, pelo menos, uma ou duas dessas nominações ao mesmo tempo.


E tem bandas que tem tanta mistura que a gente nem consegue definir de onde elas vem, o que elas tocam, quais suas influências, mas as mil sonoridades combinadas acabam formando um som inegavelmente inovador.


Com tudo isso, concluímos então que O Modern Rock e Modern Metal não são somente rótulos, mas nominações que damos quando encontramos bandas que fazem um som diferente pra nossa época, com experimentações e inovações que desafiam nossas capacidades de... rotular as coisas.

Esse fenômeno da "modernidade" é algo natural e corriqueiro, que não acontece só dentro do Rock/Metal. Esse fenômeno é uma resposta ao antigo, uma inovação necessária, um caminho previsível que é tomado pelas pessoas quando querem fugir do previsível. Como o ser humano tem uma vontade inerente de querer sempre inventar novas coisas e criar novas tendências, essa "modernidade" sempre vai acontecer.

E esse fenômeno isso deixa uma lição adicional para as criaturas que sentem necessidade de definir, rotular e classificar tudo: não dá pra fazer isso enquanto ainda estamos vivenciando esse processo de transição, enquanto ainda vivemos no presente. No futuro, certamente inventarão nomes para definir as bandas que são chamadas de Modern Rock/Metal hoje em dia. E outras bandas do futuro serão chamadas de "modernas". Ou não! Talvez as bandas modernas de hoje sejam apenas pontos fora da curva, sejam só bandas diferentes do habitual e não criem novas tendências ou novos movimentos.

Se há alguma certeza sobre esse assunto, é que só o futuro nos dá uma visão ampla das coisas e maior capacidade de análise. Enquanto ainda estamos no presente, vivenciando na pele essas mudanças, somos incapazes de fazer uma análise crítica e conclusiva dos acontecimentos.

E talvez, no futuro, deixemos de nos importar tanto com rótulos e classificações, e finalmente aprendamos a fazer o que deveríamos fazer desde o início: apreciar a música. Dane-se que nome ela tem ou de que a chamam. Se é boa, se satisfaz os ouvidos, ótimo. Vamos deixar de frescura e ouvir a música? Obrigado!

Este autor fica por aqui, deixando um sermão para si mesmo. Ele adora classificar e nomear as coisas, então ele precisava disso. E se você precisa também, pare! Como já dizia os Titãs, cala a boca e aumenta o volume! Adeusmetal.

sábado, 23 de maio de 2015

O tal do Movimento Grunge

Este artigo tem o mesmo objetivo de "O tal do Gothic Metal", que é destruir as ilusões rockeiras e esfregar-lhes verdades arrebatadoras em suas fuças vulneráveis. E uma das ilusões mais recorrentes é a de que existiu um Movimento Grunge. Houve sim uma série de bandas de Seattle que ficaram famosas no mesmo período, mas esse acontecimento teve menos importância do que se acredita, e por motivos que não são tão "míticos" assim. Tanto é que dizem várias coisas sobre o Grunge que não tem sentido nenhum: que ele se originou no meio da década de 80, que ele é uma mistura de Heavy Metal com Punk Rock com Rock Psicodélico com Hardcore com saladas sortidas, que ele tinha o objetivo de se expressar contra "tudo que está aí", entre outras mistificações acerca de um acontecimento que foi superestimado. Ah, também dizem que o Grunge matou o Rock, outra inverdade entre tantas outras que você vai conferir abaixo.


A cidade

Seattle é uma cidade caracterizada como portuária, bastante voltada para o comércio e tecnologia, sendo também a mais populosa do estado de Washington. A cidade é conhecida no mundo por ser um centro tecnológico onde várias empresas de software, internet e biotecnologia se desenvolveram, e também por ser um centro comercial e de construção naval. O turismo também é parte importante da cidade, onde uma das suas atrações principais é o Obelisco Espacial. Mas isso você não quer saber, é só pra apontar como é uma cidade chata e sem muitos atrativos extraordinários.

Apesar de ser o berço de Quincy Jones, Ray Charles e outros artistas de Jazz, como também ser o berço de Jimi Hendrix, não houvera até então um acontecimento que marcasse Seattle nas folhas de livros especializados de arte e cultura... Até o álbum "Nevermind" do Nirvana ser lançado. O movimento Grunge na verdade poderia ser resumido com uma única frase de cinco palavras: É tudo culpa do Nirvana. Por causa dele, a cidade recebeu uma torrente de repórteres e jornalistas ávidos para descobrir mais sobre o monte de bandas daquela cidade que alcançaram o estrelato repentino e ficavam no topo das paradas musicais.

Só que eles não encontraram muito sobre o que falar. Nem havia exatamente uma "cena musical", já que a cidade não tinha circuitos de clubes decentes, nem festivais culturais. E quando as bandas conseguiam se apresentar em um poleiro chinfrim, digo, algum clube noturno ou casa de show, conseguiam O INCRÍVEL NÚMERO DE algumas dezenas de pessoas pagantes. E eram sempre as mesmas pessoas, em todos os shows. E pior: boa parte dessas pessoas eram integrantes de outras bandas.

Segundo o guitarrista do Soundgarden, Kim Thayil, "Naquela época, tocávamos sem pensar no sucesso e na fama, mas simplesmente porque queríamos impressionar nossos amigos. Era uma cena com base nas amizades e aquele era um dos motivos pelo qual as bandas se apoiavam, em vez de competirem".

Essa situação fazia com que as bandas existentes não tivessem muita perspectiva e esperança de se sustentar tocando pela cidade, o que as forçava a se profissionalizar e buscar por gravadoras para realmente ganhar a vida. Assim, as bandas ensaiavam nas garagens e porões de suas casas para assinar com a única gravadora independente mais disponível na época: a Sub Pop. Ela quem deu suporte e lançou singles, demos, álbuns e coletâneas das bandas de grunge, sendo considerada a mãe do Grunge.

Falando nisso, o termo grunge vem de "grungy", que significa sujeira, imundície, e caracterizava bem as bandas da Sub Pop e sua sonoridade cheia de distorção, crua e orgânica. Essa "podridão" era a única característica que essas bandas tinham em comum, já que uma puxava mais pro Metal, outra soava mais Punk, outra era mais experimental, outra era alternativa... O subgênero mais adequado pra rotular tais bandas certamente seria o Rock Alternativo, pois nenhuma delas se encaixava em algum subgênero tradicional do Rock.

As origens do termo "grunge" (ou "grungy") são desconhecidas. Geralmente se atribui a sua popularização ao músico Mark Arm, que utilizou a palavra numa carta que enviou em 1981 ao zine Desperate Times, que reclamava da banda Mr Epp and The Calculations dizendo que ela era "Puro grunge! Puro barulho! Pura merda!". O detalhe é que Mark Arm era vocalista da banda. Jeito estranho de fazer auto-propaganda, não?

Depois o termo foi utilizado uma segunda vez pela própria Sub Pop, para descrever a nova banda de Mark Arm, o Green River"Um grunge ultra descolado que destroi as morais de uma geração!", dizia o material promocional. Depois o termo foi amplamente usado por publicações do Reino Unido em 1989, publicações que ficaram bastante interessadas nas bandas da Sub Pop. Foram elas quem começaram a utilizar o termo grunge como substantivo ao invés de adjetivo, descrevendo o nome de um movimento ao invés de um estilo musical.

Aí o Nirvana lançou o "Nervemind", fez um sucesso do caramba e a imprensa tratou de consolidar o "movimento grunge".


As bandas
Vamos listá-las por ordem de nascimento:
  • 1979 - Fastbacks
  • 1980 - Malfunkshun
  • 1981 - The U-Men
  • 1983 - The Melvins
  • 1984 - Soundgarden, Green River (formada pelos integrantes do Mr Epp and The Calculations e do então falecido Malfunkshun)
  • 1985 - Screaming Trees, Skin Yard, L7
  • 1987 - Alice In Chains, Nirvana, Babes In Toyland, Mono Men
  • 1988 - Mother Love Bone e Mudhoney (as duas nascidas dos integrantes remanescentes da então falecida Green River), Blood Circus, Tad, Stone Temple Pilots, Live
  • 1989 - Love Battery, Hole, Gruntruck, Willard, Seaweed, Gas Huffer
  • 1990 - Pearl Jam (nascida a partir de integrantes do então falecido Mother Love Bone), 7 Year Bitch, Paw, My Sister's Machine
Como o disco "Nevermind" foi lançado em 1991, este autor deixou de listar as bandas que nasceram a partir desse ano.

E como dito antes, as bandas grunge tem diversos estilos sonoros. Uma puxava mais pro Metal, outra mais pro Punk, outra pro Alternativo, e etc. Assim, essa lista foi feita com bandas que ficaram rotuladas e conhecidas como grunge.

E é bom ressaltar que algumas bandas listadas nem eram de Seattle, mas de cidades vizinhas. Outro detalhe importante é que elas não ficaram na Sub Pop por toda a vida. Depois que ganharam a atenção da mídia, a maioria delas assinou contrato com outras gravadoras mais poderosas. O próprio Nirvana foi para a Geffen Records.

A maioria das bandas ficou indignada por ser rotulada como grunge, pois esse termo diminuía seus valores individuais e transformava sua arte numa moda comercializada. Até Mark Arm, que dizia que tocava Punk Rock, detestou ter iniciado essa moda, mas não tinha poder de acabar com ela. "Parecia uma maneira de rotular toda banda que vinha de Seattle. Os grupos não tinham o mesmo som, mas, de repente, o que era um adjetivo se tornou um substantivo", disse.


O culpado
Foi esse o safado que começou tudo. Não, não, o bebê é inocente. Foi esse disco o culpado, o big bang do Movimento Grunge. "Nevermind" vendeu 35 milhões de cópias no mundo todo, ficou no topo das paradas de Billboard superando Michael Jackson, sendo um dos álbuns mais vendidos do mundo todo até hoje. No início, a gravadora tinha produzido apenas 46.251 cópias de "Nevermind", que se esgotaram rapidamente, deixando os fãs esperançosos por mais cópias por duas longas semanas e registrando um dos raros momentos na indústria musical moderna onde houve a escassez de um álbum.

Tudo bem, há uma inversão do ônus da culpa aqui. O culpado do "Movimento Grunge" existir não é o Nirvana, é a mídia. Imagine a situação: você mora numa cidade qualquer e sem notoriedade no Rock. Um dia o seu disco vende como água e a mídia mira todos os holofotes do mundo em cima dos seus olhos. Não só nos seus olhos, mas nos olhos das outras bandas da sua cidade, já que a mídia descobre a coisa mais óbvia do mundo: toda formiga vem de um formigueiro. Então a mídia procura as outras bandas da cidade, botou bandas de diferentes estilos no mesmo saco, e ainda te consagra como o líder de um "movimento" que não existia até aquele momento. Loucura loucura, não é? Agora você sabe um dos motivos pelo qual Kurt Cobain "não conseguia lidar com a fama".

O Movimento Grunge nada mais é do que um punhado de bandas de uma cidade (e de cidades vizinhas) que não tem nenhuma característica essencial em comum sendo propagandeadas como "o novo suprassumo do Rock, os novos representantes de uma geração, os líderes de um sentimento de revolta e insatisfação, os blá blá blá (...)". Como escreveu a revista Entertainment Weekly, "Tal nível de exploração de uma subcultura não acontecia desde que a imprensa descobrira o hippies nos anos 1960". A diferença entre o Movimento Hippie e o Movimento Grunge é que o primeiro movimento queria ser reconhecido, tinha realmente causas a apoiar e lutar, tinham trejeitos próprios, estilo de roupa própria e bandas com sons e temas padronizados. O Grunge não tinha nada disso.

Quer dizer, tinham alguuuumas coisas em comum, que não eram de propósito. Por exemplo as letras das bandas grunge eram conhecidas por representar a apatia e a desesperança de uma geração que está cansada de simplesmente... tudo. Bem, esse é o tema recorrente que você vai encontrar em bandas underground. Por exemplo, pegue aquela banda que ficou conhecida pela Globo, aquela que tocou "I Don't Wanna Miss a Thing" do Aerosmith, qual é mesmo o nome? Malta! Isso, Malta! Ela faz um relativo sucesso por sempre fazer letras envolvendo alguém especial, amor, relações e coisas do gênero. E você quase não encontra temas diferentes desse no mainstream. Já no underground, letras sobre o cotidiano, problemas, inquietação, cansaço, insatisfação e sarcasmo são comuns. Ou seja, não é que as bandas grunge tenham esses temas em comum, são as bandas underground em geral que tem esses temas.


A moda
Mas e as camisas de flanela? E as roupas surradas, esfrangalhadas e maltrapilhas que as bandas usavam? Bem, não eram TODAS as bandas que usavam, muito menos todos os integrantes, pra começo de conversa. E o costume de usar camisa de flanela era cultural da cidade, já que ela era perto da fronteira com o Canadá, onde haviam lenhadores que só usavam camisa de flanela.

Além disso, as bandas que usavam roupas surradas não o faziam por estilo, mas por pobreza mesmo! O estilista Jean Paul Gaultier disse em 1993 uma verdade: "O grunge nada mais é que o modo como nos vestimos quando estamos sem dinheiro".

Não era a primeira vez no Rock que os artistas "lançavam tendências". Elvis Presley fez vários homens adotarem costeleta e topetão. Os Beatles fizeram vários cortarem o cabelo no estilo cuíca. Axl Rose fez o kilt vitar cult. Jimi Hendrix fez as faixas amarradas na testa subirem de nível. Mas no caso do Grunge, foi tudo acidental. Kurt Cobain, Layne Staley, Chris Cornell, Eddie Vedder (esse usava bermudão) se vestiam como sempre se vestiam, mas de repente um monte de fãs abobados quiseram adotar o "estilo" deles.

E a mídia e a moda se aproveitaram disso. As revistas em geral começaram a se comportar que nem a Capricho, fazendo chamadas como "dicas para ser grunge", "como ter o visual grunge", "montando seu guarda roupa grunge", "vista-se grunge", enquanto a moda fez suas modelos magérrimas adornarem peças quadriculadas, botas militares, suéteres, calças jeans rasgadas e outras combinações nada a ver aleatórias que os estilistas inventavam. A moda também confeccionou peças caríssimas no estilo "grunge", que custavam os olhos da cara e que tinham a "aparência" de velhas e surradas. Quer dizer, pra que comprar uma roupa velha e gasta genuína, se você pode ir numa loja chique para comprar imitações de roupas velhas e gastas? Ah, e os novos xampus da época também vinham com uma nova fórmula para "parecer que o cabelo não está lavado há dias", acredite se quiser.

Sobre essa nova tendência da moda, um leitor da Vogue escreveu ao editorial da revista: "A sua concepção de moda grunge está completamente equivocada. Se a ideia é se vestir de modo simples, por que retratar modelos com peças de quatrocentos dólares? Ninguém que se identifique honestamente com o gênero de música rotulado como grunge irá pagar mil e quatrocentos dólares por um cachecol de caxemira (especialmente quando é possível comprar uma confortável camisa de flanela por cinquenta centavos no brechó da esquina)". Mas uma coisa esse leitor errou: nessa época de explosão do grunge, já não era possível achar camisas de flanelas tão baratas.

No fim das contas, o Movimento Grunge morreu com o suicídio de Kurt Cobain, mas a "moda grunge" permaneceu. Hoje, lojas de roupas sérias vendem jeans rasgados, e se você não vê nada de irônico nisso...


O fim
Ashes to ashes, dust to dust. The time clocks strikes and you obey, like a candle light that fade... O Movimento Grunge veio à ascensão com "Nevermind", e veio ao óbito com o suicídio de Kurt Cobain. A modinha terminou junto com o cara que a popularizou. As bandas grunge começaram a sair das paradas de sucesso, outras terminaram as atividades, e poucas bandas continuaram com a carreira firme e forte, entre elas o Pearl Jam, Melvins, Alice In Chains, Mudhoney, Foo Fighters (formado pelo ex-batera do Nirvana, Dave Grohl) Soundgarden, e outras poucas.

Em vida, quando era perguntado sobre o Movimento Grunge, Kurt preferia ignorar a pergunta, ou respondia com sarcasmo. Um dia um repórter lhe perguntou sobre a cena de Seattle, e ele respondeu que "Todas as cenas são relevantes, mas elas acabam se transformando em nada ou sendo esquecidas". E ele estava certo. Absolutamente certo. O movimento Grunge ocupou o lugar do Glam Rock/Hard Rock. Antes dele, veio o Punk Rock inglês e americano. E depois do Grunge veio o "Punk Rock Californiano" do Green Day, Blink 182, Rancid, NOFX, The Offspring, entre outros. Toda cena tem seus 15 minutos de fama duradouros enquanto duram.

É assim que a mídia opera. Quando ela vê uma cena local, espontânea e diferente do convencional, vê potencial lucrativo nela e a vende. Até "dá valor" a ela, se necessário, superestimando-a e propagandeando-a sem parar. E quando as vendas estão caindo, tratam logo de vender outra cena.

Os radicais que adoram dizer que "o Grunge matou o Rock de verdade" agora podem parar de dizer essa frase de efeito sem embasamento e entender que foi a mídia quem matou o "Rock de verdade". Afinal, o "Rock de verdade" ainda está aí, vivo no underground.

***
Era pra esse artigo terminar com alguma lição ou conclusão arrebatadora, mas todas as lições já foram dadas, então... adeusmetal.

Ah, geralmente este autor não diz quais são suas referências e fontes de pesquisa, mas desta vez ele abrirá uma exceção. Foi o livro "Kurt Cobain -  A Construção do Mito" que ajudou este autor em grande parte deste artigo, desde as informações essenciais até o seu tom e objetivo.

Agora finalizamos mesmo. Adeusmetal.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Mistérios do Rock

O Rock é um dos estilos musicais (talvez O estilo musical) mais cheio de lendas e boatos sobre seus artistas, músicas, shows, etc. Dizem que o Paul McCartney que está aí vivo é um sósia, que o KISS é uma cópia do Secos e Molhados, que Keith Richards trocou todo seu sangue infectado por um saudável, que Elvis Presley vai ressuscitar, etc.

Mas você já sabe de todos esses boatos e lendas, por isso este autor vai apontar mistérios que realmente importam e que não foram solucionados até hoje! Por exemplo:

Como um estilo de música festeiro, hippie e drogado cujo nome é uma gíria para sexo ("rock and roll" seria como "rala e rola") e que causou a revolta da classe média racista se tornou tão... tão... assim?
Tão... desse jeito?

Como certos rockeiros ainda estão vivos?
Talvez a maldição do Pérola Negra tenha algo a ver com isso.

Por que rockeiros vivem criticando o cenário do Rock dizendo que ele está estagnado, sem criatividade e morto, mas continua gostando dele?

Aliás, por que eles tem tanto medo do Rock morrer e não haver bandas futuras para se tornarem novos clássicos, se eles são tão apegados aos clássicos e ao passado que nem escutam bandas novas?

E também, por que rockeiros reclamam tanto quando a banda que gosta muda uma coisinha na sonoridade ou na proposta dizendo que perdeu a essência, mas se a banda não mudar nada, ela está sem criatividade, está "mais do mesmo", está presa ao passado, está repetindo sua fórmula e está morta?
Enfim, não dá pra entender rockeiro.

Como rockeiros conseguem vestir roupas pretas em países tropicais?
Tem até gótico aqui no Brasil, gente. Isso tem que ser estudado.

Por que em tempos de alta tecnologia, as pessoas estão procurando por mais coisas antigas, como vinis?
Saudosismo? Fetichização das coisas velhas, digo, clássicas e "vintage"?

Por que as bandas não podem simplesmente manter seus integrantes originais?
Talvez 0,0000000000001% das bandas tenham atingido essa meta até hoje.

Por que certas bandas fazem músicas tão complexas, intensas e fodonas se nem conseguem tocar elas direito ao vivo?
Quem sabe faz ao vivo, bicho.

Por que o Japão sempre recebe mais materiais bônus?
Só porque eles inventaram o pikachu, hantaro e outros bichos fofos?

Por que o cabelo dos headbangers é melhor que o das headbangers?
Em compensação, as glândulas mamárias das headbangers são indiscutivelmente melhores.

Como artistas instrumentais conseguem batizar suas músicas?
Outra questão é como eles sobrevivem em suas carreiras solo.

Por que mendigos tem camisas de banda raras e melhores que as nossas?
Há uma teoria de que os mendigos são headbangers vagabundos, mas a ciência ainda não chegou a uma conclusão sobre esse fenômeno.

Por que Bob Marley, Michael Jackson, Amy Winehouse e outros artistas hereges são considerados estrelas do Rock?
No Brasil a coisa piora, até Skank é considerado do Rock.

Por que Frank Beard (barba, em inglês) é o único integrante sem barba do ZZ Top?
Só pra mostrar que as leis da natureza são irônicas?

Por que o Burzum não faz shows ao vivo?
Seria interessante ver o Vargão tocando tudo ao mesmo tempo.

Por que nunca vemos Bruno Sutter e Detonator no mesmo lugar?
Hummm.... Acho que descobri a identidade secreta do filho de Deus Metal. Não espalhem.

Por que James Hetfield fala tantos "yeah" e sempre exprime um "aaah" no final dos versos?
The day that never coooo-ooooooomeszAAAAAH!

Por que quando David Bowie é socado no olho, ele muda de cor de pupila, mas quando acontece o mesmo com a gente, só mudamos de cor ao redor do olho?
Fica roxo com preto com vermelho nas bordas, não fica tão legal.

Por que os rockeiros reclamam do Rock In Rio não ter Rock (e às vezes nem ser no Rio), mas não reclamam do Monsters of Rock por não ter monstros?
Nem tem o Manowar! E pior, nem tem nenhum monstro de pedra (monsters of rock)! O Coisa está puto com isso.

Talvez essas questões sejam respondidas algum dia. Ou não. Quem sabe. Até lá, adeusmetal.