quinta-feira, 23 de abril de 2015

O tal do Gothic Metal

Esse é um dos artigos com mais informações precisas e certeiras já feitos na Bíblia, então é bom prestar atenção, especialmente para que vocês conheça a verdade. Sim, a verdade, a verdade que é negada pelos que foram enganados e ignorantes em geral que não conseguem lidar com ela. E que verdade tão grande é esta, profeta? Eis que digo, caro leitor, que é uma verdade que foi escondida de você desde que você entrou nesse mundo do Rock: que o Gothic Metal não existe.

Existem várias bandas classificadas assim, vários críticos que classificam as bandas assim, várias revistas que usam esses termos, várias resenhas que falam sobre o "estilo" do Gothic Metal, até sites de download que usam "Gothic Metal" como subgênero. Mas, como você vai perceber ao longo deste artigo, Gothic Metal foi um grande engano que todo mundo acreditou. Este autor fez uma extensa pesquisa sobre o assunto, e abaixo estão os resultados que lhe fizeram chegar à conclusão de que o Gothic Metal não é real.


Gênero de aparência
Para fazer esta pesquisa, primeiramente este autor levantou a opinião geral das pessoas sobre o que elas consideravam como "Metal gótico". O resultado foi surpreendente e previsível ao mesmo tempo: ninguém sabia definir o que é Gothic Metal. Esse resultado foi surpreendente porque muitos headbangers falam desse estilo, então eles deveriam saber do que se trata. Mas foi previsível também, pois a verdade é que ninguém sabe o que realmente é ser gótico. Muitos de nós só imaginamos que é um monte de pessoas que se vestem de preto e gostam de coisas de dia das bruxas.

Apesar de ninguém saber definir o que era o Gothic Metal, todos deram seus palpites. Muitos achavam que era um de Metal que usa instrumentos típicos de música clássica, se baseia em óperas e música erudita em geral, tem uma voz lírica e tem várias outras influências da música erudita. Mas até aí, o Power Metal e Metal Progressivo também tem todas essas influências e não é considerado "gótico". Outras pessoas diziam que, além de ter influências sinfônicas, o "Metal gótico" era mais melancólico, mais sombrio, mais "dark". E nessa conclusão, podia-se colocar QUALQUER COISA no mesmo saco "sombrio e dark" e rotular como "gótico".

Como o senso-comum não sabe definir exatamente o que é o Gothic Metal, apenas ter uma ideia do que ele seria, este autor chegou a sua primeira grande conclusão sobre o assunto: o "Gothic Metal" é apenas um "gênero de aparência". E "gênero de aparência" é uma expressão que este autor inventou para caracterizar os incontáveis subgêneros do Rock e Metal que classificam uma série de bandas pela sua sonoridade superficial, ao invés de considerarem suas técnicas, suas composições, seus acordes típicos, etc.

Exemplificando: o Southern Rock reúne bandas como o Lynyrd Skynyrd, que "soam como" Rock caipira, que "parecem com" bandas típicas do sul dos EUA. Outro exemplo: o Metal Neoclássico, representado por artistas como John Petrucci, Marty Friedman e Yngwie Malmsteen, é o Metal que rouba se inspira em músicas clássicas, e até mistura linhas de sinfonias famosas com seu som, "se parecendo" com música clássica. A mesma coisa de "se parecer" acontece com o Gothic Metal, que reúne qualquer banda que "pareça" sombria, dark, trevosa e cavernosa.

Outra coisa importantíssima e essencial de se notar nesses "gêneros de aparência" é que TODAS as bandas que ele classifica já são classificadas por outros estilos musicais. Assim, toda banda de "Southern Rock" é de Rock clássico. Toda banda de "Metal Neoclássico" é de Metal Progressivo ou de Power Metal. E toda banda de "Gothic Metal" é de Metal Sinfônico ou de Doom Metal.

E esse foi o passo seguinte que este autor tomou para entender o tal do Gothic Metal: desde quando o Doom e o Sinfônico foram rotulados como "Gothic"?


História
Tudo começa pelo Doom Metal, um gênero do Heavy Metal conhecido por ter ritmo mais cadenciado e lento, com tons graves e atmosfera obscura e/ou melancólica.

Dentro da cena do Doom Metal, surgiu o subgênero inútil Death Doom Metal, que não significa nada além de meia dúzia de bandas de Doom investindo numa cozinha (gíria para "bateria e baixo") um pouco mais pesada e intensa.

E houve quatro bandas que se destacaram nesse sub-cenário Death Doom na década de 90, e que acabaram difundindo o rótulo Gothic Metal (ainda que ele não tenha caído tanto na boca do povo): a americana Type O Negative e as inglesas Paradise Lost, My Dying Bride e Anathema. E para formar seu som mais tenso, obscuro e pesado, e também justificar esse rótulo de Metal Gótico, essas quatro bandas tiveram duas influências principais: o Gothic Rock (o som verdadeiramente gótico, que este autor vai abordar no fim do artigo) e algumas bandas da década de 80, como Celtic Frost (Heavy Metal tradicional com uma pegada mais soturna, peso e tensão pra época), Christian Death (Gothic Rock com uma personalidade agressiva e Punk) e Samhain (Gothic Rock). O Samhain mudou de nome pra Danzig depois.

O Type O Negative, que se considerava gótico, formou a cena do Gothic Metal nos Estados Unidos juntamente com Christian Death, Shadow Project (Rock Alternativo) e Danzig. Mas essa cena não prosperou muito. Quem contribuiu com o advento e progresso da "cena" mais abrangente do Gothic Metal, foram os ingleses Paradise Lost, My Dying Bride e Anathema, apelidados de Trio Peaceville, em referência a gravadora a que faziam parte, a Peaceville Records. Além de formar esta cena "trevosa", o trio também influenciou bandas novas, que ao lançarem seus trabalhos soturnos e sombrios, iniciaram a chamada Segunda Onda do Gothic Metal, formada por Tiamat, Moonspell, Theatre of Tragedy, Tristania, The Gathering, Amorphis, Crematory, e outras bandas mais desconhecidas. Todas elas eram de Doom Metal, e cada uma tinha influências e sonoridades únicas (já que eram bandas com personalidade própria e propostas diferenciadas). Entretanto, todas tinham essa pegada mais obscura, intensa e tenebrosa em comum.

E algumas dessas bandas de Doom apresentavam certas características que combinavam bastante com os elementos essenciais de outro subgênero que estava ascendendo naquela época: o Metal Sinfônico. Bandas Sinfônicas como Nightwish, Trail of Tears, Within Temptation e After Forever tinham integrantes usando roupas pretas, estilosas e vitorianas (visual é tudo! É pelo menos 50% do que torna uma banda "gótica"!); tinham ambientações, climatizações e tons obscuros permeando suas músicas; melodias orquestrais e/ou melódicas feitas por instrumentos líricos; e letras abordando temas profundos, íntimos e existenciais. Além disso, tinha também as artes gráficas de posteres, fotos e imagens promocionais, e capas de discos dessas bandas, que eram sempre escuras, belas e estilizadas. Traziam um "ar gótico".

E já que as bandas Sinfônicas tinham tantas qualidades que faziam as de Doom serem rotuladas como góticas, foi automático ela passarem a ser rotuladas assim também. Inclusive esse rótulo pegou mais ainda nelas, pois o Metal Sinfônico sempre teve a proposta de ser mais lírico, belo, melódico e erudito, deixando um pouco de lado o peso, tensão e atmosfera opressiva e agressiva do Metal tradicional e do Doom. Hoje em dia, Metal Sinfônico e Gothic Metal são praticamente sinônimos.

E você pensando que pára por aí? Nããão! Pois com o tempo, mais bandas foram surgindo, e com isso, mais influências, sonoridades e experimentações apareceram, deixando as pessoas todos confusas sobre o que cada banda toca. Pois nenhuma delas se encaixava num estilo específico, sempre apresentavam uma mescla de elementos e qualidades. Assim, o rótulo Gothic Metal passou a abranger absolutamente tudo que parecesse trevoso, morceguento e cadavérico: bandas de Doom Metal, Symphonic Metal, Alternativo, Industrial e até mesmo bandas da Terceira Geração do Black Metal como Cradle of Filth e Dimmu Borgir.

Agora você entende porque raios o Gothic Metal é tão abrangente e não tem características específicas.

E o que será que os góticos de verdade pensam de tudo isso?

Gótico por gótico
Os góticos verdadeiros, que tem ideologia, cultura e "trilha sonora" próprias, podem até gostar de Metal e de bandas de Doom e Symphonic, pois obviamente, nada impede que eles gostem de estilos musicais que não fazem parte da sua subcultura. Entretanto, não chegam a considerar o Gothic Metal como algo que faz parte da sua subcultura, muito menos algo derivado da sua cultura. Na verdade, eles nem acreditam que o Gothic Metal realmente exista, eles acham que isso é só um rótulo feito pra vender bandas e lucrar com a imagem gótica falsa e fabricada.

E eles estão certos!

O Gothic Rock, o seu estilo verdadeiro e característico, se baseia num som diferenciado, profundo, reflexivo, tétrico, obscuro e sentimental. Não tem nada a ver com o peso, agressividade, tensão e energia executados pelo Metal. O Rock Gótico surgiu no fim da década de 70 e começo de 80, misturando elementos de New Wave, Darkwave (que é um New Wave do lado negro da força), Post-Punk, Glam Rock e Rock Alternativo. É uma salada alternativa e assombrada que agrega bandas tão undergrounds que quase ficaram totalmente desconhecidas aos olhos do mundo (exceto aos olhos dos fãs, óbvio). Pouquíssimas bandas viram a luz do mainstream, e uma delas é o maior ícone gótico de todos: o The Cure.


... e também há o Joy DivisionSisters of Mercy, Fields of the Nephilim, Siouxie and the BansheesBauhaus, Clan of Xymox, XIII Století, The Frozen Autumn, Nosferatu e outras que compõem o cenário do verdadeiro som Gótico.

E agora que um dos maiores enganos do Metal foi esclarecido, você vai sempre lembrar que o "Gothic Metal" sempre se refere a Doom Metal ou a Metal Sinfônico, ou a qualquer outra coisa que pareça sombria. E você também passará a ter consciência de que os góticos preferem as músicas antigas da deusa gótica Siouxie e que estão pouco se lixando pro que a Tarja Turunen tá fazendo hoje em dia.

Agora fiquem com um gótico de verdade, um axé pra você, e adeusmetal.

6 orações:

wagner felipe disse...

Ei sei que foi ironia, mas o Milho Wonka é um Rivethead, não um Gótico.

Francisco Leite disse...

As pessoas deveriam se informar melhor antes de rotularem como góticas.
Enfim, ótimo post!

Adam Dark disse...

nas primeiras vezes que ouvi o Metal Gótico eu sabia que havia algo errado, pois as músicas não traziam aquilo que o meu interior tanto queria. As músicas são muito pesadas e não traziam tanto sentimento para mim

Inominável Ser disse...

Doom Metal, Symphonic Metal... Mas, onde se enquadra uma banda como Theatres des Vampires atualmente, que era Black Metal no início e agora é rotulada como "Gothic Metal"?

Renan Lima disse...

Eu não faço ideia, Inominável Ser. Principalmente agora, que a banda tá tocando eletrônico também. Acho que ela está além dos rótulos rs

Anônimo disse...

Isso porque ainda nao escutou theatre of tragedy. Em se tratando de gênero, nao posso afirmar em qual se encaixa. Mas seu estilo único é de deixar qualquer um que goste da levada gótica, "sentimental".

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