terça-feira, 14 de abril de 2015

O mito da caverna do Rock

Há muito tempo existia um filósofo e matemático chamado Platão, um homem que era mais conhecido por ter vergonha de chegar na guria que gostava e que passou a enamorá-la de longe, fazendo o que os historiadores chamam de Amor Platônico. Platão também é conhecido por ter criado o Mito da Caverna (ou Alegoria da Caverna), que era um conto que tinha como objetivo mostrar que todas as pessoas podem se libertar da condição de conformismo humano que nos aprisiona, buscando a luz da verdade. Por incrível que pareça, o conto foi criado no ano de Quemsabedeus A.C., e é simplesmente atemporal, se encaixa com perfeição na sociedade atual, inclusive no Rock. Se você nunca leu o Mito da Caverna original, leia o presente abaixo, que tem a mesma mensagem e é roquem rôu, bebê.


O Mito da Caverna do Rock

Sócrates: Imagine a maneira como segue o estado da nossa natureza, relativamente à instrução e à ignorância. Imagine pessoas com vida razoável sem maiores tribulações, em condições de vida normais e mundanas. Estas pessoas são assim desde a infância, com sua mente e espírito mirados ao senso comum, que ensina todas as informações básicas e superficiais que elas precisam. Às pessoas é mostrado o mundo de uma forma falsa e bela, mostrado pelos veículos de comunicação, que enchem a cabeça dessas pessoas constantemente com conceitos e ideias específicas.

Glauco: Não é difícil imaginar, nós vivemos em meio a isso.

Sócrates: Sim... imagine agora tudo o que o senso comum lhe ensina por meio da mídia. Alguns homens e mulheres mostrados como deuses por seu trabalho de canto, ou por serem apenas celebridades. Alguns da mídia até se opõem ou criticam esta idolatria, mas não são levados à sério, e a maioria prefere ficar em silêncio.

Glauco: Isso sempre acontece.

Sócrates: E achas que, numa tal condição, com tanta informação fazendo a cabeça das pessoas, elas realmente conseguiriam formar as suas próprias opiniões e ter um pouco que seja de consciência própria?

Glauco: Como, se são obrigadas a pensar como todo mundo durante toda a vida?

Sócrates: E estes supostos músicos? Não seriam adorados automaticamente também?

Glauco: Sem dúvida.

Sócrates: Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade à imagem fabricada de celebridades e artistas?

Glauco: Assim terá de ser.

Sócrates: Agora considere o que lhes acontecerá, naturalmente, se estas pessoas forem libertadas de sua condição mundana e curados da sua ignorância. Que se liberte uma destas pessoas, que ele forme sua própria opinião, veja as coisas com mais profundidade, pesquise, procure entender a origem e a razão de tudo, e finalmente erga os olhos para a luz. Ao fazer todos estes atos, esta pessoa libertada não verá as coisas como elas realmente são e dirá pois, que outrora só via sombras da realidade? Não acha que ela ficaria embaraçada por outrora adorar imagens falsas?

Glauco: Na verdade envergonhada...

Sócrates: Mas e depois, quando tiver que se aceitar, por não adorar mais o que adorava antigamente? A pessoa não irá ficar confusa sobre corresponder à vontade da maioria e também tentar descobrir coisas novas?

Glauco: Com toda a certeza.

Sócrates: Então tal pessoa percebe que estas coisas novas que ela experimenta são cruas e incisivas, correspondendo à sua nomenclatura: "rocha" e "metal pesado". Se ele experimentar mais, não ficará assustado e amedrontado, com medo do que está se envolvendo? Não pensará em voltar a viver como antes, mas com desgosto por saber que aquilo não é real, enfim... não ficará em dúvida se aceitará aquela nova realidade a que ele se propôs a viver?

Glauco: Ela não conseguirá se adaptar, pelo menos de início.

Sócrates: Ela terá pois, necessidade de se habituar a ver seus ex-ídolos com outros olhos. Começará a ignorar os veículos de comunicação de massa; em seguida, as imagens falsas criadas dos artistas e histórias sobre eles. Depois disso, poderá, enfrentando a brutalidade de sua nova perspectiva, contemplar mais facilmente sua realidade.

Glauco: Sem dúvida.

Sócrates: E agora, lembrando-se de sua primeira morada, da parca sabedoria que ali se professa e daqueles que foram seus companheiros, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?

Glauco: Sim, com certeza, Sócrates.

Sócrates: E mesmo com pena dos seus companheiros, não preferirá se recusar a voltar àquela situação e renegar aquelas ilusões que vivia?

Glauco: Sou de tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.

Sócrates: Mas imagine que este homem por acaso volte à seus amigos e sua vida antiga. Ele volta com sua aparência modificada, assim como sua forma de pensar. Ele não se sentirá envergonhado por estar deslocado do grupo?

Glauco: Por certo que sim.

Sócrates: E a pior parte vem agora: quando ele entrar em discussão com seus antigos amigos. Logicamente ele será criticado ou ridicularizado pelo seu novo modo de ser. Dirão também que o "lado de lá" é ruim, já que, no ponto de vista deles, seu antigo conhecido saiu lúcido e voltou louco. O ápice da discordância será quando este novo homem disser que no momento deixou de adorar os artistas que ele costumava adorar, que eles ainda adoram. Esta reação, por outro lado, já era esperada, não é?

Glauco: Sem nenhuma dúvida.

Sócrates: Agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar, ponto por ponto, esta imagem ao que dissemos atrás e fazer uma análise tornando-a metafórica, baseando-se no Mito da Caverna de Platão. A nossa vida, as pessoas presas ao senso comum e ao pensamento predominante da sociedade, são como os prisioneiros descritos no interior da caverna; e o ponto escuro e proibido da sociedade na verdade seria a luz do Sol penetrando a caverna. Tudo até aqui é o contrário; o Bom é mostrado como ruim e o Mal é mostrado como bom. E mais: a subida do prisioneiro livre ao exterior da caverna é o momento onde ele alcança uma sabedoria superior, como se fosse a ascensão da alma para o mundo verdadeiro (True). Agora veja: tanto o prisioneiro da caverna de Platão quanto o nosso personagem descobriram o mundo verdadeiro por último, visto que eles começaram a ter ideia dele apenas depois, questionando sua forma de vida e seu meio. Isso quer dizer que todos nós nascemos com nossos olhos cerrados, e poucos de nós conseguem abrir os olhos. E estes que conseguiram enxergar a luz merecem estar onde estão hoje, pois conseguiram a sabedoria.

Glauco: Concordo com a tua opinião, até onde posso compreendê-la.

***
Conto belo, não é? Retrata com precisão o que acontece com muitos de nós, que deixaram de acompanhar as notícias do mundo pop, de acompanhar as conversas banais dos amigos, de se importar com as futilidades cotidianas e se embrenharam num caminho sombrio e escuro... que no fundo simboliza apenas a cor predominante de suas roupas sempre pretas. E enquanto aqueles hereges te zoam por você ficar torrando no sol, você tem orgulho de vestir aquela roupa escura com um desenho de pentagrama, pois você ascendeu, você está mais próximo de Deus Metal e mais próximo dos tesouros e glórias de Valhalla.

Espalhe a palavra, irmão. Traga mais seguidores da religião do Rock. Este profeta lhe deseja boa sorte na sua jornada e adeusmetal.

1 orações:

Angelina Castropinho disse...

Gostei muito do seu blogger ....Parabéns! !!!

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