sábado, 16 de janeiro de 2016

Segunda carta de Profeta Rocker aos seguidores

A primeira carta foi escrita em 2013. Você não precisa lê-la. Ela é bem chatinha. Você só precisa saber que ela se trata de um lamento deste autor que vos fala, sobre a Bíblia não ter tantos seguidores quanto antigamente, mais especificamente, no período de 2009 a 2011.

Aquela carta, na verdade, foi uma forma deste autor se convencer a continuar professando a palavra do Rock com o mesmo amor e dedicação de sempre. E ele continua tentando se convencer a fazer isso até hoje.

Porque como todo ser umano, este autor escreve errado precisa de incentivo, de motivação, de uma sensação de realização pessoal, de que seu trabalho é útil, que é importante, que faz diferença na vida das pessoas.

Apesar deste autor não fazer nada de útil no início da sua pregação, e de ter as mesmas ideias que a Rock Wins, este autor conseguia receber reconhecimento e feedback do público. E atualmente, apesar de ter aprimorado seus talentos e conseguir pregar de forma mais virtuosa, esse tapinha nas costas só vem de gatos pingados que, de vez em nunca, acordam de muitíssima boa-vontade e decidem mostrar sua compaixão para com o profeta.

Essa falta de reconhecimento que perturbava este autor em 2013. E pensamentos de abandonar seus dias de pregação e deixar de escrever a Bíblia pairavam sobre sua mente com frequência. Entretanto, este autor continuou em frente, graças à argumentos que preparou para se consolar e a se encorajar, uma vez que ninguém mais se dispunha a fazê-lo.

Ora, trabalhos e obras toscas, pueris e mal-desenvolvidos sempre geram mais audiência, público e reconhecimento. Vejam, por exemplo, os livros que foram best-sellers no país neste último ano. Será que livros de youtubers e caça-níqueis de líderes religiosos falidos merecem tanta repercussão assim? Vejam também os maiores sucessos da música internacional. Tais artistas realmente merecem ser tratados como gênios, divas e lendas vivas? Vejam também, os políticos mais cultuados por aí, que formam a opinião pública e representam a população. Quem será pior, a mulher baixinha, gorducha e dentuça, que se veste de vermelho, e tem um amigo que fala errado; ou a peça de museu representante da "moral e dos bons costumes" cultuada como mito pela macharada acéfala?

Todas as coisas (ou a maioria das coisas) que fazem sucesso e são conhecidas pelo grande público são toscas. Por isso, não é necessariamente uma vergonha não ser reconhecido por tanta gente, afinal, as pedras mais preciosas são justamente as mais difíceis de serem encontradas, as que não tem acesso fácil ao grande público.

Outro argumento usado por este autor para se consolar, era sua própria evolução. Sua evolução espiritual e mental. Porque a maioria dos moleques de 15 anos poderia se render ao bordão "em time que tá ganhando, não se mexe" e continuar a sua fórmula de sucesso de falar mal de tudo e pregar que "somos superiores a todo mundo porque ouvimos Rock". Mas este autor preferiu evoluir. E ao fazer isso, ele sacrificou a fama e o prestígio que tinha outrora para se dedicar à sua nova fase de plenitude e sabedoria elevadas.

Mas o principal argumento para este autor seguir em frente, era o respeito pelos gatos pingados que persistiam dando reconhecimento a este autor. Pois eles eram, por definição, o objetivo deste autor e desta Bíblia. Se sobrasse pelo menos uma pessoa, uma só, que continuasse visitando este blog, que continuasse se divertindo com os textos, refletindo com as suas mensagens, e considerando a Bíblia como algo que acrescenta e faz diferença na sua vida, este autor já teria seu objetivo cumprido. E por causa desta única pessoa, a Bíblia seria continuada. Ou melhor, teria obrigação de ser continuada.

E foram esses os argumentos que convenceram este autor a continuar sua jornada de pregação e aventurança até hoje.

Mas por que esta segunda carta está sendo escrita? Só para que este autor se vanglorie de ser uma pessoa persistente frente às adversidades? Ou para deixar as pessoas que curtem a Bíblia culpadas por não valorizarem o blog tanto quanto este autor deseja? Não é nada disso. Este autor não é escroto a esse ponto. E também é orgulhoso demais para fazer um post só pra mendigar atenção.

Esta carta não está sendo escrita para fazer você perder seu tempo. Ela tem um propósito. O propósito de anunciar que esses argumentos coerentes e motivadores não estão lhe convencendo mais a continuar com o blog. A verdade é que, desde 2013, a Bíblia se mantém numa decrescente visível de acessos e com estatísticas desanimadoras, que comprovam o desinteresse geral das pessoas pelo blog (o que inclui os seguidores mais fieis). Pode-se dizer tranquilamente, e sem margem de erro, que a página da Bíblia no facebook tem mais reconhecimento que a própria Bíblia, que é a obra principal. Frente a essa realidade, não há argumento motivador que impulsione este autor a seguir em frente.

Mas não se preocupem, meia meia meia meia dúzia de gatos pingados que ainda leem a Bíblia. Caso este autor finalmente encontre motivos e ânimo, a Bíblia do Rock retornará do longo e indefinido recesso de atividades que será promulgado a partir deste post. Até lá, continuem louvando a obra de Deus Metal e mantenham a fé em seus corações. Pois o Rock precisa ser louvado independente da presença deste autor que vos fala. Pois ele é maior que todos nós. Maior que os probleminhas de "ninguém me ama, ninguém me quer" que certas pessoas passam.

Amém.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Músicas conhecidas de músicos desconhecidos 2

UUUUHUL! Primeiro post de 2015! Digo... 2016!!! Vai demorar um pouco pra este autor se acostumar a essa mudança repentina de data. Mas em junho, este autor estará totalmente habituado.

E para começar o ano iluminado, este autor lançará novamente uma luz sobre aquelas músicas que você já conhece, mas não sabe quem toca. E esta segunda parte tem músicas mais inusitadas e inesperadas ainda (também pudera, o outro artigo foi uma republicação), fazendo você se impressionar com algumas músicas da lista. Então você pode sim ter a mesma reação do guardião da galáxia abaixo:


Ou ter uma reação mais excitada ainda.

Mas primeiro, este autor vai novamente listar aquelas músicas que as pessoas também não sabem de quem é, mas que são muitíssimos mais fáceis de serem encontradas. Algumas dessa listinha sempre tocam na Rádio Cidade - A Rádio Ruoóóck, outras já são mais encontradas em coletâneas, filmes, enfim.
  • Blur - Song 2 (aquela que o refrão é "UUU HUL é minha pinga no verão UUU HUL!")
  • Faith No More - Epic (aquela que o refrão é "iuuu aaaa rinaaau ba tchu gué ré viiii")
  • Alice In Chains - Man In The Box (aquela que o riff é "TAN ts TANrãTANrãTANTÃ")
  • Audioslave - Like a Stone (aquela que o riff é "pãooo pãoouumm, pãopãooo pãoouumm...")
  • Joy Division - Love Will Tears Us Apart (é aquela m´sucai que parece do legião Urbana, só que sem consoantes)
  • The Cure - Boys Don't Cry, Friday I'm In Love (aquelas músicas animadas, mas ao mesmo tempo tristes)
  • Blondie - One Way Or Another ("uã whey, óa nóda..."), Heart Of Glass (aquela música de voz super fina)
  • Talking Heads - Psycho Killer (aquela que toca nas baladinhas numa versão remixada, que é inconfundível pelo seu "fafafafa")
  • Bread - Everything I Own (Aquela música beeem melosa que sempre é trilha sonora de coisas românticas)
  • Extreme - More Than Words (aquela música no violão que todo mundo canta junto)
  • The Animals - The House of Rising Sun (aquela música misteriosa, que a guitarra é dedilhada e o vocalista tem voz grossa)
  • Eric Clapton - Layla (não confundir com "Layla" do Oasis), Tears In Heaven (aquela que você foi obrigado a cantar na apresentação de música da escola), Cocaine (aquela em que o trecho "she don't lie" repetido três vezes já figurou muitos comerciais de cigarro)
  • Janis Joplin - Piece of My Heart
  • Jefferson Airplane - Somebody To Love, Feed Your Head (músicas conhecidas por meia dúzia de pessoas)
  • Rolling Stones - Brown Sugar, It's Only Rock 'N' Roll (But I Like It), Angie
  • Foghat - Slow Ride (aquela que o Supernatural tornou famosa)
  • Nazareth - Love Hurts (essa já reconhecida só pelo título)
  • Skid Row - I Remember You, 18 and Life 
  • Foo Fighters - Walk, Best of You, My Hero, entre outras
  • Dropkick Murphys - I'm Shipping Up To Boston (aquela banda/música que ficou conhecida pelo Pânico na TV)
Agora vamos começar de verdade:

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O Azarado

Aquele era um dia atípico. Estando tão perto do grande acontecimento, ele pegou-se agradecendo às nornas por finalmente terem lhe dado alguma trégua. Enfim, alguma coisa na sua vida estava dando certo. E aquelas pedras pontiagudas no seu caminho tinham uma razão de existirem, pois forma elas que o conduziram a esta boa-aventurança. Faltavam alguns minutos para o acontecimento, e ele refez seus passos até aquele momento esperado.

Há muito tempo, nosso heroi namorava um disco raríssimo de uma loja de Rock. Com frequência ele visitava aquela loja e se certificava de que aquele disco ainda estava lá, paradinho, no canto dele. Aquele disco era dele. Só dele. Bastava ter dinheiro pra levá-lo dali de uma vez. 35 reais, era tudo que precisava. O disco era uma preciosidade, famoso, requisitado. Na verdade ele se achou com sorte por aquele disco ainda estar ali, pois ele já devia ter sido levado por alguém há muito tempo. Mas ele ainda estava lá, esperando pra ele.

Chega o dia em que ele finalmente consegue a grana pra comprar aquele tesouro. Com empolgação interna e um sorriso de orelha a orelha na sua alma, ele entrou na loja e já se encaminhou ao balcão de discos. Já tinha feito aquele percurso tantas vezes que cada passo dado já lhe era familiar. Nem precisava pensar. O piloto automático já encaminhava seus olhos ao querido disco. "Você está indo pra casa", ele pensou. Ele tateou com a ponta dos seus dedos cada disco daquela fileira para encontrar aquela preciosidade. Vasculhou até o final. "Eu jurava que ele estava aqui...", ele pensou. Seu coração deu uma pontada. Verificou novamente aquela fileira, e notou que a organização dos discos tinha sido mudada, e se acalmou. Ele não tinha sido levado ainda. Só precisava ser procurado e encontrado. Pois aquele momento tão esperado não poderia acontecer sem um pouco de emoção, não é? Seria fácil demais entrar, pegar o disco e ir pra casa. Não, aquele momento precisava ser saboreado. Cada segundo contava para o momento ser mais épico. Na verdade, ele já estava até se imaginando contando pros amigos o quanto foi incrível comprar aquele disco, tentando transmitir, com as suas palavras, todas as suas emoções. A angústia em não poder ter aquela preciosidade mais cedo, a ansiedade, a insegurança, e finalmente, a satisfação e o sentimento de auto-realização por ter aquela obra em mãos.

Seus dedos foram tateando cada fileira de discos daquele balcão. A ponta dos seus dedos já estava ficando empoeirada, e seu temor ia aumentando. Será que organizaram os discos por ordem de estilo? Por ordem de "esse é mais importante que esse"? Será que ele estava em outra sessão? Cadê o disco? Os seus olhos já demonstravam preocupação, e seus dedos já vasculhavam os discos mais rápido. Ele tinha que estar ali. Era obrigação dele estar ali. Não era possível que sua jornada terminaria assim. Tanto esforço pra nada. Nadar e morrer na praia. Aquilo não podia estar acontecendo.

Cansado de procurar, ele decidiu ser inteligente e perguntar pro balconista se aquele disco já tinha sido levado. Ele apanhou seu caderno onde estavam registrados todos os discos vendidos, folheou até as últimas páginas e constatou que ele já tinha sido comprado há tempos.

Sem conseguir disfarçar a decepção do seu rosto, o balconista entendeu seu drama e tentou consolá-lo, dizendo que aquele disco era muito procurado mesmo, e que em alguns dias, ele estaria disponível na loja. Nosso protagonista agradeceu a informação e andou lentamente pelo local, passando os olhos desatentos pelos discos, vinis, camisetas, pôsteres, DVDs, acessórios e outros itens. O dinheiro ainda estava consigo, e assim, ele pensou em não ter uma viagem perdida. Ele podia não ter sua compra desejada, mas nada lhe impedia de comprar outra coisa. E ele partiu direto para as camisetas, pois fazia tempo que não estreava uma camisa de banda nova. Ele levou uma camisa do Guns N' Roses super bonita e estampada, torrando todo seu dinheiro.

Alguns dias depois, ele visitou um grupo de compra e venda de discos do Facebook. Encontrou porcarias, preciosidades e pérolas sendo vendidas, negociadas e trocadas. Uma delas era o maldito disco que ele tanto queria, e mais barato que naquela loja. Ele se esbugalhou os olhos de animação e pegou sua carteira para ver quanto podia gastar. Nada. Aí lembrou que tinha comprado aquela camiseta dias atrás...

O seu mundo parou. Passou alguns segundos segundos para tentar assimilar o que aconteceu. Aquele disco escapou por entre seus dedos novamente. Duas oportunidades, ambas perdidas. Um instinto de urrar seu grito mais primitivo e quebrar tudo que visse tomou conta da sua alma. Mas ele se contentou apenas em socar a parede grunhindo (derrubando o poster que já estava pendurado por apenas uma durex na parede) e ouvir som pauleira pesadão o dia todo de cara emburrada.