quarta-feira, 16 de julho de 2014

Fenômenos musicais: superestimação

E se você não gostasse daquela banda que todo mundo ama? Aquela banda que, pode até tocar bem, pode ter talento, só que... não te empolga, não te toca... que tem alguma coisa nela que... não faz você simpatizar por ela... Mas então, por que tanta gente gosta “daquilo”?

Talvez aquela banda esteja recebendo uma atenção grande demais, talvez ela não mereça taaantos fãs assim, e talvez você seja o único que perceba isso. Ora, como é que “aquilo” pode ter tantos admiradores? Que chegam ao ponto de se assustar e de se impressionar quando você confessa seu desgosto por aquele troço, como se você fosse obrigado a gostar dele?

Ou aquela banda tem um pacto com o senhor do submundo, ou você que tem algum tipo de problema. Ou talvez o problema não esteja em você, mas nos outros. A única coisa que você sabe é que aquela banda não precisa de tanta gente adorando-a, que ela é bem superestimada.

Essa é a conclusão que se tem ao perceber que muita gente idolatra algo que você não dá a mínima importância e relevância, que todo mundo faz o maior auê e você fica “nhá, nem é tudo isso, vai”. E qualquer banda pode ser considerada superestimada, depende de cada um. Este autor acha o Pink Floyd superestimado, e você pode agir como as criaturas que se impressionam e se assustam com esta opinião; assim como você pode achar o Jimi Hendrix superestimado e este autor reagir assim:

Não dá pra apontar com exatidão que bandas são superestimadas, uma vez que tudo depende de gosto pessoal. Mas é possível observar certas características que as bandas assim rotuladas tem em comum:


Os 4 fatores

Fama
Esse é o principal fator, é tiro e queda! Se a banda é famosa, automaticamente aparece um punhado de gente pra ir contra a “modinha”, dizendo que a banda é “vendida”, faz muito marketing pessoal e faz músicas com fórmulas pop pra agradar a todo tipo de gente, se afastando da sonoridade genuinamente rockeira e não merecendo toda a atenção que recebe.

Além dessa atitude “anti-modinha”, outra atitude que faz o rockeiro ir contra bandas famosas é a Síndrome de Underground, que o faz subestimar qualquer banda conhecida dizendo que ela é superestimada, superestimando bandas que ninguém conhece e por isso, subestimadas pela maioria, que superestima bandas dignas de subestimação... e o seu cérebro acaba de bugar.

Complexidade
Bandas que tem músicas de mais de sete minutos, usam técnicas virtuosas, várias camadas e letras “viajadas” são constantemente alvo de julgamentos de superestimação. E não é só a banda que é julgada, mas seus fãs também! Os julgadores defendem que tais bandas são chatas, cansativas, maçantes e sonolentas, muito bitoladas nas técnicas e não tem feeling nenhum, mas só são consagradas e só tem fãs porque seus adoradores são metidos a intelectuais, ou porque querem posar de inteligentes.

São esses argumentos que depreciam os fãs de Rock e Metal Progressivo, ou estilos tão ou mais complexos. Em alguns casos pode ser verdade, como aquele rockeiro “experiente” e chato que você conheceu, que só gosta daquelas coisas complexas e diz já ter superado as coisas que você, ser ignóbil, ainda gosta. Dá vontade de dar uma bifa naqueles feios que se acham, depois reclamam que estão solteiros quando ficam postando foto bebendo com os amigos também feios, bando de vagabu... enfim.

Imagem
Esse fator é constante. Toda banda que investe muito na imagem ou na atitude vai ser tachada de “sem conteúdo”, superestimada pelos fãs que valorizam mais a sua imagem do que sua música. Bandas de glam-sleaze-hair-whatever Rock já foram alvo desse julgamento, mas principalmente por terem sido uma tendência nos anos 80, unindo o fator Fama ao fortalecimento do julgamento.

A imagem que a banda pode passar é variada. Pode passar uma imagem maquiada e glamourosa, uma imagem dark-gótica-sombria-das-trevas, uma imagem violenta e sanguinária, uma imagem satanista e blasfemadora, etc. No caso dessas imagens mais impactantes, o marinheiro de primeira viagem que ficou atraído e impressionado pela imagem da banda pode ouvi-la e pensar... “aff, esperava mais”. Isso acontece com dezenas de bandas de Doom e Symphonic Metal, com o Ghost, Marilyn Manson, Black Sabbath (não a imagem que a banda passa, mas que os fãs passam dela), etc.

Clássico
Esse fator já é delicado, pois ninguém ousa questionar a autoridade de bandas que literalmente fizeram a história do Rock. Mas quando alguém ousa e diz que, por exemplo, acha o The Doors superestimado, o “ousador” pode se preparar pra gerar descendentes que serão amaldiçoados até o fim dos tempos.

Mas por que bandas clássicas seriam julgadas de superestimadas? O argumento é de que elas foram importantes e relevantes apenas para o seu próprio contexto e sua própria época, e que hoje em dia não precisa de tanta reverência, afinal, existem milhares de bandas evoluídas e mais concisas atualmente.

Isso dá uma treta maligna! São feitas várias discussões e debates sobre esse tema (quando esse tema é abordado, já que, como dito antes, ninguém ousa questionar a importância das bandas clássicas), e de um lado, tem a galera que defende que os clássicos são tão importantes ontem como hoje, já que fizeram obras atemporais; e de outro lado, tem a galera que acredita na evolução, que respeita os clássicos, mas prefere os atuais. O vencedor desse debate é aquele lado que é mais insistente e tem paciência pra ter a última palavra.

Esses são os fatores principais que fazem uma banda ser superestimada, mas existem vários outros que a fazem “não ser tudo isso”. Geralmente existem motivos específicos pra cada banda, como você pode ver na lista a seguir...


Bandas comumente julgadas como superestimadas
Aviso: Esses motivos não representam necessariamente a opinião do blog. Como o artigo diz no começo do texto, ser superestimado ou não é uma questão de opinião pessoal. Então não se afobe. Apenas ignore quando ver alguma banda que você gosta.
  • Pink Floyd: Por ser um sonífero poderoso.
  • Yes: Por ser chato, apenas.
  • U2: Isso lá é Rock? Nunca fez coisa boa.
  • KISS: Por investir mais em comércio e propaganda do que em música.
  • AC/DC: Por fazer músicas iguaizinhas, iguaizinhas. Salvo os hits.
  • Led Zeppelin: Não é tudo isso que falam, saca?
  • The Runaways: Só faz sucesso por ser a primeira banda de mulheres.
  • Matanza: Por ter letras típicas de um adolescente revoltado com a vida, mas fazendo pose de viking malvadão.
  • Sex Pistols: Por não saber tocar, ser uma banda assumidamente comercial e posar de revolucionária anarquista.
  • Legião Urbana: por fazer mais sucesso pelas suas letras poéticas pseudo profundas do que pela sua música sonífera, repetitiva e pseudo forte.
  • Ozzy Osbourne: Pela sua voz peculiar (eufemismo para “ruim”) e por fazer sucesso até hoje apenas pela sua trajetória no Black Sabbath e pelo seu primeiro CD solo.
  • Nirvana: Por ter recebido o status de “banda sagrada” depois da morte de seu vocalista, mesmo fazendo músicas simples e com pouca ou nenhuma genialidade.
  • Metallica: Por ganhar mais com a fama do que com a música, música que, aliás, é mais pop do que Thrash. Kreator, Sodom, Testament, Slayer e cia conseguem mostrar o que é Thrash de verdade.
  • The Beatles: Por fazer músicas pop e arrebanharem uma legião insuportável de fanáticos. E depois por passarem por uma fase barbuda e chapada nas drogas que só estando drogado mesmo pra aguentar.
  • Guns N’ Roses: Por fazer músicas razoáveis e ganhar fama pelas polêmicas do seu vocalista e pela pseudo genialidade de seu guitarrista solo, que é inferior a inúmeros outros guitarristas.
Repararam que este autor só citou bandas famosas? Pois é, o fator Fama é muito atuante nessas bandas acima. Você pode pegar qualquer banda famosa e dizer que elas são super valorizadas, por exemplo o Arch Enemy e Epica, dizendo que elas só fazem esse sucesso gigantesco por causa das suas vocalistas femininas, o que não deixa de ser verdade, apesar de suas músicas fazerem jus ao seu sucesso. Ou será que não fazem?

Enfim, se a superestimação é um julgamento totalmente pessoal e relativo, tem algo que é parecido com esse conceito e que é um pouco menos relativo: a subestimação! Bandas subestimadas são carentes de tudo que as superestimadas tem: fama, relevância, fãs, reconhecimento, consagração, etc. Sempre aparecem em listas de “bandas injustiçadas” e sempre tem críticos dizendo que elas mereciam mesmo estar esquecida,s por não trazerem nada de inovador. Aí começa uma discussão interminável pra decidir se as ditas cujas são ou não são subestimadas e superestimadas. Nessas brigas, ganha quem tiver mais argumentos decentes e insistência. E tempo livre de sobra.

E é isso que este autor tinha pra hoje. Fiquem com um cara superestimado pelo Guitar Hero e adeusmetal.

domingo, 13 de julho de 2014

Dia Mundial do Rock (alemão)

Hail! Sabem que dia é hoje?? Sim, hoje é o dia em que o Papa Clemente X nasceu! E também o dia em que a venezuelana Dayana Mendoza é eleita Miss Universo! E também o dia em que o Estatuto da Criança e do Adolescente foi instituído no Brasil!

E também... o dia em que a Alemanha venceu a Copa de 2014!

Tá bom, tá bom, hoje é o Dia Mundial do Rock também. Bom, por causa da Copa, só os rockeiros lembraram dessa data.

E é por causa disso que hoje este autor resolveu misturar os dois assuntos e fazer um playlist só de bandas alemãs! Divirta-se e feliz Dia do Rock pra todos \m/












Leia também:
Dia Mundial do Rock / Espírito do Rock
Comemore

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Teses e constatações [12]

Hail! Como este autor está postando bem pouco ultimamente, ele contratou os cientistas e especialistas desocupados para mostrar os frutos de seus trabalhos de pesquisa e enrolar os leitores. Vejam suas últimas descobertas:

No Rock, ambos os sexos se unem para uma causa comum:

Cuidar da aparência. Tratar da crina, botar metais na pele e usar roupas monocolores.
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Brasileiros costumam ser patriotas apenas em tempos de Copa do Mundo.

E rockeiros brasileiros costumam ser patriotas apenas quando bandas nacionais são reconhecidas no exterior.
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Existem bandas que são únicas, que jamais terão suas qualidades copiadas ou reproduzidas por bandas posteriores.

O AC/DC não é uma dessas bandas.
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Baixistas em bandas de Metal melódico são como colares.

Só servem de enfeite.
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Metal Progressivo é como um filme cult:

Sempre tem fãs metidos a gênios dizendo que ele é rejeitado pelas cabeças pequenas que não compreendem sua complexidade.
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Não importa o que as bandas falas pro seu público nos shows...

Ele sempre gritará UHUUUUUUUUUUULLLLLL e EEEEEEEEEEEEEEEEEHHHH como resposta.
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Quando um rockeiro veterano pergunta a outro rockeiro veterano quais bandas ele ouve...

... nunca são faladas as bandas que ele realmente ouve, só as clássicas. O cérebro parece esquecer que ele na verdade ouve Thin Lizzy e Uriah Heep.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Brilho e glamour

Já pararam para observar como rockeiros ostentam uma divosidade singular e arrebatadora? Seus cabelos esvoaçantes e bem tratados que fazem inveja a modelos de comercial de shampoo; sua presença marcante que se faz notável a todos os seres vivos, não excluindo nem mesmo os mais desatentos; seus gestos vitoriosos e dotados de poder e personalidade; tudo isso é proveniente da essência egrégia do rockeiro, de imagem exuberante e escandalosamente grandiosa, de feições e proporções soberbas e esplêndidas.

E há de se notar algo em especial: o brilho do rockeiro. Reparastes em quantos acessórios ele adorna, acessórios que o fazem brilhar ao ser banhado até pela mais tímida luz? É o bottom que se reflete na luz, os espinhos nos pulsos e pescoço, os alargadores e piercings, os colares e aneis, os cintos e fivelas das botas. Tudo isto forjado do metal, este material imponente e condutor de energia elétrica que faz o rockeiro ser pulverizado pelo relâmpago viril e virtuoso, em meio à precipitação majestosa de água que, com aspereza e agrura, atribui ao rockeiro um novo sentido à sua existência: ser um substituto de para-raios.

Em resumo, rockeiros são seres que brilham, são mais divos que Lady GaGa, Felix da Novela Que Acabou e Thranduil juntos. E você perdeu alguns minutos lendo este texto.

sábado, 28 de junho de 2014

Estereótipos: palavras e expressões

Existem palavras e expressões que são usadas em todo estilo musical, como “only one”, "set me free", “welcome to…”, “miles away”, “through my veins”, “in my skin”, “nothing to lose”, “(it’s) too late”, “inside my mind / head”, “there’s nothing you can do”, “here we / I go again”. E enquanto você lia, com certeza foi lembrando de uma penca de músicas! No Rock e Metal as expressões e palavras já são mais específicas, por exemplo, a expressão “coming home” está presente em centelhas de títulos de canções, enquanto que vê-la em outros gêneros musicais é bem pouco comum.

E é pra mostrar essas singularidades e identidade própria que o Rock/Metal possuem em suas letras que este autor fez um apanhado de palavras e expressões mais usadas. Esse artigo pode até servir de guia pra quem quer compor uma música e está sem criatividade! É só pegar um “dark” aqui, um “fire” ali e um “hell” acolá e pronto, a música “Dark Fire of Hell” está pronta!


Auto-consagração
O Rock é o único estilo que saúda a si próprio. Você nunca ouve canções dizendo que “The Gods Made Pop” ou que “R&B Will Never Die”, como também não existem “Church of Reggae” ou “Soldiers of Pagode”. Esse orgulho, essa reveneração e esse jeito de tratar o Rock como algo superior e sagrado é única. Podemos encontrar vários exemplos de músicas de louvor, entre elas o hino do Rock “I Love Rock and Roll” da Joan Jett and The Blackhearts  e até canções de bandas desconhecidas como “Metal Rites” do Dexter Ward.



Caminhos
O Rock também adora usar caminhos como tema, na maioria das vezes para reflexões e metáforas, dizendo que está percorrendo um “caminho difícil”, um “longo caminho”, um “novo caminho”, “caminho melhor”, ou que “este é o meu caminho”. Por isso sempre há músicas com way (The Last Vegas – My Way Forever), highway (Osukaru – Highway To The Stars), ride (Trixter – Ride) e road (Tank – Hard Road).


E falando em caminhos, há um certo meio de transporte que os rockeiros adoram falar: o train. Não se sabe ao certo porque, mas trens são muito usados de modo metafórico, representando algo dotado e ímpeto e força, que é carregado de coisas, ou mais ou menos isso. Ou não. Pode ser um trem da alegria, um trem de dor (Dr. Sin – Train of Pain), um trem de rock and roll (AC/DC – Rock and Roll Train), um trem doido (Ozzy Osbourne – Crazy Train), um trem do Cão (Devil’s Train – Devil’s Train), um trem que anuncia sua chegada (Jimi Hendrix – Hear My Train A-Comin’), e é trem que num acaba mais.



Prazeres
Ah, os prazeres da vida. O Rock os celebra como ninguém, dando muito valor a bebidas (Hellyeah – Drink Drank Drunk), festas (Steel Panther – Party All Day), cópulas (Rolling Stones - I Just Wanna Make Love To You), e duas coisas que ele tem um carinho especial: a juventude e a liberdade. A juventude porque, quando velho, você não pode fazer várias coisas, como aguentar ficar em pé depois de ficar na farra a noite toda e ficar acordado até o dia seguinte. E a liberdade porque é um sentimento natural humano, querer se libertar e ser livre. Se libertar de quê? Ser livre do quê? Como? Quem sabe? Só sabemos que inúmeras músicas com young são feitas: Paul Laine – We Are The Young, Shy - Young Heart, Santa Cruz – Anthem For The Young N’ Restless...


e músicas com free e freedom são o que mais tem no Rock. Jimmie Van Zant – Feels Like Freedom, Queen – I Want To Break Free, Uriah Heep – I Wanna Be Free (…)


Sentimentos
Rockeiros também são conhecidos por serem sentimentais (Boston – More Than a Feeling), ou melhor, fazer músicas sobre todo tipo de sentimento. O amor é tema de muitas baladas (Atlantic – It’s Only Love), o ódio é bem presente no metal extremo (Destruction – Hate Is My Fuel), a dor é sentida nas músicas mais melancólicas (Pain – Follow Me), e por aí vai. Com exceção do amor, o Rock gosta de falar das emoções mais fortes e sombrias, pois como dizia Tolkien, “não há assunto quando você tá feliz, só quando as coisas vão mal” [É que da bem-aventurança e da alegria na vida há pouco a ser dito enquanto duram; assim como as obras belas e e maravilhosas, enquanto perdura para que os olhos as contemplem, são registros de si mesmas; e somente quando correm perigo ou são destruídas é que se transformam em poesia - O Silmarillion].



Vida e morte
O Rock também tem seu lado existencialista e profundo, de vez em quando trazendo estas questões sobre a vida (Sedna – Failing at Life), e morte (Black Majesty – Symphony of Death, Bywar – Black Spirals of Death), assim encontramos várias músicas com life, death e suas palavras derivadas: living (Almah – Living and Drifting), alive (Pearl Jam – Alive), live (Cyanide 4 – Live The Life), dead (Rage – Dead Forever), die (Vision Divine – Here We Die) e dying (Attika 7 – Dying Slowly).


E falando em morte, rockeiros também adoram matança, sempre fazem músicas com kill (Testament – Man Kills Mankind), killing, killer, etc.

Nessa questão de vida e morte, há outras forças que se encaixam e são tão etéreas e poderosas quanto: o time, o destiny / fate e o end. O tempo passa (Whitesnake – ‘Till The End of Time) e sempre há a preocupação com seu aproveitamento ou perda (Tremonti – You Waste Your Time). O destino (Blaze Bayley – Fate), se é que existe tal coisa, é uma força que os humanos sempre tentam lutar contra. E o fim (Sister Sin – End of The Line, Apocalyptica – End of Me, Sirenia – End of It All) é inevitável, e dá calafrios só de pensar.



Céu e Inferno
E depois do fim, o que há? Continuando na sua veia existencialista, o Rock explora o além. Mais influenciado pelas crenças cristãs (uma vez que não se vê muitas músicas sobre Quetzacoatl ou Buda), os rockeiros fazem músicas com o heaven / paradise (Burning Rain – Heaven Gets Me By) e com o hell (Jack Devil – Road To Hell), apesar de gostarem de falar mais do inferno mesmo (KISS – Hotter Than Hell). Também costumam compor músicas com Jesus como personagem (Savatage – Jesus Saves) e com angels (Avantasia – Dying For An Angel), mas também preferem falar no diabo (Van Halen - Runnin’ With The Devil, Rolling Stones – Sympathy for The Devil), assim como adoram falar no Mau (Iron Maiden – The Evil That Men Do, Amberiam Dawn – Rivalry Between Good and Evil). O Rock é malvadinho.



Anatomia
Outra coisa que rockeiros amam falar sobre: partes do corpo. Mas eles não fazem músicas dedicadas a bigornas ou panturrilhas, e sim a cabeças (Accept – Shake Your Heads), principalmente na hora de usar aquela expressão clichê, “inside my head” (Fozzy – Inside My Head); a olhos (The Who – Behind Blue Eyes); a lágrimas (Jeff Scott Soto – Tears That I Cry); a mãos (Fox – Raise Your Hands) e a pés, especialmente na hora de dizer que alguém está a sete palmos abaixo da terra (em inglês, six feet under).


Indo mais fundo, os rockeiros também falam do coração (FM – Burning My Heart Down), das veias (Winger – In My Veins) e do sangue (Scelerata – In My Blood). Mas se você espera músicas sobre pulmões ou baços, pode esperar sentado, porque são só essas três coisas que interessam aos rockeiros.


E além de anatomia, o Rock também aborda duas deficiências, uma física e outra psicológica: a cegueira (Blind Guardian – Guardian of The Blind) e a loucura (Aerosmith – Crazy), apesar de não ser o único estilo musical a falar disso. Mas até quando Música vai deixar de prestar atenção nos mudos ou nas pessoas sem braço que caem dos balanços dos pracinhas???



Fauna
Nossos amigos quadrúpedes também estão presentes nas letras de Rock... ou bípedes... ou sem patas, né, porque... a fauna é muito variada... bem louca essa natureza... Enfim, vamos começar o parágrafo de novo.

E os nossos amigos irracionais também estão presentes nas letras de Rock! Se bem que... tem gente que procura Google no Google... e teve uns bestas que excluíram a pasta System 32 pensando que tinha vírus nela... anyway, vamos começar de novo o parágrafo.

E os nossos amigos de estimação também estão presentes nas letras de Rock!! Porque se você quiser cuidar de um tubarão ou um leão em casa, você pode! Apesar disso não ser muito comum... e ser difícil também...

AAAAH, que seja! Os animais também são falados pelos rockeiros! Pronto!

Os animais que aparecem são sempre os mesmos, e é costume tratar alguns como metáfora, como os pássaros (Lynyrd Skynyrd – Free Bird, Stratovarius – Eagleheart). Entre os animais mais presentes estão os cães (AC/DC - Giving The Dog a Bone, Led Zeppelin - Black Dog), lobos (Sonata Arctica – Wolf and Raven, Powerwolf – Son of A Wolf), fênix (Freedom Call – Age of The Phoenix, Katana – Phoenix on Fire) e dragões (Rhapsody of Fire – Power of The Dragon Flame, e nem precisa citar o monte de bandas com “dragon” no nome). Outros animais podem ser lembrados, entretanto, todos eles tem sempre quatro características: ou são sombrios (Nightwish – The Crow, The Owl and The Dove), ou inspiram medo (Black Sabbath – Spiders In The Night), ou são furiosos (Krisiun – Blood of Lions) ou são demoníacos (Robert Johnson – Hellhound On My Trail, Kråke – The Great Leviathan).



Ecologia
Outros estilos podem falar do sol, da lua e dos ventos, mas o Rock vai além, engrandece o poder e significado dos elementos da natureza e os mistifica. A começar pelo fogo (The Doors – Light My Fire, Jimi Hendrix Experience - Fire) e pelo ferro e aço (Motörhead - Iron Fist, Manowar – Heart of Steel), que estão presentes em 824761593 músicas, além de outros elementos e fenômenos que aparecem em músicas épicas, metafóricas e/ou carregadas de simbolismo.

Temos o vento, que como em outros gêneros musicais, pode ser usado pra fazer metáforas sobre a passagem do tempo e sobre mudanças e renovações (Bob Dylan – Blowing In The Wind, Scorpions – Wind of Change). Temos a areia, que também pode ser uma metáfora para a passagem do tempo, como naquela expressão “areias do tempo” (Lothlörien – Temples of Sand, Myrath – Tales of The Sand).


Temos o gelo (White Widdow – Fire & Ice, King Diamond – Cold As Ice), a água (Deep Purple - Smoke On The Water), o rio (Black Label Society – In This River) e o mar (Black Sabbath - Children of The Sea, Led Zeppelin – The Ocean).


Temos a chuva (Guns N’ Roses – November Rain), a tempestade (Gamma Ray - Into The Storm), o raio (Metallica – Ride The Lightining), o trovão (Amon Amarth – Twilight of The Thunder God), e no final, a bonança, com o arco-íris (Dio – Rainbow In The Dark).


E pronto, estas são as principais palavras e expressões abordadas no Rock/Metal, mas ainda há mais!


Palavras-chave
Uma letra de Rock clássico é obviamente diferente de uma letra de Metal Sinfônico. Os temas do Death Metal nunca são os mesmos do Rock Progressivo. E uma letra punk nunca se confundiria com uma letra amorosa. Essas singularidades dos subgêneros se devem às propostas diferentes dos mesmos, e isso se reflete diretamente nas palavras que cada estilo usa, palavras que de tão repetidas que se tornam típicas, padronizadas, dando a impressão de que a composição das letras é algo mecânico e sem muita diversidade. Em resumo, cada estilo tem suas palavras-chave, como você pode ver na relação a seguir (e como visto em outro artigo):

Rock: free, freedom, crazy, baby, woman, girl, lady, beautiful, live, die, time, fate, young, long, take, get, let, want, wait, street, city, road, highway, hot, fire, hell, sky, party, drive, night, gun, fun, wild, rebel

Romântico: me, my, mine, you, your, we, our, each other, heart, feeling, love, dream, angel, wings, cry, tear, close / closer, by, side, know, sure, goodbye, forever, anymore, no more, strong, want, come, can’t take / hold / stand / stop, believe, remember, tonight

Tristonho: path, inside, soul, spirit, empty, lost, last, end, way, away, death, die, live, life, solitary, alone, lonely, misery, anguish, dark, darkness, black, mind, sleep, fade, fragile, falling, fallen, voice, cry, tear, deep, time, decay, decadence, sadness, sorrow, horizon

Instrumental: ...

Metal: fly, away, rapid, fast, quick, power, death, die, fist, steel, iron, metal, ice, winter, cold, fire, hell, night, nightmare, shadow, dark, rise, storm, sacrifice, master, lord, demon, machine, break, destroy, kill, killer, fight, war, down, dawn, end

Metal Melódico: (so) far away, years, legend, ancient, journey, quest, land, kingdom, shine, bright, magic, spell, curse, power, wizard, lord, master, guardian, king, princess, hero, flame, fire, ice, sun, moon, star, thunder, storm, soul, chamber, gates, hall, throne, march, battle, war, blade, sword, eagle, dragon, sacred, holy, time, twilight, dawn, horizon, hope, death, OOOOOOH

Metal Extremo: black, red, kill, killer, ripper, murder, death, die, blood, skull, bone, hell, beast, demon, antichrist, satan, lucifer, devil, evil, unholy, pain, hate, destroy, break, violence, chaos, terror, horror, fear, horde, command, riot, damned, corpse, mortal, brutal, enemy, disease, plague, pestilence

Com essas palavras-chave, dá até pra improvisar umas músicas rápidas pra cada estilo. Vamos tentar...

“Riding on the freedom road
Don’t wanna waste my time
Baby let’s have some fun
Go crazy and touch the sky”

“My feeling is so strong
My heart can’t wait
I can’t hold it for long
I’m sure it’s our fate
We was made to be together
And be one foreveeeeeeeer“

“Mind falling in emptiness
My conscience fading
Soul drowned in darkness
No one can save me”

“Fear the killer machine
Destroying everything
Running through the night
Splitting hellish fire”

“The kingdom bleeds, begging for peace
Destroyed by evil, piece by piece
It’s time for the hero to begin his quest
March to where the holy blade rests
Fight for justice and bring the land light
And let the sun one more time bright”

“the plague is eviscerating
drink the blood of the murdered
the unholy chalice of evil
poor mankind red stained”

Viram, é facinho! Pegue um “black”, um “fly” e um “rainbow”, e você tem um “Flying over the black rainbow”! Tente você também!

***
Para casa: fazer músicas com as palavras “city”, “freedom”, “love”, “voice”, “drive”, “dream” e “fire”. E é pra trazer depois do feriado. Adeusmetal.